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Especialista acredita que incertezas globais podem comprometer economia

Para ele, o Executivo tem acertado na condução das políticas econômica e monetária do país, mas o otimismo com a recuperação se transformou em preocupação após a eleição de Donald Trump.

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postado em 28/11/2016 06:00

Antonio Temóteo , Enviado Especial

Antonio Temóteo/CB/D.A Press


São Paulo – Do 12º andar de um edifício na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP), Marcello Mello, vice-presidente de Investimentos, Vida e Previdência da SulAmérica, comanda uma equipe responsável por gerir R$ 33 bilhões de ativos próprios e de clientes. Todos acompanham com lupa o que o governo tem feito para reequilibrar as finanças públicas e os imbróglios que resultaram na queda de seis ministros da gestão de Michel Temer como presidente da República. Para ele, o Executivo tem acertado na condução das políticas econômica e monetária do país, mas o otimismo com a recuperação se transformou em preocupação após a eleição de Donald Trump.

Mello destaca que ninguém sabe o que, de fato, ocorrerá com a economia mundial no próximo ano e os desdobramentos para o Brasil. Além disso, ele está alerta ao crescimento, que tende a ser menor do que o esperado em 2017, diante da falta de previsibilidade e das incertezas. A SulAmérica estima que a economia deve crescer apenas 0,8% e as concessões só devem decolar após uma queda considerável dos juros. “Os investidores institucionais estão machucados com investimentos de longo prazo”, comenta.

O mercado estava excessivamente otimista com a recuperação do país?
O mercado estava otimista e isso se refletiu na valorização dos ativos. O mercado já colocava no preço um endereçamento da reforma da Previdência diante do forte alinhamento do Executivo com o Legislativo. Isso caiu bem para o mercado. Os sinais que o presidente da República, Michel Temer, passou até aqui, de uma preocupação muito forte com a articulação política, ajudaram.

O BC ajudou nesse processo de euforia?
A ortodoxia do Banco Central também ajudou bastante. O presidente Ilan Goldfajn tem sido muito comedido na condução da política monetária, tentando passar um sinal claro do caminho a ser seguido para não surpreender o mercado. Aí o mercado ganhou confiança. Fomos ajudados por fluxo forte de recursos. Os emergentes também foram beneficiados nos últimos cinco meses por um fluxo de recursos considerável. As expectativas de inflação mais comportadas para 2017 também fizeram com que o mercado projetasse uma taxa básica de juros (Selic) até menor do que o BC tinha nas suas projeções.

A eleição de Donal Trump foi um divisor de águas?
Pouca gente esperava por isso. A gente achava que a Hillary Clinton ia ganhar. Nos dias subsequentes à vitória dele, o mercado consolidou uma visão menos ortodoxa do próximo presidente norte-americano. Ele deu alguns sinais como o fim de acordos comercias, um pacote expansionista de infraestrutura e a redução de imposto de renda para a pessoa física e para pessoa jurídica. O mercado foi entendendo melhor e a gente começa a ver um começo de saída de fluxos dos emergentes para os países desenvolvidos. Isso fez com que o dólar se valorizasse. Se antes o mercado projetava uma Selic de 10,50% ao ano para 2017, ajustou para 11% ou 11,50%.

Quais são os riscos com a vitória de Trump?
O fato é que a gente sabe que o partido republicano, independentemente de ser o Trump, é expansionista. Isso sugere por si só um dólar mais forte. Mas o Trump veio com discurso fiscal muito forte. Reduzir o imposto de pessoas jurídicas de 35% para 15% é uma tacada. E isso vai fazer com que o endividamento público nos Estados Unidos suba e o Banco Central norte-americano terá de ser mais ortodoxo ainda do ponto de vista de taxa de juros. Com isso, a visão do investidor internacional muda. Se ele tem um juro americano mais forte, por que correr riscos nos mercados emergentes? O apetite para risco diminui. A verdade é que ninguém sabe, de fato, o que vai acontecer em 2017. Nos próximos quatro meses, os gestores ficarão mais comedidos na assunção de risco.

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