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Gasto de brasileiros no exterior volta a crescer e chega a R$ 1,29 bilhão

Crescimento dos gastos ajuda a aumentar o deficit na conta de viagens internacionais aferida pelo BC, que leva em conta, ainda, as despesas de turistas estrangeiros no país

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postado em 26/10/2016 06:00 / atualizado em 26/10/2016 23:56

Rodolfo Costa

Os brasileiros estão, aos poucos, retomando as viagens e as compras em outros países. Em setembro, os gastos das famílias no exterior somaram US$ 1,29 bilhão, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), um crescimento de 2,77% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi a segunda alta consecutiva nessa base de comparação, após 18 meses consecutivos de queda. Segundo analistas, o principal motivo é queda do dólar, que torna mais barato, em reais, o preço de passagens aéreas, hotéis e outros produtos. A cotação média da moeda norte-americana, em setembro, foi de R$ 3,256, valor 16,4% mais baixo que em mês correspondente de 2015.

O crescimento dos gastos ajuda a aumentar o deficit na conta de viagens internacionais aferida pelo BC, que leva em conta, ainda, as despesas de turistas estrangeiros no país. No acumulado do ano, entretanto, a valorização do real ainda não foi suficiente para mudar a tendência dos últimos meses. De janeiro a setembro, os gastos feitos por brasileiros lá fora, de US$ 10,48 bilhões, recuaram 25,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No período, a média do dólar foi de R$ 3,554, cotação 12,4% superior à dos nove primeiros meses de 2015.

Para especialistas, as despesas de brasileiros  em outros países deve continuar aumentando. O analista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, destaca, porém, que a tendência é que a recuperação seja gradual. “Não será um movimento rápido em virtude de um câmbio excessivamente alto do início do ano, que prevaleceu até meados de maio”, destacou Campos Neto. No cenário político, as reformas articuladas pelo governo no Congresso elevam o otimismo dos agentes econômicos e consolidam uma trajetória favorável para a valorização de ativos, ambiente que abre espaço para que o dólar se mantenha em queda.

Campos Neto, entretanto, reforça que o ambiente doméstico ainda é desafiador e, portanto, os gastos serão retomados em uma dinâmica mais lenta. “Uma das variáveis mais relevantes para demanda é a renda interna. Nesse caso, o cenário ainda se mostra bastante negativo. Com um quadro de desemprego alto e rendimentos em queda real, tudo sugere que a recuperação das despesas no exterior vai ser gradual, sem uma retomada de volumes tão fortes como há dois anos.”

Receita menor

Segundo o Banco Central, em outubro, até o dia 21, os brasileiros gastaram lá fora US$ 1,045 bilhão. No fechamento do mês, em 2015, os desembolsos totais foram de US$ 1,008 bilhão. Nas contas do chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária, Tulio Maciel, as despesas podem subir até 50% neste mês. Além da perda de força do dólar, ele avalia que a confiança das famílias ajuda a explicar o aumento dos gastos. “Os indicadores de confiança nos últimos três ou quatro meses mostraram reação positiva, ainda que estejam em níveis historicamente reduzidos. Isso contribui para que os brasileiros programem  mais viagens”, avaliou.

 

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