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Crise econômica afeta poupança e planejamento financeiro das famílias

A crise trouxe impactos relevantes à forma como os pais estão lidando com o dinheiro destinado aos filhos

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postado em 12/10/2016 07:00

Mesmo a mesada sendo um recurso tão importante para a educação financeira infantil, não são todas as famílias que aplicam a ideia em casa. Segundo pesquisa do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC Boa Vista) divulgada ontem, apenas dois em cada 10 pais aderem ao método. O número veio abaixo do esperado pelo economista da instituição Flávio Calife. “É reflexo de uma redução do próprio orçamento familiar”, argumentou.

A crise econômica trouxe impactos relevantes à forma como os pais estão lidando com o dinheiro destinado ao planejamento financeiro dos filhos. Apesar de 63% buscarem estimular a educação financeira na infância, 42% têm o hábito de poupar recursos para os filhos — número inferior ao observado na pesquisa anterior, em 2015. No ano passado, 45% dos responsáveis afirmavam reservar dinheiro para o futuro das crianças. Entre as pessoas consultadas, 60% afirmam que utilizariam parte dos recursos aplicados em uma eventual emergência financeira. Desses, 56% usariam todo o dinheiro investido.

Seja o dinheiro investido em poupança ou outros ativos, é fundamental que os pais se organizem financeiramente para não retirar recursos ou postergar as aplicações, recomenda a diretora de Previdência e Vida Resgatável da Mapfre Seguros, Maristela Gorayb. “É preciso organização para que os recursos permaneçam intactos. Cada aplicação deve ter um propósito”, disse.

Investimento

A professora Eliane Azevedo, 41 anos, aplica todos os meses R$ 100 na poupança de cada um dos três filhos desde o nascimento: Ana Júlia, 14, Maria Laura, 10, e Benício Luiz, 2. E garante que não toca nos investimentos. A intenção dela é aplicar os recursos até quando eles entrarem na faculdade e souberem o que fazer com o dinheiro. “Não sei o que pode ocorrer no futuro, então eu faço isso para uma questão de segurança em uma possível emergência”, afirmou.

Mãe de Miguel, 5, e Davi, 1, a profissional de recursos humanos Simone Leal, 30, reserva, no mínimo, R$ 50 todo mês para depositar na poupança de cada um. Os avós e familiares preferem contribuir com o investimento do que presentear as crianças com brinquedos ou outros objetos. “A ideia é permitir que utilizem em alguma emergência, ou em algo que queiram fazer no futuro, como dar entrada em um carro ou mensalidade da faculdade”, contou.

Para o presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos, é interessante que, nas mesadas, os pais dividam os recursos pela metade: uma para consumo e outra para realização de sonhos. “É importante que a criança não seja acostumada apenas a poupar, mas também a gastar.”

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