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Novo chefe de Estado alemão é um crítico de Donald Trump

A chanceler teve que aceitar o candidato do SPD, seu sócio minoritário na coalizão, por não conseguir convencer um nome de seu próprio grupo a suceder Joachim Gauck, que ter mandato até em março de 2017

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postado em 14/11/2016 13:07 / atualizado em 14/11/2016 13:52

TOBIAS SCHWARZ

Berlim, Alemanha - A coalizão de governo da Alemanha designou nesta segunda-feira como próximo chefe de Estado do país o atual ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, um social-democrata que se destacou pelas fortes críticas a Donald Trump, futuro presidente dos Estados Unidos.

Após semanas de bloqueio, a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel e sua ala bávara, a União Social Cristã (CSU), decidiram finalmente dar apoio ao candidato do Partido Social-Democrata (SPD).

A chanceler teve que aceitar o candidato do SPD, seu sócio minoritário na coalizão, por não conseguir convencer um nome de seu próprio grupo a suceder Joachim Gauck, que ter mandato até em março de 2017.

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Gauck, um ex-dissidente da RDA comunista (Alemanha Oriental), de 76 anos, decidiu que não voltará a se candidatar ao cargo.

A tradição política na Alemanha determina que os partidos da coalizão no poder busquem um consenso sobre um candidato comum para o cargo de presidente, que é essencialmente protocolar.

Steimeier, 60 anos, é a personalidade política mais popular da Alemanha, de acordo com as pesquisas, e poderia até ofuscar a chanceler Angela Merkel, que certamente será candidata a um novo mandato como chefe de Governo em setembro de 2017.

Conhecido por sua sinceridade, Frank-Walter Steinmeier - que será eleito em 12 de fevereiro de 2017 pelos parlamentares alemães - fez duras críticas a Donald Trump.

- Trump "pregador do ódio" -


As críticas não foram feitas apenas durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos, quando chamou o magnata de "pregador do ódio", mas inclusive depois da vitória do republicano.

Steinmeier disse que espera tempos "mais difíceis" no plano internacional e se recusou ostensivamente a felicitar o republicano por sua vitória.

O presidente do SPD comentou a missão que aguarda Steinmeier no próximo ano, ante a ascensão dos movimentos populistas.

"O próximo presidente de nosso país tem a responsabilidade de defender os valores liberais, sociais e democráticos de nossa Constituição" afirmou  Sigmar Gabriel.

"Preservar estes valores é, sem dúvida, o maior desafio de nossa época", completou.

Steinmeier é o chefe da diplomacia do governo Merkel desde 2013. Ele pode ser substituído no cargo pelo presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, de acordo com a imprensa germânica.

Com ele, a Alemanha terá um presidente mais flexível ante a Rússia que a chanceler Merkel. Steinmeier, que encarna um tipo de diplomacia que deseja preservar o diálogo com o Kremlin, não hesitou em criticar política que considerou muito belicista da Otan em relação a Moscou.

"O que devemos evitar hoje é envenenar a situação com gritos de guerra e barulhos de botas", afirmou há alguns meses.

Formado em Direito, Steinmeier iniciou a carreira política à sombra de seu mentor Gerhard Schröder, com o qual foi chefe de gabinete da chancelaria.

No cargo, participou na elaboração de reformas econômicas, criticadas pela esquerda radical como geradoras de pobreza, mas consideradas por outras pessoas como a origem da boa saúde econômica da Alemanha.

Depois de um primeiro período como ministro das Relações Exteriores, de 2005 a 2009, Steinmeier não teve condições de virar uma alternativa à chanceler depois de sofrer uma dura derrota nas legislativas de 2009, quando foi o primeiro nome da lista do SPD.

Pai de uma adolescente, ele se afastou da vida pública por alguns meses em 2010 para doar um rim a sua mulher, gravemente doente.

Por France Presse
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