DF tem mais de 80 oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência

Ofertas são para todos os níveis de ensino. Segundo especialistas, a chave para conseguir logo uma delas é investir na capacitação profissional, pois, em tempos de recessão econômica, o tempo de procura pode ser maior

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postado em 20/06/2017 06:02 / atualizado em 20/06/2017 08:12

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

As empresas brasilienses estão ofertando mais de 80 vagas para pessoas com deficiência (PCDs), segundo pesquisa realizada pelo Correio no Portal do Trabalhador do Governo do Distrito Federal e em sites de recrutamento de recursos humanos. Há oportunidades para todos os níveis de escolaridade. Mas, segundo especialistas, a chave para conseguir logo uma delas é investir na capacitação profissional, pois, em tempos de recessão econômica, o tempo de procura pode ser maior.


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De acordo com a Lei nº 8213/91, toda empresa de grande porte deve integrar ao seu corpo de funcionários uma cota de pessoas com deficiência. Apesar das garantias previstas na legislação, a auxiliar de vendas Elaine Afonso, 36, conta que não foi fácil conseguir emprego. “Fiquei 40 dias em casa. Achei que, por existir a Lei de Cotas para Deficientes, arrumaria um emprego mais rápido. Mas foi difícil. Pra quem depende do salário e não tem outro tipo de renda, um mês é muito tempo”, afirmou Elaine, recém-contratada pela Brasal Refrigerantes.

Divino dos Anjos perdeu um dedo aos 16 anos de idade. Trabalhando na área financeira da Brasal, ele diz que se sente valorizado no mercado de trabalho. “É importante quando a empresa se prontifica a pensar no funcionário”, afirma. A lei exige que a empresa com 100 ou mais funcionários tenha um mínimo de 2% de trabalhadores com deficiência. Se tem de 201 a 500 funcionários, a cota da empresa é de 3%. E, se tiver mais de 1.001 colaboradores, deve ter 5% de PCDs.

Segundo o gerente corporativo de Gestão de Pessoas da Brasal, Carlos Cavalcante, a experiência da empresa com PCDs vem sendo muito positiva. “Não achávamos ninguém para ocupar cargos como analista de TI (Tecnologia da Informação) sênior ou auxiliar administrativo, então, firmamos uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que seleciona os futuros candidatos PCDs e os treina para desempenhar os cargos em vacância. Depois do treinamento, de um a dois anos, esses PCDs vêm para a empresa, trabalhando como auxiliares e assistentes, para irem ganhando capacidade técnica. E quando surgiam as oportunidades internas, nós chamamos os profissionais de acordo com sua capacitação. Hoje de 97 profissionais PCDs que nós temos na empresa, 75 ocupam funções específicas”, explicou Cavalcante.

Obstáculos


A inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, contudo, ainda enfrenta obstáculos. “Vemos tanto o problema da falta de formação dos profissionais como o preconceito. Alguns empregadores acham que uma pessoa com deficiência não é capaz de assumir determinados postos de trabalho”, relata a coordenadora do Programa Senai de Ações Inclusivas no Distrito Federal (PSAI-DF), Ana Luíza Brito.

O Senai atua nas duas frentes: oferece condições de acessibilidade às pessoas com deficiência em todos os seus cursos de capacitação, incluindo desde softwares e equipamentos até intérpretes de Libras e consultoria para adequação de currículo, ao mesmo tempo em que promove o diálogo com as empresas. “A deficiência é só um detalhe. Todos nós temos limites, ritmos e prontidões diferentes. Respeitada em seus limites, a pessoa com deficiência é uma profissional como qualquer outra. As pessoas com síndrome de Down, por exemplo, são excelentes para funções repetitivas e terminam este tipo de função muito rapidamente. São extremamente focadas. É uma virtude que elas têm”, ensina.

Uma boa dica para quem quer aumentar as chances de ingressar no mercado é ter atenção às oportunidades de participação em programas de aprendizado. “Esses programas não exigem limitação máxima de idade para as pessoas com deficiência que, após o treinamento, podem ser contratadas pela empresa. Além disso, aquelas que têm direito ao Benefício da Prestação Continuada (BPC) não precisam abrir mão do recurso enquanto estiverem na condição de aprendizes”, recomenda Ana Luíza.



* Estagiárias sob supervisão de Odail Figueiredo.
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