Área plantada de girassóis cresce no Distrito Federal e no país

Flor é usada para ornamentação, mas, principalmente, na produção de alimentos para consumo humano e animal

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postado em 03/07/2017 06:01 / atualizado em 06/07/2017 09:33

Ed Alves/CB/D.A Press

O girassol encanta. E não é somente porque sua flor acompanha a trajetória do sol, do nascente ao poente, nem apenas  pelos tons entre amarelo e laranja que conferem às pétalas beleza ímpar. Ornamentação é um dos usos da flor. Mas, por trás de tanta exuberância, existe uma indústria. As sementes podem ser consumidas diretamente por pássaros e por seres humanos ou ser usadas como matéria-prima para a fabricação de biodiesel e de óleo de cozinha, além de outros usos na indústria alimentícia e de ração animal. A flor serve, ainda, de fonte de pólen para que as abelhas produzam mel de qualidade.

A área cultivada de girassol no Brasil é de cerca de 100 mil hectares. A produtividade média da cultura está em torno de 1.593kg/hectare, enquanto, na região Centro-Oeste, chega a 1.500kg/hectare, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Embora o Distrito Federal não tenha tradição de cultivo, agricultores locais estão descobrindo o potencial dessa cultura e a rentabilidade que o negócio pode gerar.

A lucratividade foi o fator determinante para que o responsável técnico pela fazenda Arábica, William Thomas, optasse pelo girassol como cultura secundária, que ocupa 500 hectares da propriedade de 1.050 hectares, no núcleo rural Tabatinga, em Planaltina, localizada a cerca de 60km de Brasília. A produção é totalmente direcionada para a alimentação de pássaros, sendo que todo o processo de colheita, limpeza, secagem e armazenamento é feito em uma fazenda local, um negócio de família que já dura mais de uma década. Dono de marca própria de alimentos para aves, a Mainha, Thomas se encarrega também da distribuição do produto, embalado em sacos de 500 gramas, para estabelecimentos do Distrito Federal e da região Nordeste.
 
 

O processo de plantio do girassol até chegar ao consumidor final tem sido um negócio com excelente retorno para Thomas. As chuvas de abril, segundo ele, foram muito boas para a plantação. A produtividade deve ficar entre 1.000kg e 1.500kg/hectare, para a safra que será colhida no fim de julho. Ele já conta com um sistema de compra futura, fornecendo sementes para que dois produtores locais cultivem girassol, sociedade que pode ser estendida a outros agricultores no próximo ano. “Meu maior objetivo com o cultivo de girassol é a rentabilidade. Vamos analisar se vale a pena continuar com a parceria, firmando-a com outros produtores, ou se é melhor aumentar a nossa própria área de cultivo”, explica.

Na produção de alimentos para pássaros, o produtor compra um tipo especial de semente (grãos rajados de preto e branco), fornecida pelas empresas Atlântica e Advanta. Líder mundial em sorgo e girassol, a Advanta Sementes é uma multinacional de origem indiana. A subsidiária brasileira distribui sementes para cerca de 50 países. Victor Di Batista, representante da empresa no DF e região, explica que os agricultores locais estão conhecendo, cada vez mais, o potencial do girassol, principalmente na sua utilização como alimentos para pássaros. “É um mercado interessante e que remunera muito bem o produtor”, diz.

Semente especial para o Brasil

A área cultivada de girassol no Brasil é de cerca de 100 mil hectares e ainda tem muito espaço para crescer, segundo avaliação de Regina Villas Boas de Campos Leite, do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Londrina (PR). A pesquisadora argumenta que o plantio de girassol é uma ótima opção na rotação de culturas, contribui para a ciclagem de nutrientes e para a sustentabilidade do agronegócio. “O Brasil ainda tem condições de aumentar bastante a área. A cultura é uma excelente opção na segunda safra, ou safrinha, podendo ser plantada após a colheita do milho ou da soja. E é bastante tolerante à seca, sendo que 400 milímetros de chuva são suficientes para garantir uma boa safra”, disse.

O desenvolvimento da cultura de soja no Brasil passa pela pela pesquisa, informação e suporte tecnológico. A Embrapa detém toda a tecnologia para o sistema de produção de girassol no cerrado. Em 2018, a empresa vai oferecer ao produtor brasileiro o híbrido BRS 323, um material genético de ciclo precoce (tem ciclo vegetativo de 100 dias), com potencial de produtividade de 1.800kg por hectare e teor médio de óleo de 42%, desenvolvido especificamente para o clima e condições do solo brasileiro. “O material genético é 100% nacional e único com resistência a nematoides (pragas e parasitas que atacam plantas e solos). Ele vai poder competir com os híbridos da Argentina, de onde o Brasil importa material genético”, explicou o engenheiro agrônomo da Embrapa Cerrados, Renato Fernando Amabile.

Na área de flores ornamentais, a Embrapa realizou também pesquisas para a produção de girassol colorido, com pétalas de tonalidades diferentes do tradicional amarelo. O resultado do estudo foi o surgimento de versões do girassol nos tons avermelhado, ferrugem e amarelo-limão.



Óleo

O principal produto do girassol é o óleo comestível. Por ano, o Brasil consome 85 mil toneladas e produz 39 mil, 45,9% do total. A diferença, de 46 mil toneladas, é importada da Argentina e do Paraguai. O produto tem forte apelo  — apresenta excelente qualidade para o consumo por ser rico em ácido graxo linoleico, que pode auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares. Além disso, o preço está na faixa intermediária, entre o óleo de canola, mais caro, e o de soja, mais barato. O consumo interno do óleo de girassol vem crescendo no Brasil, em média, cerca de 5% ao ano.

O cultivo de girassol em áreas rurais do DF para a produção de óleo comestível ainda é um negócio pouco explorado. As indústrias de processamento estão concentradas nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, maiores produtores do país. A distância entre a indústria e o local de cultivo dificulta a logística de distribuição, encarece o preço do frete e inviabiliza o negócio. A unidade de Itumbiara (GO) da empresa paulista Caramuru Alimentos processa 100% do girassol que compra na região Centro-Oeste. A indústria tem capacidade para processar 100 mil toneladas de óleo de girassol por ano. Atualmente, processa 40 mil toneladas por ano, o que aumenta a oferta para a expansão de produtores do DF. “A empresa tem oito pontos de recebimento somente no estado de Goiás. Na unidade de Itumbiara, o óleo vegetal é extraído, refinado, acondicionado nos vasilhames e distribuído ao mercado interno, já com a marca Sinhá”, explica o diretor de Originação, Davi Depinê. 
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