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Diretora do FMI é indiciada na França por negligência em caso de arbitragem Christine foi interrogada pela instância habilitada para investigar os membros do governo por supostas irregularidades cometidas no exercício das funções

France Presse

Publicação: 27/08/2014 08:40 Atualização: 27/08/2014 12:54

Paris - Christine Lagarde foi indiciada pela justiça francesa por "negligência" na investigação de um polêmico caso de arbitragem privada, o que fragiliza sua posição de diretora gerente no FMI, mas ela já ressaltou que não pensa em renunciar ao cargo. Lagarde, cujo destino está nas mãos do Conselho de Administração do FMI, anunciou à AFP o indiciamento no caso de arbitragem, que aconteceu quando ela era ministra da Economia na França para encerrar uma disputa entre o polêmico empresário Bernard Tapie e o banco Crédit Lyonnais.

O Fundo Monetário Internacional manifesta apoio a Christine Lagarde (Gary Cameron/Reuters)
O Fundo Monetário Internacional manifesta apoio a Christine Lagarde

Procurada pela AFP para saber se pretende renunciar ao cargo no FMI, a ex-ministra da Economia francesa foi taxativa e disse "não". "Volto a trabalhar em Washington ainda nesta tarde", afirmou. Depois de informado sobre o indiciamento, o FMI afirmou que não tem "outro comentário" a fazer sobre acusação, que na França tem pena de prisão e multa de 15 mil euros.

"A diretora-gerente já fez declarações sobre o assunto. Viajou a Washington e evidentemente informará o Conselho de Administração (do FMI) o mais rápido possível", disse o porta-voz do Fundo, Gerry Rice. Em Paris, o governo socialista francês afirmou que a decisão de manter Lagarde na presidência do FMI cabe à instituição. Até agora, a direção executiva do FMI, que representa seus 188 Estados membros, manifestou sua "confiança" em Lagarde para desempenhar "eficazmente suas funções" apesar da instrução judicial em seu país de origem.

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Em 2011, Lagarde substituiu o francês Dominique Strauss-Kahn na presidência do FMI. Strauss-Kahn teve que renunciar ao cargo por causa de seu envolvimento em um escândalo sexual em Nova York. Lagarde foi interrogada na terça-feira por mais de 15 horas pelos magistrados da Corte de Justiça da República (CJR), instância habilitada para investigar os membros do governo por supostas irregularidades cometidas no exercício das funções. "A comissão de instrução da CJR decidiu por meu indiciamento com base em uma simples negligência", disse à AFP no escritório de seu advogado, Yves Repiquet.

Fraude em grupo organizado


"Depois de três anos de instrução e dezenas de horas de interrogatórios, a comissão se rendeu à evidência de que não fui cúmplice de nenhuma infração e se limitou a alegar que não teria sido suficientemente vigilante na arbitragem", acrescentou. "Pedi a meu advogado que apresente todos os recursos a esta decisão, que considero totalmente infundada".

A justiça investiga a sentença arbitral de 2008 que concedeu 400 milhões de euros a Bernard Tapie, sendo 45 milhões por danos morais, para acabar com uma longa disputa entre o empresário e o banco Crédit Lyonnais pela revenda da empresa de material esportivo Adidas. Cinco pessoas são acusadas de "fraude em grupo organizado", incluindo o próprio Tapie e o ex-diretor de gabinete de Lagarde quando ela era ministra da Economia e atual conselheiro delegado da empresa de telefonia Orange, Stéphane Richard.

Os juízes tentam determinar se a sentença foi resultado de um "simulacro" de arbitragem organizado com o aval do governo da época, quando Nicolas Sarkozy era presidente do país. Em 2013, a justiça considerou Lagarde testemunha assistida, uma figura judicial que fica entre a simples testemunha e a acusação. Desde então, o FMI manifesta apoio a sua diretora.

Lagarde sempre assumiu a responsabilidade da arbitragem e a decisão de renunciar ao pedido de sua anulação, alegando que eram diligências demoradas e caras para o Estado. Também desmentiu que tenha atuado por ordem de Nicolas Sarkozy, que queria conseguir o apoio de Bernard Tapie, ex-ministro de esquerda nos anos 1990.

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