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Economia fraca e inflação elevada não poupam o mercado de luxo Brasília perde espaço no radar das grandes marcas

Diego Amorim

Publicação: 03/09/2014 06:02 Atualização: 03/09/2014 10:15

'As pessoas ficaram com medo de gastar, porque encaram esses produtos como um supérfluo que pode ser adiado sem muito problema', Erico Pizzo, diretor da Vila Náutica (André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
"As pessoas ficaram com medo de gastar, porque encaram esses produtos como um supérfluo que pode ser adiado sem muito problema", Erico Pizzo, diretor da Vila Náutica


Com o consumo das famílias em baixa, até o mercado de luxo teve de descer do salto. O faturamento do segmento caiu em todo o país nos últimos dois anos e 2014 deve terminar com mais um resultado negativo, embora os empresários evitem assumir essa tendência oficialmente. A economia fraca e um pessimismo generalizado ajudam a explicar a queda nas vendas de artigos sofisticados, sobretudo em Brasília. Mesmo os consumidores mais endinheirados e estáveis andam retraídos.

Após esse mercado acumular saltos expressivos no Brasil — na casa dos dois dígitos —, puxados pela chegada de grandes marcas ao país, a euforia começou a minguar em 2012, quando se confirmou um desempenho 1,6% inferior em relação ao ano anterior. Sem poder de reação diante de uma conjuntura que freou a economia e inibiu a expansão dos negócios, o setor amargou mais uma retração em 2013, de 2,9%, segundo projeção da MCF Consultoria.

Para este ano, não se espera um cenário muito diferente. Está em curso, na opinião do consultor Alexandre Ayres, sócio da Neocom Informação Aplicada, uma deterioração “lenta e gradual” da perspectiva de vendas. “A crise estrutural afeta o poder de compra de todas as classes. Os mais ricos demoram a sentir esses efeitos e são os primeiros a se livrar deles, mas há uma queda geral no desempenho do consumo”, comenta.

Os números do setor indicam uma diminuição bastante significativa no apetite dos empresários. Brasília ainda é considerada uma cidade promissora para o segmento de luxo, mas deixou de ser o local onde as marcas mais pretendem investir fora do eixo Rio-São Paulo, superada por Curitiba. O percentual de empresas que gostariam de expandir seus negócios para a capital federal despencou de 37% para 14% nos últimos três anos.

A iniciativa privada desacelerou no Brasil como um todo. Com raras exceções, adiou projetos, reduziu gastos, contratou menos e se mantém à espera de dias melhores. O mercado de luxo, a despeito do glamour que a envolve, não escapou desse contexto. “A economia enfrenta um momento de incertezas, em que empresários e consumidores tendem a arriscar menos. É uma forma de precaução”, analisa o economista e consultor financeiro João Paulo Valli.

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Os produtos premium possibilitam uma maior margem de lucro, porém exigem maciços investimentos, principalmente em marketing. “Hoje, o que falta é justamente essa confiança para investir”, diz Valli. Mesmo em São Paulo, a capital brasileira do luxo, a proporção de empresas dispostas a abrir lojas na cidade caiu de 89%, em 2009, para 41%, no ano passado. No Rio de Janeiro, nem as Olimpíadas à vista impediram um recuo de 56% para 36% no mesmo período.

“Novo rico”

Por envolver menos consumidores, o segmento de luxo é essencialmente mais volátil e suscetível às movimentações do mercado. O fenômeno do “novo rico” — o brasileiro da classe média que viu o poder de compra disparar e em pouco tempo passou a consumir artigos sofisticados — acabou intensificando o impacto da atual conjuntura no faturamento das empresas. “Não se vende luxo apenas para rico. E o primeiro a cortar o consumo foi quem parcelava essas compras”, afirma Valli.

Em Brasília, a renda dos servidores públicos responde por 50% do dinheiro que circula na cidade. A força do funcionalismo é, portanto, fundamental para manter a dinâmica do mercado de luxo. Não à toa, grifes internacionais desembarcaram na cidade nos últimos anos e, apesar de algumas terem fechado as portas, a presença delas parece irreversível. “Brasília não tem uma parcela grande de pessoas muito ricas, como em São Paulo, mas a estabilidade tende a torná-la mais segura para investimentos”, pontua o consultor Alexandre Ayres.

O levantamento mais recente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) sobre o tema indica que a proporção de lares com renda superior a 20 salários mínimos — R$ 14,4 mil — não chega a 10% do total. “O mercado percebeu que houve um otimismo exagerado em relação ao consumo de luxo na cidade. Mas essa ideia já foi assimilada. Tanto é que não estamos vendo mais grandes movimentos de expansão”, analisou Ayres.

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