JBS também é investigada por criadores de gado norte-americanos

Irmãos Joesley e Wesley Batista estão "refugiados" nos Estados Unidos

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postado em 10/06/2017 08:00

Os donos da JBS são alvo não somente de consumidores brasileiros que boicotam as marcas do grupo J&F, como Friboi, Seara, Havaianas, Massa Leve e Vigor, entre outras, após a delação premiada que atingiu o governo de Michel Temer. Os irmãos Joesley e Wesley Batista também terão que lidar com denúncias feitas por criadores de gado norte-americanos ao governo dos Estados Unidos, onde a família está “refugiada” com aval da Justiça brasileira.


A Ranchers-Cattlemen Action Legal Fund, United Stockgrowers of America (R-Calf-Usa), que se denomina “a maior associação de comércio de gado nos Estados Unidos”, enviou, no último dia 7, uma carta de 11 páginas ao presidente Donald Trump solicitando “uma investigação completa e uma ação rigorosa em matéria de fiscalização antitruste na sequência do desdobramento de denúncias de corrupção contra a JBS”.

O documento também foi encaminhado ao presidente do Comitê Judicial do Senado, Charles Grassley, ao procurador-geral, Jeff Sessions, e ao secretário de Agricultura, Sonny Perdue. A entidade acusa o frigorífico brasileiro de violar as regras antitruste e de adotar comportamentos ilegais “que ameaçam a segurança alimentar doméstica”.

A R-Calf também informou, ontem, que fez uma denúncia ao Departamento de Agricultura dos EUA contra a JBS e a Cargill, que vendeu sua unidade de suínos para o frigorífico brasileiro. Nessa denúncia, as duas empresas são acusadas de se envolverem em “conduta imprópria, prejudicando agricultores familiares e fazendeiros”. A entidade afirma ainda que a JBS manipulou os preços no mercado bovino entre 2015 e 2016.

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Procurada, a JBS não comentou o assunto. Fontes do mercado contam que o constrangimento dos donos já é visível em solo americano. A matrícula de um dos filhos de Joesley teria sido recusada em uma famosa escola de Nova York, a Avenue, que custa US$ 45 mil por ano.  “A imagem do grupo está bastante prejudicada no Brasil e no exterior, mas o pior serão os processos dos acionistas minoritários nos EUA, que devem começar em breve”, alertou José Carlos Hausknecht, sócio da MB Agro.

Enquanto as denúncias contra a JBS aumentam, crescem as dificuldades financeiras do grupo que fechou um acordo de leniência com o Ministério Público para pagar uma multa de R$ 10,3 bilhões em 25 anos. A companhia chegou a reclamar que estava sofrendo “retaliações” do governo nas negociações de empréstimo com a Caixa Econômica Federal. Em nota, a Caixa negou a informação. “As análises e posicionamentos no âmbito da Caixa situam-se exclusivamente na esfera técnica e buscam preservar, sempre e apenas, o interesse da instituição”, afirmou.
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