Com a estagnação do país em 2015, 1,2 milhão de pessoas serão demitidas

Taxa de desocupação subiu de 5,1% em fevereiro de 2014 a 5,9% no mês passado. Para as trabalhadoras, atingiu 6,9%. E chegou a 16,1% na faixa de 16 a 24 anos

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postado em 30/03/2015 06:41

Simone Kafruni

Último bastião do governo Dilma Rousseff, o baixo índice de desemprego não resistiu à estagnação do país e começou sua derrocada, em linha com todos os outros indicadores econômicos, que se deterioraram antes. O ano começou com demissões em massa e, até que termine, mais de 1,2 milhão de trabalhadores terão perdido seus empregos, conforme a consolidação de estimativas dos principais setores da economia. O nível de desocupação cresce assustadoramente no país, algo decorrente não só da Operação Lava-Jato e da suspensão de pagamentos da Petrobras a fornecedores, como quis minimizar o ministro do Trabalho, Manoel Dias, ao divulgar o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro. Os dados apontaram o fechamento de 84 mil postos de trabalho apenas no primeiro bimestre do ano.

 Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press


Desde o fim do ano passado, vários setores estão demitindo fortemente (leia quadro). Além das empresas vinculadas à Petrobras, o setor automotivo, a construção civil, os serviços, as mineradoras e as metalúrgicas também estão em maus lençóis por conta da fraca atividade econômica do país. Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ficou estagnado, com avanço de apenas 0,1%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2015, a perspectiva do mercado é de retração de 1,5%, enquanto o Banco Central estima queda de 0,5% no PIB.

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Os setores produtivos mais afetados pela conjuntura econômica iniciaram as demissões para cortar custos. A construção civil, que já demitiu 250 mil trabalhadores nos últimos cinco meses, deve fechar mais 300 mil postos em 2015, projeta o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-SP). O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada estima que, pelo menos, 20,1 mil trabalhadores de 38 empresas, em sete projetos da Petrobras, tenham sido demitidos nos últimos meses. Quase 2 mil mineradores perderam seus empregos. O setor automotivo, que já demitiu 12,4 mil pessoas em 2014, deve cortar mais 350 mil vagas. Apenas em fevereiro, o setor de serviços, o que mais emprega no país, fechou quase 200 mil postos de trabalho.

O setor de serviços foi o que mais dispensou em fevereiro, de acordo com o IBGE, com queda de 3,7% no número de empregados e dispensa de 165 mil pessoas. O auxiliar de cozinha Patricio Wanderson, de 26 anos, perdeu o emprego porque o restaurante em que trabalhava fechou as portas. Ozinelia Barros da Fonseca, de 49 anos, conta que a idade atrapalha a recolocação. “É mais uma barreira, como se a gente não tivesse mais utilidade. Fui caixa de supermercado, mas me demitiram quando acabou o contrato de experiência”, diz ela, que procura vaga desde outubro.

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Alziro
Alziro - 30de Março às 17:45
É triste tomar conhecimentos de previsão deste tipo, triste por que os primeiros que perdem o posto de trabalho com certeza são aqueles que mais precisam. É como dizem o dito popular a corda sempre arrebenta na parte mais fraca
 
Guilherme
Guilherme - 30de Março às 13:03
Não custando lembrar que ano passado o governo precisou de dinheiro além do que estava previsto no orçamento para pagar o Auxílio desemprego, ou seja, mais gente perdeu o emprego do que era esperado. Não é a toa que mudaram as regras e passaram a exigir 18 meses de trabalho (e não só 6) para pagar esse auxílio.
 
Waldo
Waldo - 30de Março às 10:00
Mas se esses 1, 2 milhão não procurarem emprego teremos um índice de desemprego sueco de 0% de desempregados. Parabéns ao governo que resolveu o problema tirando os miseráveis da contagem por meio de mentiras!!!
 
Guilherme
Guilherme - 30de Março às 13:08
É fácil manipular o atual índice de desemprego das camadas mais baixas dando Bolsas para elas, o problema é que a Classe Média (a de verdade, não essa criada pelo governo e que ganha R$ 200 por mês) já está começando a ser atingida pelo desemprego e ela não pode viver com Bolsas, aí não dá para esconder o desemprego pois eles vão continuar procurando.
 
Jean
Jean - 30de Março às 09:32
Este é o País do crescimento!!! Balela, conversa pra boi dormir a realidade é outra sentida por todos os Brasileiros povão de norte a sul!