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'Influência do governo está mais velada, mas existe', diz especialista

Para Edmilson Moutinho, especialista em petróleo do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a influência do governo na definição do preço dos combustíveis continua, mas de forma mais velada

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postado em 15/10/2016 09:53

Agência Estado

Para Edmilson Moutinho, especialista em petróleo do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a influência do governo na definição do preço dos combustíveis continua, mas de forma mais velada.

O efeito da redução de preços no caixa da Petrobrás preocupa?

Em princípio, se a empresa está precisando de recursos, precisando vender ativos, essa medida não é favorável. Além disso, não pode se dizer que é um benefício para o consumidor essa redução, uma vez que uma queda de 3,2% (caso da gasolina, na refinaria) não faz grande diferença. O que vemos é que, quando o preço está muito acima do mercado internacional, como agora, o governo tenta compatibilizar a pressão política dos grandes consumidores.

A que o sr. credita essa decisão de reduzir preços?

A Petrobrás não define por conta própria, não é uma decisão independente do governo. É uma influência que pode ser mais ou menos velada. Na época da Dilma (Rousseff) era mais evidente. Agora, está mais velada, mas existe.

A posição de Pedro Parente é muito diferente da posição de presidentes do governo petista?

Esse é um lado negativo da mensagem passada com o anúncio. Mudou-se o grau, o valor, mas a ideia populista atrás da definição do preço da gasolina continua igual. Isso é lamentável Existe a influência do governo de forma populista e não estratégica, que é ditada pelos rumos das pressões políticas. Um dia são os grandes consumidores, amanhã são os produtores. Mas o tipo de prática continua a mesma.

E qual o efeito prático de se manter essa prática?

É o de afastar os investidores. Se amanhã o País quiser vender refinarias ou atrair interessados em novas refinarias, os investidores não vão querer entrar num mercado onde a definição de preços depende da boa ou má intenção do governo. A prática continua a mesma. Pelo menos agora não se dá redução de 30%, mas sim de 3%. Agora a ação é mais sutil.

O que esperar de revisões de preços no curto prazo?

As pressões continuarão. E se o governo tiver dificuldade em fazer andar a sua agenda positiva, é capaz de a demagogia voltar e começar a usar o mercado de combustíveis outra vez. É preciso tomar cuidado para que o governo não dê maus sinais, uma vez que a empresa precisa de recursos.

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