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Energia, tarifas e impostos freiam queda da inflação

Embora mantenha tendência de queda, custo de vida pode ter redução mais lenta do que o previsto por conta de fatores como aumento das contas de eletricidade, elevação de tributos estaduais e reajuste de preços do transporte urbano

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postado em 07/11/2016 06:00 / atualizado em 08/11/2016 00:22

Antonio Temóteo

Ir ao cinema ou levar a família para comer uma pizza no fim de semana se tornou um luxo para o motorista Alberto Bastos, 51 anos. Casado e pai de uma filha, ele abriu mão do lazer para colocar comida em casa. As compras mensais no supermercado e na feira, que custavam, em média, R$ 530 durante o ano passado, dispararam para R$ 650 em 2016. Uma alta de 22,6%. Com isso, Bastos teve de cortar o que não era extremamente essencial. “Tudo está mais caro. O único jeito de economizar é deixar de sair com tanta frequência”, lamenta.

Assim como Bastos, milhões de brasileiros têm sofrido com a escalada nos preços de produtos e serviços em meio à mais longa recessão da história do país. Para piorar a situação, os reajustes salariais são cada vez mais magros e a renda dos trabalhadores tem encolhido. E o que parece uma contradição — já que a teoria econômica ensina que, em períodos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), a carestia tende a dar trégua — virou uma realidade no Brasil. Mesmo com a redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao longo do ano (veja arte), o ritmo está aquém do necessário para dar um alívio no bolso da população e para acelerar o processo de corte da taxa básica de juros (Selic).

A situação fica mais dramática com o aumento dos riscos para a queda da inflação. Na última ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em 18 e 19 de outubro, o Banco Central (BC) apontou uma série de fatores que, em tese, poderiam favorecer o combate à carestia. O primeiro foi a mudança na política de preços de combustíveis. O BC citou ainda a possibilidade de reduções de tarifas de energia elétrica em algumas regiões e a perspectiva de adiamento de reajustes do transporte urbano em algumas cidades.

O único risco apontado pela autoridade monetária foi o de reajustes acima do esperado nos custos da energia elétrica ao longo de 2017, em decorrência, entre outros fatores, de mudança na bandeira tarifária. De lá para cá, porém, a situação só piorou.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alterou a bandeira de verde para amarela em novembro diante da seca no Nordeste, o que encarecerá o custo da eletricidade já este ano. Nas contas da economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, a medida adiciona 0,11 ponto percentual à inflação de novembro e deve impactar as estimativas do mercado. “Tudo isso são riscos à inflação do ano que vem, e o BC precisa monitorar os preços sensíveis à atividade econômica. Teremos surpresas pelo caminho”, alerta. Além disso, a mudança na política de subsídios da Petrobras às distribuídoras de gás pode elevar o preço do botijão ao consumidor.

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