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Em Brasília, de 22 postos de gasolina, só dois oferecem desconto ao cliente

Aumento do etanol e recomposição da margem de distribuidoras e postos são citados como motivo da queda dos valores nas refinarias não ter chegado às bombas. Em Brasília, de 22 estabelecimentos pesquisados, só dois reduziram preços. Em cinco, houve alta

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postado em 21/10/2016 06:00

Simone Kafruni

André Violatti/Esp.CB/D.A Press


Uma semana depois de a Petrobras anunciar a redução nos preços da gasolina, em 3,2%, e do óleo diesel, em 2,7%, nas refinarias, pouco mudou nas bombas de postos por todo o país. Pelo contrário, o que se viu foi que, além de não baixar, o preço dos combustíveis subiu em algumas regiões. A justificativa da maior parte dos sindicatos de combustíveis é que o etanol sofreu reajuste.

Como a composição da gasolina, no Brasil, leva 27% de etanol anidro, o custo maior de um produto teria neutralizado a queda do outro. O aumento maior, no entanto, foi do etanol hidratado, o biocombustível de cana-de-açúcar que vai direto da bomba para os tanques de carros a álcool ou flex. A desculpa não explica por que os preços do diesel também não sofreram redução.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo, o preço do etanol hidratado nas usinas paulistas disparou 7,33% nesta semana, de R$ 1,76 para R$ 1,88 o litro. O valor do anidro avançou 3,06%, de R$ 1,96 para R$ 2,02 o litro. Os dois chegaram aos patamares mais altos do ano. O setor sucroalcooleiro está em período de entressafra, com menor oferta de produto, o que elevou os preços.

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, refuta a ideia de que o aumento do etanol anidro, sozinho, tenha peso para anular a queda dos preços praticados nas refinarias. “O anidro representa 27% da gasolina, ou seja, menos de um terço”, disse. Pelos cálculos da Petrobras, a redução, se fosse repassada na íntegra aos consumidores, seria de 1,4% na gasolina e de 1,8% no diesel, representando queda de R$ 0,05 por litro nas bombas dos dois combustíveis. “Mesmo que a redução seja pequena, o aumento do anidro ainda equivale a apenas 27% dos R$ 0,05”, insistiu.

Elizabeht explicou que há muitos agentes na cadeia de combustíveis e a alta do etanol pode estar servindo de justificativa para postos e distribuidoras aumentarem sua margem de lucro. “A verdade é que ninguém quer assumir a culpa por não haver redução nas bombas”, admitiu.

O fato é que, por todo o Brasil, os consumidores, que esperavam um alívio no bolso, ficaram frustrados. Em Brasília, segundo levantamento feito pelo Correio em 22 postos, cinco elevaram os preços e apenas dois reduziram, enquanto o restante manteve os valores. Na grande maioria dos postos de combustíveis da capital mineira, os preços continuam os mesmos da semana passada, antes do anúncio da Petrobras.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), até o momento não houve redução por parte das distribuidoras, responsáveis por levar o combustível da refinaria às revendas. Um empresário, dono de três postos de gasolina em Belo Horizonte, disse que as duas distribuidoras que atendem os seus estabelecimentos apontaram que houve reajuste no valor do álcool anidro, que, no último mês, encareceu 14%.

Sem maiores explicações, o preço do diesel também permaneceu o mesmo. “Esperamos que nos próximos dias as distribuidoras reduzam o valor, pelo menos do diesel. Não vejo justificativa para o preço do combustível não cair. Esse é um momento em que a redução pode incentivar o consumo”, disse o empresário mineiro.

O Minaspetro argumentou que o anúncio da Petrobras coincidiu com o início da entressafra de cana. O presidente do sindicato, Carlos Guimarães Jr., em nota, ressaltou que os empresários do setor não querem ser os vilões. “Como revendedor, fico indignado de, mais uma vez, pagar a conta perante o consumidor em virtude dos altos preços praticados pelas distribuidoras”, disparou.

Pelo país

No interior de São Paulo, o Procon de Franca apurou que houve aumento de 8,98% no valor do etanol nas últimas semanas e manutenção dos preços da gasolina. Em Campinas, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo da Região, além de não ter tido queda na gasolina, o etanol hidratado ficou R$ 0,12 mais caro por conta do fim de safra.

Os postos de Poços de Caldas (MG) aumentaram os preços em vez de reduzir, conforme pesquisa do Procon local que aponta aumento de 0,99% na gasolina aditivada e 1,66% na comum. Já o etanol sofreu reajuste de 11,41% e o diesel comum subiu 0,20% naquela cidade.

Em Porto Alegre e região metropolitana, não houve qualquer alteração, assim como em São Luís do Maranhão e todas as capitais do Nordeste. Em Santa Catarina, dois sindicatos já anunciaram que não haverá redução de preços dos combustíveis. A justificativa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina (Sindipetro) e do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Litoral Catarinense e região (Sincombustíveis) é a mesma: a culpa é do etanol.

Sem repasse

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) apurou queda nas vendas de combustíveis de 12,7% de janeiro a agosto de 2016 na comparação com igual período de 2015. Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), como o consumo despencou por conta da recessão, e a redução dos preços nas refinarias anunciada pela Petrobras é pouco relevante, de apenas R$ 0,05 por litro, a queda anunciada pela Petrobras não foi repassada para ampliar a margem de lucro dos empresários do setor. “Talvez os postos ou as distribuidoras estejam absorvendo a redução para ampliar seus lucros”, avaliou.

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