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BCE surpreende mercado e anuncia mais medidas para afastar deflação Para enfrentar as preocupações de que a zona do euro se encontra à beira de uma espiral de queda de preços, o banco cortou sua taxa básica de juros de 0,15% para 0,05%

France Presse

Publicação: 04/09/2014 17:18 Atualização:

Frankfurt - O Banco Central Europeu (BCE) surpreendeu nesta quinta-feira (4/9) os mercados financeiros com um novo corte na taxa de juros e outras medidas para afastar o risco de deflação na zona do euro. O anúncio levou o euro ao seu nível mais baixo em relação ao dólar nos últimos 13 meses, e provocou alta nas bolsas da Europa e dos Estados Unidos. Para enfrentar as preocupações de que a zona do euro se encontra à beira de uma espiral de queda de preços, o BCE cortou sua taxa básica de juros de 0,15% para 0,05%. A instituição também reduziu a taxa de depósitos bancário a -0,20% e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez a 0,30%.

Além disso, o presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou que comprará títulos lastreados em ativos (ABS) e que implementará um programa de compra da dívida privada para dar apoio ao mercado de crédito e a economia na zona euro. As duas medidas devem tomadas a partir do início de outubro, e os detalhes devem ser comentados na próxima reunião do BCE, no mesmo mês. Mas as medidas não devem parar por aí. "Se for necessário para afastar um período prolongado de baixa inflação, o conselho é unânime em seu compromisso de usar outros instrumentos não convencionais dentro do seu mandato", Draghi comunicou em coletiva de imprensa.

Muitos analistas estavam na expectativa de que o BCE promovesse uma política conhecida como "quantitative easing", medida radical que consiste na criação em larga escala de moeda para injetar liquidez na economia. Esse tipo de medida já foi utilizada por bancos centrais como o Federal Reserve. Draghi afirmou que esse tipo de medida foi discutida, mas que, em vez disso, o Conselho do BCE preferiu recorrer à compra de títulos lastreados. O BCE foi pressionado a agir depois que a inflação caiu para 0,3 em agosto em comparação ao 0,4% registrado no mês anterior.

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Os últimos dados apontam uma inflação mais baixa do que a meta do Banco Central abaixo dos 2,0%, levantando temores de que a zona do euro esteja próxima da deflação. A deflação consiste em uma queda generalizada de preços que faz com que empresas e consumidores adiem suas compras, reduzindo ainda mais a demanda e, consequentemente, os preços. Isso gera um movimento em espiral que pode resultar, por exemplo, no aumento do desemprego.

Apesar dos temores, há resistência à política de "quantitative easing" porque ela envolve a compra de títulos soberanos pelo BCE, o que muitos críticos -entre eles o banco central alemão- veem como um financiamento monetário, ou simplesmente consideram imprimir moeda para pagar a dívida dos países. E o BCE está expressamente proibido de fazer isso.

Sem unanimidade


Draghi revelou que as medidas de corte das taxas e de compra de títulos lastreados "não foram unânimes". Contudo, elas foram apoiadas por uma "confortável maioria", disse Draghi. De acordo com as últimas previsões do BCE, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro será de 0,9% em 2014 e de 1,6% em 2015. "Comparado com nossas projeções em junho, as projeções de crescimento real do PIB para 2014 e 2015 foram revisadas para baixo", disse Draghi.

O banco afirma que a inflação esperada para este ano é de 0,6%, mais baixa do que a de 0,7% prevista anteriormente. A inflação da zona do euro não pode ser resolvida somente com a política monetária. Os governos também devem fazer a sua parte, com reformas", insistiu Draghi. "Será muito difícil atingir a meta de inflação próxima de 2,0% baseando-se somente na política monetária. Também precisamos de crescimento", ressaltou Draghi. "Para isso, precisamos de outras coisas, como política fiscal e reformas estruturais, antes de tudo".

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