Especialistas recomendam não deixar declaração do IR para a última hora

Quanto mais se adia o preenchimento e se deixa para os últimos dias, crescem os riscos de o contribuinte errar e ter o informe retido por irregularidades, na malha fina

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postado em 17/04/2017 12:41 / atualizado em 17/04/2017 12:44

Hugo Gonçalves/Esp. CB/D.A Press
Declarar o Imposto de Renda anual é uma tarefa que deve ser realizada calmamente. Com pressa, de jeito nenhum, dizem os especialistas, porque há grandes chances de a declaração enviada na última hora ir parar na boca do Leão. Ficar retida na tão temida malha fina. O tempo urge. A cerca de duas semanas do fim do prazo estipulado pela Receita Federal — até o último minuto do próximo dia 28 — aproximadamente 11,4 milhões de documentos já foram encaminhados ao Fisco. A expectativa é de receber algo em torno de 28,3 milhões de informes do IR neste ano.

A tributarista Vânia Labres, do Tocantins, lembra que este ano o contribuinte ficou com dois dias a menos para fazer o informe, já que o período legal, geralmente, ia até 30 de abril. “Às vezes, só se percebe a falta de um documento às vésperas do fim do prazo. O ideal é ir separando a documentação ao longo do ano, porque, chega agora, tem tudo arrumadinho numa pasta”, sugere.

Vânia alerta que quanto mais se adia o preenchimento e se deixa para os últimos dias, crescem os riscos de o contribuinte errar e ter o informe retido por irregularidades, na malha fina. Muitos erros são cometidos ao listar despesas médicas, deduzir dependentes fictícios, omissão de rendimentos ou pela ausência de um número após a vírgula, lembra a contadora, que é membro do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). “A empresa informa que você recebeu R$ 78.560,30 e você escreve R$ 78.560, sem a casa após a vírgula. A declaração vai ser retida”, explica.

Outra situação comum é a empresa informar ao Fisco que pagou um valor diferente daquele repassado ao contribuinte. No batimento dos dados, o documento fica preso até a comprovação. “Vivemos hoje um big brother fiscal”, diz a tributarista, em referências às dezenas de filtros e fontes a que a Receita Federal tem acesso para checar as informações dos contribuintes. “Você compra ou vende um imóvel, a imobiliária e também o corretor enviam a Dimob (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias). Vai ao médico ou ao dentista, ao psicólogo, e eles informam seu CPF, ou seja, não tem como correr do Fisco”, exemplifica.

A especialista explica que a não entrega da declaração no prazo gera multa de 1%, com teto de 20% do imposto devido, ou mínimo de R$ 165,74. Se deixar de prestar contas ao Leão, o contribuinte fica impossibilitado de obter visto para viagens ao exterior, financiamento habitacional, além de ter dificuldades para aprovação de contrato de aluguel e pode ter o CPF suspenso.
 

Correção pela Selic é atrativo 

Se, para grande parte dos contribuintes, a entrega de última hora da declaração de Imposto de Renda ocorre por falta de tempo ou desorganização, para alguns a postergação é proposital. O servidor público George Chaves, 32 anos, não faz questão de receber restituição nos primeiros lotes, pelo contrário, entrega sempre no fim do prazo para lucrar.

“Vejo o atraso como uma forma de investimento. Como a restituição para as últimas declarações também fica para os lotes derradeiros e a correção é feita pela Selic, acaba rendendo mais do que outras aplicações financeiras, como a poupança ou um título de renda fixa privado”, explicou. Atualmente, a taxa básica de juros está em 11,25% ao ano, enquanto o rendimento da poupança fica em 6% mais TR (Taxa Referencial) e o do CDB (Certificado de Depósito Bancário) representa uma fração da Selic. “É por isso que acho bem mais interessante do que me apressar”, conclui Chaves.

Encaminhar no início do prazo para receber a restituição do IR nos primeiros lotes “é mais para quem tem dívidas, precisa logo do dinheiro, o que não é o meu caso”, afirmou Chaves, que faz as contas na ponta do lápis. Com dois dependentes e outras deduções legais, ele não tem dúvidas de que terá devolução. A restituição será feita em sete lotes, de junho a dezembro, segundo o Fisco.  

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