BC age, mas escalada no preço do dólar afeta viagens ao exterior

Desde a vitória do republicano, a divisa norte-americana já encareceu quase 9% no mercado brasileiro

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postado em 15/11/2016 09:07 / atualizado em 15/11/2016 09:25



O nível de incerteza da economia global após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos continua a afetar o preço dos ativos no Brasil e deixa o governo em estado de alerta. Com a escala do dólar pelo quarto pregão consecutivo — a moeda fechou ontem em alta de 1,43%, cotada a R$ 3,441 — o Banco Central (BC) anunciou que amanhã aumentará o nível de intervenção no mercado. Serão ofertados 30 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda futura de US$ 1,5 bilhão às instituições financeiras. Não estão descartados novos leilões ao longo do dia.

A venda de novos contratos de swap tradicional pode elevar o estoque desse instrumento, que têm altos custos para a autoridade monetária. O total estava em US$ 24 bilhões antes da eleição de Trump. Desde a vitória do republicano, a divisa norte-americana já encareceu quase 9% no mercado brasileiro.

Antonio Cunha/CB/D.A Press


Além da ação do BC, o Tesouro Nacional informou que, diante “da forte volatilidade observada no mercado desde o resultado das eleições nos EUA”, fará programa de leilões diários de compra de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) com vencimentos em 1/1/2021, 1/1/2023, 1/1/2025 e 1/1/2027. Os leilões serão realizados em 16, 17 e 18 de novembro.

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Tesouro ressaltou ainda que cancelou os leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de NTN-F marcados para a próxima quinta-feira. Segundo o órgão, tanto o cancelamento dos leilões quanto as compras de papéis têm por objetivo “fornecer suporte ao mercado de títulos públicos, garantindo o bom funcionamento desse e de outros mercados correlatos”.


Juros

Trump promete reduzir impostos e aumentar os gastos públicos para reanimar a economia norte-americana. A política fiscal expansionista implicará pressões inflacionárias. Com a expectativa de alta de preços, o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, terá de subir juros para combater a inflação. O mercado apostava em mais uma alta de juros em dezembro e duas ao longo de 2017. Com a eleição do magnata, os analistas estimam que haverá três elevações no próximo ano. Além disso, Trump quer subir aliquotas de importação, o que prejudicará o comércio internacional. }

Diante dessas perspectivas, os investidores tiram dinheiro do Brasil e voltam a aplicar em ativos da maior economia do mundo. Os recursos que deixam o país pressionam a cotação do dólar. Além da influência do cenário externo, os investidores temem a volta da crise política ao Brasil, diante de novas denúncias da Operação Lava-Jato.

O mercado ainda aposta que a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) continuará volátil, mesmo com com a alta de 0,80% verificada de ontem, após quatro sessões de queda. O Ibovespa, principal índice de lucratividade do pregão, chegou a cair 1,45% e a atingir a máxima de 1,31%, em um dia de forte oscilação. O resultado positivo foi impulsionado pela valorização das ações de empresas siderúrgicas. Relatório de um banco estrangeiro estimou que o preço do aço pode subir 20% por ano ao longo dos próximos cinco anos caso Trump promova pesados investimentos em infraestrutura nos EUA.


As ações preferenciais da Gerdau dispararam 10,40%, enquanto as da Gerdau Metalúrgica tiveram valorização de 7,41%. Além disso, as preferenciais da Usiminas tiveram alta de 7,65% e as ordinárias da CSN subiram 5,18%. Já o valor dos papéis preferenciais da Vale aumentou 4,70% e os ordinários tiveram ganho de 1,85%. Apesar dos resultados positivos, a maioria das ações negociadas na Bolsa caiu de preço.

Intervenções A perda do valor de ativos brasileiros é potencializada pelos problemas domésticos, explicou o economista da Tendências Consultoria, Sílvio Campos Neto. Ele ressaltou que a vitória de Trump evidenciou dificuldades para o país sair da crise fiscal e voltar a ser atrativo para investimentos. Campos Neto disse ainda que a atuação do BC no mercado cambial não é exagerada. “Os valores dos ativos brasileiros não estavam adequados aos fundamentos. Tanto é que quem ganhou com essa valorização recente tende a ser o primeiro a pular do barco”, destacou.

Já o professor Roberto Ellery, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que o BC tomou a decisão errada. Ele lembrou que a venda de swaps cambiais foi usada pelo BC na gestão do ex-presidente da instituição, Alexandre Tombini, e teve custo fiscal elevadíssimo. O economista destacou que as intervenções deveriam ocorrer somente em momentos de ataque especulativos.

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