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Desemprego e juros altos levarão varejo a ter o pior resultado desde 2000

Em 12 meses, retração das vendas alcança 6,7%

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postado em 19/10/2016 06:05

Rodolfo Costa


O comércio continua no atoleiro e deve ter, neste ano, segundo estimativa de empresários, o pior desempenho desde 2000, quando teve início a atual série de dados elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, as vendas no varejo recuaram 0,6% em relação a julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pela instituição. O resultado foi ainda pior que o esperado pelo mercado, que previa queda de 0,5%. Para alguns analistas, é um sinal de que o setor ainda não atingiu o fundo do poço. Em comparação a agosto do ano passado, a retração é de 5,5%. Em 12 meses, de 6,7%.

A crise no varejo mostra a ruptura dos pilares necessários para um consumo pujante: inflação controlada, empregos e crédito acessível. Em agosto, os preços de produtos e serviços tiveram, em média, alta anual de 9%. A oferta de vagas continuou caindo, em meio às demissões no mercado de trabalho, e as instituições financeiras mantiveram os juros elevados e concederam menos empréstimos.

Com o poder de compra reduzido pela retração da massa de rendimentos e sem estímulo para contrair crédito, a tendência das famílias foi desembolsar a maior parte do salário apenas com itens básicos, destacou a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes. “As famílias estão procurando ajustar os orçamentos em patamares mais baixos, preterindo despesas que envolvam prestações elevadas e continuadas”, avaliou.

Dos oito segmentos do varejo pesquisados pelo IBGE, apenas o de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento: 0,8% em relação a julho. Nem mesmo o grupo de artigos farmacêuticos e medicinais, que também reúne itens básicos, se salvou, registrando queda de 2,1% nas vendas.

A advogada Alzira Cristina Rego, 42 anos, tem feito o possível para economizar. “Só dá para comprar o básico, ainda assim fazendo malabarismo com as contas”, reclamou. Ela conta que, nos últimos meses, precisou cortar produtos do carrinho do supermercado e só faz as compras com calculadora e lista na mão. “Caiu a qualidade e a quantidade de coisas que levo para casa. Fico de olho para comprar só o que realmente preciso”, contou.

O militar Robson Nóbrega, 44, teve uma surpresa desagradável na farmácia. Com toda a família gripada, ele precisou comprar remédios e os preços pesaram no bolso. “Até ficar doente está difícil. Gastei bem mais do que imaginei e nem comprei tudo. O jeito vai ser fazer uma sopa e tomar chás naturais para substituir os medicamentos que faltaram”, contou.

Fundamentos


O cenário do varejo é preocupante, segundo Isabella, do IBGE. Ela destaca que, atualmente, o setor opera em um patamar de vendas 12,9% abaixo do observado em novembro de 2014. E nem mesmo os indicadores de confiança das famílias, que mostram tendência de alta, são suficientes para sinalizar uma retomada. “É preciso recuperar a economia para materializar as expectativas em consumo”, enfatizou.

Entre os fundamentos necessários para o consumo, a inflação é o que vem tendo comportamento mais favorável. Em setembro, o custo de vida no país caiu para 0,08%, o menor nível para o mês desde 1998, um sinal de que os preços estão perdendo força diante da recessão e da melhora das condições climáticas, que favorecem o aumento da oferta de alimentos.

Pelo lado do crédito, o provável corte da taxa básica de juros (Selic) a ser anunciada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central , é outro fator que pode ajudar os segmentos mais dependentes de empréstimos. No entanto, a decisão por si só pouco ajudará, alerta o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes. “Mesmo que a redução seja integralmente repassada às taxas cobradas dos consumidores, elas continuarão acima de 70% ao ano. Não haverá efeito a curto prazo. O mais importante será a sinalização de tendência de queda”, frisou. Já o mercado de trabalho deve ser o último dos pilares a reagir à uma retomada da economia, ressaltou Bentes.

 

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