Economia

Baixa confiança de consumidor prejudica lançamento e venda de imóveis

Associação afirma que houve redução de 19,8% nas vendas do quarto trimestre do ano passado em relação a 2014

Paulo Silva Pinto
postado em 22/02/2016 13:54
Associação afirma que houve redução de 19,8% nas vendas do quarto trimestre do ano passado em relação a 2014
São Paulo ; A baixa confiança dos consumidores e empresários está afetando fortemente o lançamento e a venda de imóveis no país, informou a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne as maiores empresas do segmento no país. Houve redução de 19,8% nas vendas do quarto trimestre do ano passado em relação a 2014, encerrando-se o ano com 25,6 mil unidades comercializadas. No número de lançamentos, porém, a queda foi ainda maior: retração de 29,6%, totalizando 17,8 mil novas unidades.

;Há um círculo vicioso. Com as perspectivas negativas para o crescimento do país, a oferta se ajusta para baixo. E, como o setor tem um peso muito grande na economia, isso ajuda a puxá-la para baixo;, afirmou Luiz Fernando Moura, diretor da Abrainc. A construção responde por 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Incorporadoras são as responsáveis pelos empreendimentos imobiliários, desde a compra do terreno e o projeto até a venda das uidades ; em alguns casos são construtoras também, em outros contratam o serviço.

A queda nos indicadores da Abrainc no último trimestre foi mais forte do que no restante do ano, comprovando que o país virou o ano com uma tendência de tombo no PIB ainda mais forte do que a verificada em meados de 2015. Na comparação anual, a redução foi de 15,1% nas vendas e de 19,3% nos lançamentos. Ambos os índices mostram queda drástica, mas, no caso dos novos empreendimentos, a freada foi ainda maior.

;Com os juros no nível em que estão, o aluguel acaba sendo uma boa alternativa no momento, quando se pensa exclusivamente do ponto de vista financeiro, sem levar em conta outros itens, como conforto para morar e segurança do investimento;, disse o economista Eduardo Zylbersztajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A instituição é responsável pelos indicadores da Abrainc.



Para o presidente da Setin Incorporadora, Antonio Setin, a drástica redução nos lançamentos vai ser muito sentida quando a retomada da economia vier. ;Faltará oferta e os preços vão subir muito;, afirmou. Moura confirma a expectativa. ;Nosso setor está acostumado com altos e baixos. Tradicionalmente, este seria um momento para comprar terrenos e estocar. Só que, com os juros no nível em que estão, quase ninguém está conseguindo fazer isso;, explicou.

O ciclo entre o lançamento e a entrega dos imóveis varia de três a quatro anos. Quando o PIB brasileiro crescia a altas taxas, na segunda metade de década passada, o preço dos imóveis subia entre 20% e 30% ao ano, em média, mas em alguns casos a taxas bem superiores. ;Isso atraiu também para o mercado muitos especuladores;, diz Moura. Com a estagnação dos preços, muitas dessas pessoas desistiram dos imóveis, provocando elevação no número de distratos. A Abrainc discorda do entendimento da Justiça, que obriga as empresas a devolverem a maior parte do valor pago às pessoas que desistem de ficar com os imóveis. Para a entidade, o correto seria que elas se encarregassem de vender os imóveis. ;A garantia de devolução eleva os custos do empreendimento, o que acaba por ser repassado a outros compradores;, explicou.

Pela primeira vez, a Fipe e a Abrainc anunciaram também o número de distratos no país: foram 12.850, elevação de 20,2% em relação aos três últimos meses de 2014. Mas esse número envolve a devolução de unidades lançadas em anos anteriores. Quando se observam apenas os distratos de imóveis vendidos no ano, a proporção caiu: de 4,4% do total em 2014 para 2,9% em 2015. No último trimestre de cada ano, a queda é ainda mais forte: de 2,4% para 0,1%. ;Isso mostra que os especuladores foram embora e sobraram as pessoas que realmente estão buscando imóvel para si. Alta do distrato não tem nada a ver com dificuldade de pagar, com inadimplência;, disse Setin.

O repórter viajou a convite da Abrainc

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