Dona de casa sustenta os filhos com R$ 935 por mês em Ceilândia

Maria Jacielda de Oliveira vem para Brasília fugindo da miséria e acaba abandonando os estudos para cuidar do filho com necessidades especiais

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postado em 25/06/2017 08:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 
A família da dona de casa Maria Jacielda de Oliveira, de 39 anos, é um retrato dos entraves que impedem a acensão social da população carente do país. Até a adolescência, ela vivia em casa com os pais, no interior de Pernambuco. O orçamento familiar era apertado e o trabalho na roça não era suficiente para colocar comida na mesa todo os dias. As mazelas fizeram com que ela viesse sozinha para Brasília, com apenas 15 anos. O sonho de estudar e conquistar o sucesso profissional, porém, foram interrompidos pela gravidez precoce, aos 16 anos de idade.

O primeiro filho, Jeferson Oliveira, 22, nasceu com hidrocefalia, que é o acúmulo de líquido nas cavidades internas do cérebro, e com a Síndrome de Marfan, uma doença genética que afeta o tecido conjuntivo, prejudicando regiões como a dos olhos e dos ossos e a audição. A pessoa portadora dessa rara enfermidade costuma ter membros e dedos mais alongados. O tratamento pode ajudar, mas não há cura. Os problemas de saúde levam Jeferson a precisar da mãe para realizar tarefas simples, como se alimentar. Maria também é mãe de Jedson Oliveira, de 11 anos.



Maria Jacielda vive com um orçamento apertadíssimo. Ela não tem conseguido trabalhar por que está com depressão, e a família sobrevive com a aposentadoria especial de Jeferson, que recebe R$ 935,00 do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). No entanto, todos os meses, ela retira R$ 300 desse valor para comprar os remédios do filho mais velho que não são fornecidos pela rede pública de saúde. Sobra muito pouco para a alimentação e as despesas da humilde casa da pernambucana em Ceilândia.

“Quando eu cheguei a Brasília tinha muitos sonhos, queria melhorar de vida. Mas muitas coisas aconteceram: a gravidez, o abandono da escola na 5ª série e os problemas de saúde do meu filho. Há oito anos, me divorciei e tenho que cuidar de tudo sozinha. Meus pais também não concluíram os estudos na juventude, pois tinham que trabalhar. Acredito que, se tivesse terminado o ensino médio, teria uma condição de vida melhor”, afirma.

Para o governo, a família de Maria Jacielda não se enquadra nas regras para ser atendida por um programa de transferência de renda. Nas diversas vezes que procurou um centro de referência em atendimento social, a dona de casa teve o pedido de acesso ao programa Bolsa Família negado.

Esperança

O filho mais novo, Jedson, é o orgulho da casa e a esperança de Maria para dias melhores no futuro. Ele está no sexto ano do ensino fundamental — uma série à frente dos demais colegas da mesma idade — e fica ansioso quando chega o horário da escola. O garoto sonha em ser jogador de futebol.

“Ele mesmo arruma as coisas dele na hora de ir para a aula. Faz todos os trabalhos e exercícios que os professores passam. Neste ano, ficou dez dias internado, perdeu trabalhos. Mas, quando chegou em casa, colocou tudo em dia, sozinho”, conta Maria. “Eu não quero que ele tenha a mesma vida que eu levo hoje. Estudando, sei que ele vai viver melhor. Meu sonho é ver ele se formar, fazer uma faculdade”, completa.
 
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