"Governo gasta muito e investe de menos", afirma ministro do Planejamento

Ao defender a reforma previdenciária, Dyogo de Oliveira destaca que gasto com benefícios e aposentadorias para este ano chegam a R$ 720 bilhões. Enquanto isso, investimentos, somam R$ 40 bilhões

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postado em 21/04/2017 12:11 / atualizado em 21/04/2017 14:06

Juan Guerra/Divulgação
 
 
Foz do Iguaçu (PR) — O ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, reconheceu que o governo gasta muito mal. Ele afirmou que governo destina 55% das despesas totais apenas com a previdência pública e privada, cifra que gira na casa de R$ 720 bilhões no Orçamento deste ano. Enquanto isso, os investimentos públicos previstos em 2017 somam apenas R$ 40 bilhões. “Estamos gastando demais e investindo de menos”, pontuou Oliveira, lembrando que as despesas com educação ficam na casa de R$ 120 bilhões e, com a saúde, de R$ 115 bilhões e são bem menores que os gastos com aposentadorias e pensões.
 
  
Na avaliação de Oliveira, a estratégia do governo para a retomada do crescimento são as reformas estruturantes, principalmente, a da Previdência, como forma de reduzir o crescimento da dívida pública e fazer com que o país consiga sair um deficit fiscal em torno de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para voltar a ter superavit de 2,5% do PIB, taxa necessária para que a dívida pública se estabilize. Ele destacou que, além da aprovação da emenda constitucional que criou o teto dos gastos públicos, o compromisso do governo será em aprovar as reformas da Previdência e Trabalhista e avançar na agenda microeconômica, melhorando o ambiente de negócios.
 
“O governo tem uma estratégia bem definida sobre a retomada do crescimento, em para isso, é preciso criar condições para a volta da confiança na economia e que o crédito aumente”, disse o titular do Planejamento para uma plateia de empresários e autoridades no seminário “As ações necessárias para retomada do crescimento brasileiro”, no 16° Fórum Empresarial, organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em Foz do Iguaçu, na manhã desta sexta-feira (21/04), um ano após a aprovação, em primeiro turno, do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff.
 
A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, destacou a mudança do comportamento dos investidores desde a troca de governo. Segundo ela, no início do ano passado, a maior preocupação deles era se o país iria dar calote em função do ritmo acelerado da dívida pública em frente às incertezas na política e na economia e que contribuíram para a perda do grau de investimento do país. “A estabilização das contas públicas é o alicerce para que o país comece a fazer as reformas estruturais. Estamos falando de um governo com diagnósticos claros e na direção correta”, avaliou Zeina no evento do Lide. Ela concordou com o ministro do Planejamento sobre a importância da aprovação da reforma da Previdência porque o governo está gastando mal o dinheiro público e afirmou que, “se não for possível ter uma educação adequada, o crescimento do país no longo prazo também será comprometido”.
 
No entender de Zeina, para que o país avance na agenda do crescimento, é preciso reduzir a insegurança jurídica, que torna o país sensível a choques inflacionários.  “A agenda microeconômica é importante também para destravar a atividade porque tem impacto na macroeconomia”, disse ela, lembrando que a indústria é o setor mais impactado por essa insegurança jurídica e pela elevada carga tributária que compõem o Custo Brasil. A economista criticou políticas públicas que subsidiam empresas pequenas pouco produtivas e defendeu a revisão de investimentos públicos que não dão retorno na economia. “É preciso parar de proteger a ineficiência. O país está cheio de empresa ineficiente e de investimentos ineficientes do governo”, ressaltou.
 

Otimismo

Ao abrir o evento, o presidente do Lide, Luiz Fernando Furlan, demonstrou confiança no avanço da agenda de reformas propostas pelo governo para ajudar o crescimento do país, citando dados das previsões macroeconômicas do Itaú-Unibanco, que espera expansão de 4% no PIB e inflação de 4%, algo que ele não se lembra de ter visto. “Quero dizer que há muitas razoes para o otimismo”, disse.
 
O economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Roberto Paes de Barros, destacou que o país atravessa um processo de transição extremamente rápido e que o bônus demográfico, de aproximadamente 65 milhões de pessoas sem dependentes, termina em 2030, quando o país voltará a ter o cenário da década de 1970, com um trabalhador para um dependente. “Até 1990, a maioria de dependentes eram crianças, mas a partir de 2030, serão idosos”, destacou. Ele lembrou que, nos últimos anos, a escolaridade do brasileiro melhorou, mas isso não representou crescimento. “Não conseguimos converter educação em escolaridade e, educação de melhor qualidade ajuda a acelerar o crescimento da economia e da renda per capita”, destacou.
 
Cristina Palmaka, presidente da SAP, lembrou que, apesar dos dois últimos anos de recessão, a companhia continua investindo no país, pois não viu a crise porque apostou na diversificação da empresa, que entrou na área de armazenamento em nuvem. “As empresas seguem investindo em economia e inovação”, disse. Ela ressaltou que o investimento em tecnologia muitas vezes ajuda a empresa a reduzir custos fixos, como inventário, o que, em momento de crise ajuda na melhoria da saúde financeira da empresa e ajuda na modernização para aumento de produtividade.
 
O presidente do Conselho de Administração da CVC, Guilherme Paulus, elogiou a mudança na legislação que vai permitir a entrada de capital estrangeiro de até 100% nas companhias aéreas.  “Isso vai permitir a ampliação de voos charter e do turismo no país”, afirmou ele, lembrando que Foz recebeu um milhão de turistas no ano passado.
 
Entre os palestrantes, o mais aplaudido foi o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que defendeu a votação das reformas pelo Congresso Nacional, apesar do “ônus político”, pois, caso contrário, “o discurso populista voltará”. 
Outro político aplaudido em pé pelos 400 participantes do seminário em Foz foi o prefeito de São Paulo, João Dória Jr. (PSDB), e criador do Lide. Ao fazer uma saudação quebrando o protocolo do evento, defendeu a aprovação das reformas pelo Legislativo. “É hora de os empresários aprovarem as reformas. E é impossível que a minoria ruidosa se sobreponha à maioria silenciosa”, disse. “A falta de apoio pode ser o remorso de amanhã”, emendou.
 
Ao criticar a possível volta do PT ao poder em 2018, o tucano disse o PT não sabe fazer gestão com transparência, e chamou a administração petista de “descalabro”. Ele disse que não vai se calar diante da perspectiva de volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não vou me calar”, disse. “Não falo como candidato a presidente, mas como brasileiro e preciso me manifestar abertamente”, completou Dória Jr.

* a jornalista viajou a convite do Lide 
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walter
walter - 23 de Abril às 13:33
propor mudanças no codigo penal brasileiro, acabar com muitos partidos, diminuiçao de deputados e senadores em 60 por cento federal estadual e municipal tambem (vereadores) so receberem seus salarios sem adicionais, plano de saude somente enquanto deuputado senadores etc, e funcionario publicos aposentarem pelo teto da previdencia (mudança para todos os Brasileiros ) direitos e deveres iguais., cobrar os maiores devodores da previdencia ( e admitir que o maior culpado pelos problemas da previdencia é o proprio governo ) com verdades chega de mentiras