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Passagens de metrô devem ficar até 35% mais caras em 2015, diz setor Reajuste, que afetaria cerca de 9,3 milhões de consumidores, seria repasse decorrente do aumento da energia elétrica

Rodolfo Costa

Publicação: 20/08/2014 20:36 Atualização:

Os passageiros que usam metrô e trem poderão pagar mais caro pelas passagens em 2015. Devido ao encarecimento da energia elétrica, empresas do setor metroferroviário preveem aumento superior a 35% nas tarifas. O reajuste anunciado por algumas distribuidoras ontem, após autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi citado durante o seminário VI Brasil nos Trilhos, realizado esta semana em Brasília. Hoje, cerca de 9,3 milhões de consumidores usam o modal diariamente.

 (Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Como se trata de setor eletrodependente, os custos com o insumo impactam a operação. Para investir na modernização do sistema, operadores defendem redução de 75% da tarifa de energia metroferroviária. A expectativa da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos) é permitir a contratação integralizada do uso da eletricidade, além da isenção tributária do ICMS cobrado sobre a venda de energia por parte dos estados.

Luis Valença, presidente da ViaQuatro, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, prevê um aumento entre 27,29% e 35,13% na tarifa nos períodos em que os reservatórios de água estiverem em baixa, como atualmente. A tarifa, de R$ 3, no entanto, ainda não deve sofrer reajuste. “Estamos fazendo o possível para segurar o repasse”, afirmou.

Contudo, apesar da energia representar cerca de 15% dos gastos das operadoras, despesas com mão-de-obra ainda é são o fator mais oneroso para os transportadores de passageiros, representando 48% do custo total da operação. Por conta disso, a ANPTrilhos reivindica a desoneração da folha de pagamento, além de investimento público federal obrigatório nos sistemas sobre trilhos, redução a zero do ISS cobrado dos municípios sobre os serviços de transporte e a isenção do pagamento de IPTU sobre a servidão das vias férreas urbanas e estações de passageiros.

“É preciso tirar os projetos de política pública do papel”, disse o diretor de planejamento da ANPTrilhos, Conrado Grava, em cobrança ao governo. Atualmente, segundo ele, prazos de licenciamento ambiental para instalação de trilhos chegam a 36 meses. “O setor enfrenta série de restrições. É preciso cerca de oito anos para colocar uma linha em funcionamento”, contou. Ele espera que o governo se atente às questões da mobilidade urbana pelo modal.

Grava lembra que o fenômeno de urbanização começou a mudar a partir da década de 1950, com a chegada da indústria automobilística. “São Paulo chegou a ter 400 quilômetros de bonde e trens regionais. Mas faltou sensibilidade para o governo entender que era possível operar com todos os meios de transporte. Infelizmente acabaram optando pelo sucateamento do sistema sobre trilhos”, lamentou. Na avaliação dele, a retomada do setor, em 2007, com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), é tida como importante para o crescimento do país. “O transporte sobre trilhos economiza espaço, tempo e melhora o ambiente urbano”, defendeu.

Competitividade
Para o consultor Afonso Carneiro Filho, faltam iniciativas do próprio governo para que o setor ganhe fôlego e possa disputar mercado com outros setores, como o rodoviário. “Temos a Petrobras, que produz toneladas de asfalto para pavimentar ruas e avenidas. O setor metroferroviário não tem o mesmo incentivo na produção de trilhos”, explicou. A ausência de fabricação de trilhos leva os empresários à necessidade de importar a ferramenta - o que encarece o custo operacional e torna o segmento menos competitivo que o rodoviário.

Em contraponto, na avaliação do analista de Infraestrutura do Ministério das Cidades, Fernando Araldi, é importante não estabelecer competição entre os modais metroferroviário e rodoviário. “O que deve ser feito é uma integração. O metrô é o grande transportador de passageiros e os ônibus devem alimentá-lo, juntamente com as bicicletas”, avaliou. Ele ressalta que o sistema não é difícil de ser implantado, mas reconhece que ainda enfrenta falta de planejamento. “Estamos fazendo um projeto justamente para alavancar essa parte de gestão, que deve ser executado a partir do início do próximo ano”, afirmou.
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