Arrecadação soma R$ 97,6 bilhões e tem pior desempenho para maio desde 2010

A entrada dos tributos relacionados à produção continua em queda dando sinais de que a economia ainda não saiu da recessão

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postado em 20/06/2017 10:19 / atualizado em 20/06/2017 18:02

A arrecadação de tributos federais encolheu 0,96% em maio na comparação com o mesmo período de 2016, para R$ 97,7 bilhões, o pior resultado para o mês em sete anos. Em 2010, a Receita Federal registrou o recolhimento R$ 97,5 bilhões, o mais baixo dado desde então. O desempenho ficou abaixo das estimativas do mercado. A mediana das previsões computadas pelo Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, era de R$ 103,2 bilhões.

A entrada dos tributos relacionados à produção continua em queda dando sinais de que a economia ainda não saiu da recessão. As estimativas do setor para o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição sobre o Lucro Líquido (IRPJ-CSLL) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) despencaram 13,5% e 18,5%, respectivamente.

“A arrecadação reflete a atividade econômica, respeitada o movimento da cadeia produtiva e a base tributária”, destacou o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias. Ele informou ainda que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre não está sendo refletido na receita com tributos. “O efeito na arrecadação será mais tarde e mais devagar. O crescimento do PIB foi puxado pela agricultura, que não é altamente tributado, assim como as exportações, que são desoneradas de tributos”, avisou o técnico, antecipando que, hoje à tarde, o Ministério do Trabalho deverá anunciar “leve aumento” nos dados emprego.

No acumulado do ano, o Fisco contabilizou R$ 544,5 bilhões, dado que, descontada a inflação do período, teve uma variação real de apenas 0,35% em relação aos R$ 519,1 bilhões registrados de janeiro a maio de 2016. “Os indicadores macroeconômicos ainda sinalizam um quadro recessivo na economia, com produção encolhendo 0,58% e a venda de bens em trajetória negativa no período acumulado de 2,98%”, avisou Malaquias. “Isso são sinais de que o consumo, grande fonte de geração de receita ainda está em trajetória descendente”, afirmou ele, ressaltando que a massa salarial está em queda de pouco mais de 3%. “Isso tudo impactou o inicio de ano que apesar dos sinais positivos, que são insuficientes para mudar a trajetória do período”, avaliou.
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