IPCA recua 0,23% e Brasil registra a primeira deflação em 11 anos

Taxa de queda é a menor desde 1998 e foi uma surpresa positiva que reforça as apostas de nova queda de 1,0 ponto percentual

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postado em 07/07/2017 09:36 / atualizado em 07/07/2017 11:33

A forte recessão dos últimos anos no país, o desemprego elevado e a safra de alimentos extremamente favorável neste início de ano, contribuíram para queda da inflação em junho pela primeira vez em 11 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,23% e ficou abaixo do 0,31% de alta de maio, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (07/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho de 2016, o IPCA foi 0,35%.

 

De acordo com dados do IBGE, o resultado de junho é o mais baixo para o período desde 2006, quando o indicador caiu 0,21%. No entanto, a taxa do IPCA do mês passado nunca foi tão baixa desde agosto de 1998, quando a queda foi de 0,51%.  A inflação do primeiro semestre fechou em 1,18%, bem menos que os 4,42% registrados em igual período do ano passado e “a menor da série” para os primeiros seis meses do ano. No acumulado em 12 meses, o IPCA teve alta de  3%.

 

O resultado ficou abaixo das previsões do mercado. O Itaú Unibanco, por exemplo, estava prevendo 0,17% de queda no custo de vida em junho, o que daria 3,1% de alta no IPCA acumulado em 12 meses.

 

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a deflação de 0,23% no IPCA de junho é positiva para a manutenção do ritmo de queda da na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá no dia 26 deste mês. “Esse dado reforça a expectativa da Austin de redução da Selic em 1,0 ponto percentual na Selic”, afirmou.

 

Habitação em destaque

 

O IBGE informou que os grupos Alimentação e Bebidas, Habitação e Transportes foram os responsáveis pela deflação de junho. Representam cerca de 60% das despesas domésticas, respectivamente, 0,50%, 0,77% e 0,52%, respectivamente.

 

A habitação, que apresentou a maior queda no mês entre os grupos, ficou mais barata por conta da redução média de 5,52% no custo da energia elétrica no país, que exerceu o maior impacto no IPCA, de -0,20 ponto percentual. Belo Horizonte foi a capital com maior queda no custo da eletricidade, de 10,68%. As contas de energia só não caíram em Recife. Brasília registrou recuo de 3,48%. Por outro lado, as contas de habitação foram pressionadas com alta de 1,14% nos reajustes de condomínio de 2,16% nas despesas de água e esgoto.

 

A queda no grupo Transportes foi puxada pela queda de 2,84% nos combustíveis, que tiveram impacto de -0,14 ponto percentual no IPCA. Enquanto as tarifas de ônibus interestaduais recuaram 1,94%, as passagens áreas continuaram na contramão e registraram alta de 6,89% em junho.

 

O grupo Alimentação e Bebidas, que domina 26% das despesas das famílias, foi puxada pelos alimentos para consumo em casa, que tiveram queda nas 13 regiões pesquisadas, ficando em média 0,93% mais baratos em junho. Já os preços da alimentação fora da residência subiram  0,32%, no intervalo de queda de 0,62%, em Brasília, até alta de 1,32% em Goiânia. Entre os alimentos, o feijão carioca foi o vilão da inflação, com alta de 25,86% no mês enquanto o tomate foi um dos mocinhos, com queda de 19,22%.

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