Produção de frango movimenta a economia do Brasil e do Distrito Federal

No ano passado, DF produziu 142,9 mil toneladas e exportou 51,5 mil. Apenas as vendas externas renderam R$ 303,6 milhões

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postado em 26/06/2017 06:00 / atualizado em 26/06/2017 09:06

Ed Alves/CB/D.A Press


Com preço relativamente barato, qualidade nutritiva e facilidade para o preparo, o frango é uma opção do consumidor brasileiro que dispensa apresentações. O Brasil é o segundo maior produtor mundial da proteína, posição que é resultado da eficiência em manejo e da tecnologia genética das granjas. Além do mercado doméstico, o frango nacional é consumido em 150 nações, o que faz do país o maior exportador global da ave desde 2004.

 

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A produção de frango tem papel importante na economia do Distrito Federal. A capacidade produtiva do DF e do entorno é de 365 mil frangos por dia. No ano passado, foram produzidas 142,9 mil toneladas no DF, das quais 51,5 mil toneladas foram exportadas. Foi gerada uma receita de R$ 303,6 milhões, somente com as exportações.


Cerca de 200 produtores locais trabalham pelo sistema de integração com as empresas Seara e Bonasa. Por meio desse sistema, o produtor entra no negócio com a granja e a infraestrutura das instalações, equipamentos, aquecimento e mão de obra, enquanto a integradora (o frigorífico de maior porte) fornece os pintinhos, a ração, os medicamentos e a assistência técnica, sendo responsável também pelo abate e pela comercialização das aves. Os contratos podem ser feitos para a produção de frango de corte, que chega à mesa dos consumidores, ou para a produção de ovos férteis, destinados a outras granjas. Nos dois casos, a integradora fica com toda a produção. A remuneração é calculada de acordo com a eficiência produtiva.

 

 

 

A grande vantagem para os produtores em firmar esse tipo de contrato é que o capital de giro do negócio é da integradora, o que elimina a participação do produtor na hora da venda da produção local. “Quando o produtor faz o contrato de parceria com a integradora, toda a produção fica com a empresa. O produtor não fica mais preocupado com a comercialização”, explica o avicultor Fernando Cezar Ribeiro, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do DF e presidente da Associação Brasileira dos Avicultores Integrados (Abai).

 

Ovos férteis 


Ribeiro tem quatro granjas de frango, localizadas nas fazendas Santa Fé, Santa Bárbara e Lagoinha, onde desenvolve a avicultura em 18 galpões de 2 mil metros quadrados cada, com capacidade para 25 mil aves por galpão. O avicultor firmou contrato de integração para realizar as atividades de produção de frango de corte e de ovos férteis. Na integração, ele recebe pintinhos com um dia de vida, ração e medicamentos, e devolve frangos com idade média de 44 dias, prontos para o abate. Em cada ciclo de produção, com duração de cerca de 60 dias, são criados 450 mil animais, volume que, ao ano, chega a 2,7 milhões.

 


A produção de ovos férteis é feita em dois núcleos. Ribeiro recebe as galinhas com 23 semanas e elas permanecem na granja até completar 68 semanas. Nesse período, cada matriz coloca 186 ovos, em média. A produção chega a 17 milhões de ovos por ano e é entregue à integradora com as galinhas.

Eficiência 


A eficiência produtiva de cada galpão vai definir a remuneração dos avicultores. Ela é também proporcional aos recursos aplicados. Fernando Ribeiro investiu cerca de R$ 800 mil na montagem de cada galpão, um local que exige infraestrutura e ambiente adequado para o desenvolvimento das aves. Cada galpão é forrado com um substrato de palha de arroz, que serve como “cama” para os frangos e evita o contato com o piso de cimento, muitas vezes frio. A infraestrutura inclui controle de temperatura e de luz, presença de nebulizadores e de exaustores, além da limpeza e da higienização.

 


Quando as aves chegam aos três quilos, são coletadas pelas integradoras e vão para o abatedouro. Os cálculos para a remuneração consideram a produção, mas também os índices de mortalidade, taxa de conversão e ocorrência de doenças, entre outros. “Após a entrega de cada lote, é feito novamente todo um tratamento para receber o próximo, com limpeza e desinfecção do local”, conta Ribeiro.

Nova lei


A Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) possui a Comissão Nacional de Aves e Suínos, que tem como objetivo promover políticas públicas e desenvolver os dois setores. Formada por lideranças dos principais estados produtores de aves e suínos, a comissão lutou pela aprovação da Lei 13.266, conhecida como Lei da Integração, sancionada em maio de 2016. A regra dispõe sobre os contratos de integração nas atividades agrossilvipastoris, estabelece obrigações e responsabilidades gerais para os produtores integrados e os integradores, institui mecanismos de transparência na relação contratual, cria fóruns nacionais de integração e comissões para conciliação, respeitando as estruturas já existentes.

 


Victor Aires, assessor técnico da CNA, acredita que a nova lei contribuiu, de forma decisiva, para a diminuição da insegurança jurídica quanto aos contratos de integração e, consequentemente, da relação conflitante entre as empresas, com maior poder econômico, e os produtores. Ele conta que a lei estabeleceu mecanismos de transparência nas relações contratuais e instituiu um canal de diálogo paritário e de conciliação de conflitos, por meio da criação da Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação de Integração (Cadec), em cada unidade de integração. “Além disso, a lei disciplinou a divisão de riscos inerentes à atividade, fazendo com que o produtor e a indústria respondam conjuntamente pelos riscos, como a ocorrência de um surto sanitário ou um passivo ambiental. Antes a responsabilidade era somente do produtor”, explica o técnico.

 

 

Preço baixo

A Lei da Integração abriu um leque para a negociação de preços entre a indústria e o produtor. A fixação de valores mínimos pagos vem causando frustração nos criadores. Fundada em 2013, a Associação Brasileira dos Avicultores Integrados (Abai) busca maior equilíbrio no comércio do setor. “Queremos tornar a nossa relação com as empresas mais igualitária, com uma remuneração mais adequada e justa para os produtores”, afirma o presidente da entidade sediada em Brasília, Fernando Cezar Ribeiro. Das granjas Ribeiro, o quilo do frango sai por apenas R$ 0,22.

 

 

 

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