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Zona euro perde a esperança de recuperação no segundo trimestre

Embora se verifique uma pequena queda, o desemprego se mantém em níveis insuportáveis, afetando 18,4 milhões de pessoas, entre elas 3,3 milhões de jovens

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postado em 13/08/2014 13:11

France Presse

Bruxelas - Com a Itália de novo em recessão e a economia alemã refém da desaceleração, a esperança de que a zona euro levantasse voo no segundo trimestre se dissipou, um ano depois de ter saído da recessão. No verão (do hemisfério norte) de 2013 a zona do euro deixou para trás seis trimestres consecutivos de contração de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Um ano mais tarde, as perspectivas são sombrias: a economia da região é "fraca, frágil e desigual", opina o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que reconheceu no início de agosto a existência de uma "desaceleração na dinâmica do crescimento".

Embora se verifique uma pequena queda, o desemprego se mantém em níveis insuportáveis, afetando 18,4 milhões de pessoas, entre elas 3,3 milhões de jovens. Além disso, a ameaça de deflação pode prejudicar ainda mais a economia da zona do euro.

Está prevista para a próxima quinta-feira a publicação dos dados trimestrais de crescimento na zona do euro, após a divulgação dos números da Alemanha e da França, as duas principais economias do bloco. Os analistas prevem um crescimento de 0,2%, como no início do ano, mas alguns não excluem que essa previsão seja muito otimista.

Os primeiros sinais não são favoráveis: a Itália entrou em recessão no segundo trimestre, com uma contração de 0,2% do PIB, a Bélgica cresceu somente 0,1% e a Espanha 0,6%. São dados que deixam entrever que a recuperação "talvez tenha atingido o pico, antes de ter realmente começado", estimou recentemente Michael Pearce, da Capital Economics.

As duas maiores economias da região também dão sinais negativos. A economia da Alemanha, tradicional locomotiva da região, pode se contrair em 0,1% após o crescimento de 0,8% no primeiro trimestre já que a indústria demonstra debilidade. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) advertiu na segunda-feira que Berlim enfrenta uma "inflexão negativa" do crescimento.

No caso da economia francesa, a maioria dos analistas apostam em um modesto crescimento de 0,1% no segundo trimestre. Os dados sobre a produção industrial na zona do euro explicam em parte esses dados sombrios. O Eurostat, instituto europeu de estatísticas, anunciou nesta quarta-feira uma contração de 0,3% em junho na zona do euro, que se soma à queda de 1,1% do mês anterior.

Riscos geopolíticos

Não parece que o horizonte seja outro no curto prazo, devido aos riscos geopolíticos que "aumentaram em todo o mundo", segundo Draghi.

"O risco é que as consequências econômicas da crise ucraniana se transformem na gota d'água para a recuperação europeia", comentava no fim de julho Peter Vanden Houte, do banco ING, sobre a adoção de sanções econômicas europeias contra a Rússia, acusada de apoiar os separatistas da Ucrânia.

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Em resposta, Moscou acaba de decretar um embargo de um ano às importações de alimentos procedentes da Europa, um mercado de aproximadamente 11 bilhões de euros anuais. A UE está analisando as consequências econômicas, mas não exclui criar um fundo de solidariedade de 400 milhões de euros para os setores mais atingidos.

A crise ucraniana pode repercutir também na confiança dos consumidores e da indústria europeia, prejudicando o crescimento para o restante do ano, como demonstrou o empresariado alemão, que teve uma acentuada queda de confiança na conjuntura do país em agosto.

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