Presidente da Eletrobras chama funcionários de 'vagabundos' e 'inúteis'

O presidente da Eletrobras Wilson Ferreira Júnior chamou de vagabundos servidores da empresa. A fala foi gravada e provocou uma paralisação na empresa. Ele se retratou em vídeo

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postado em 23/06/2017 12:58 / atualizado em 23/06/2017 16:13

MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

 
Em uma polêmica conversa com sindicalistas, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que a companhia tem 40% de chefes "inúteis" e "vagabundos". As declarações geraram mal-estar na empresa e motivou uma paralisação de 24 horas dos funcionários. A conversa foi gravada em áudio, e gerou um pedido de desculpas de Ferreira Júnior (leia abaixo). 

A reunião com os representantes de sindicatos teria ocorrido no sábado 17/6, com o objetivo de discutir um corte de 11 mil cargos no quadro da empresa. “E lá em cima, na cabeça. São 40% da Eletrobrás, 40% de cara que é inútil, não serve para nada, ganhando uma gratificação, um telefone, uma vaga de garagem, uma secretária. Vocês me perdoem. A sociedade não pode pagar por vagabundo, em particular, no serviço público”, declarou Wilson Ferreira.
 
O presidente da companhia continuou dizendo que a Eletrobras está cheia de “safados” nos setores de gerência ganhando altos salários. “Lá, tem muito mais gerentes do que devia. E nós temos um monte de safados, lamentavelmente, que ganha 30, 40 pau. Está lá em cima, sentadinho”, completou. 

Plano de cortes


Um plano de cortes pretende reduzir o número de postos de trabalho de 23 mil para 12 mil na Eletrobras. A intenção é vender 6 mil distribuidoras e lançar um plano de incentivos ao desligamento de 5 mil unidades.

Na reunião, Ferreira Júnior buscava convencer os sindicalistas de que as propostas apresentadas por eles beneficiariam um grupo de funcionários privilegiados. O presidente argumentou que as reivindicações e as melhorias apresentadas pelos representantes sindicais não atingiriam “os demais funcionários”.

"Expressões rudes"


Em nota, a Eletrobras afirma que “o presidente da empresa reconhece que usou algumas expressões rudes em áudio divulgado pelos sindicatos. Por isso, fez questão de gravar um vídeo interno para todos os colaboradores da empresa, esclarecendo a situação e pedindo desculpas”. 
 
 

No entanto, a empresa alega que as gravações realizadas pelos sindicalistas foram retiradas de contexto. “Cabe esclarecer, porém, que os áudios foram tirados do contexto. O presidente estava apresentando aos sindicatos a reestruturação da companhia, com o respectivo corte de cargos comissionados, o Plano de Aposentadoria Extraordinária, a privatização das distribuidoras e um futuro Plano de Incentivo ao Desligamento, quando o Centro de Serviços Compartilhados estiver implementado”, completa a empresa pública.

Ainda segundo a Eletrobras, o presidente da organização se posicionou de forma mais “veemente” diante de fraudes nas catracas e ações “inaceitáveis” por parte de funcionários. “Durante a exposição, em que os sindicatos ameaçaram entrar na Justiça contra as privatizações e se mostraram contrários ao plano de desligamento voluntário para o CSC, o presidente elencou diversas situações inaceitáveis dentro de uma empresa do porte da Eletrobras, como falta de comprometimento de alguns gerentes, descaso com as metas da companhia e, até mesmo, fraudes envolvendo o sistema de catracas, que registram o ponto”, destaca a nota.

Além de se revoltarem com as declarações, os funcionários também fizeram uma paralisação reivindicando a participação no lucro de R$ 6,4 bilhões, referentes ao ano de 2016. A Eletrobras informou que tem até 31 de dezembro para efetuar esses pagamentos e está definindo o calendário de repasses.

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Vaneide
Vaneide - 23 de Junho às 21:29
O cargo que ele ocupa é comissionado, porque isso?