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Banco português põe em risco a fusão de empresas de telefonia Um dos principais acionistas da Portugal Telecom, BES pode sofrer um calote de 900 milhões de euros e provoca queda das ações europeias

Simone Kafruni

Publicação: 11/07/2014 08:26 Atualização:

Um investimento desastroso do português Banco Espírito Santo (BES) ameaça a fusão da Portugal Telecom (PT) com a Oi. Um dos maiores acionistas da tele portuguesa, o BES corre o risco de não receber 900 milhões de euros (cerca de R$ 2,7 bilhões) de um empréstimo feito para uma das empresas do grupo, a RioForte. A dívida vence na semana que vem. Ontem, as ações do banco caíram quase 19% em Lisboa e atingiram o menor nível em um ano, ajudando a derrubar as demais bolsas europeias.

O clima de apreensão ficou ainda mais pesado depois que o Fundo Monetário Internacional(FMI) fez um alerta sobre os “bolsões de vulnerabilidade” financeira que persistem em Portugal, país que acaba de sair de um programa de assistência financeira monitorado pela instituição e pela União Europeia.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado de capitais de Portugal, suspendeu os negócios com ações do BES. Especialistas estimam que o banco e as demais empresas do grupo corram o risco de perder até 3,5 bilhões de euros, o que coloca na berlinda os negócios do conglomerado. A fusão da Portugal Telecom com a Oi, que criaria a CorpCo, tem conclusão prevista para outubro. As dívidas da RioForte vencem em 15 e 17 de julho. Se não forem pagas, comprometem 40% do valor de mercado da PT, avaliada em 2,4 bilhões de euros na Bolsa de Lisboa.

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Para o advogado Dane Avanzi, vice-presidente da Associação das Empresas de Radiocomunicação (Aerbras), se o negócio com a Oi for adiante, a Portugal Telecom pode ver sua participação na CorpCo cair dos 38% a que teria direito para 20%. “Houve falha da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que teria que analisar se as ações têm lastro”, avaliou. Com os problemas do sócio português, os papéis da Oi tiveram a maior queda de ontem na Bolsa de Valores de São Paulo — os preferenciais (PN) caíram 14,48% e os ordinários (ON) recuaram 13,48%, mesmo em dia de alta na BM&FBovespa.

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