Empresa do grupo J&F, Eldorado pode ser vendida nesta quinta

Desmanche do conglomerado dos irmãos Batista já chegou a R$ 10,4 bilhões

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postado em 03/08/2017 06:00 / atualizado em 03/08/2017 07:33

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

Termina hoje o acordo de exclusividade que o grupo J&F fechou com a chilena Arauco, maior produtora de celulose do mundo, para a análise de uma possível venda da Eldorado Brasil, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Caso o negócio não seja concluído, a brasileira Fibria poderá entrar com uma oferta pela companhia. Procurado, o grupo J&F disse que não fará comentários sobre negociação de ativos, além das informações que são públicas.

 

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Em 20 de junho, o J&F anunciou um programa de desinvestimentos com o objetivo de levantar R$ 15 bilhões para abater parte dos R$ 70 bilhões das dívidas do grupo. Na semana passada, o frigorífico JBS fechou um acordo com 14 bancos para adiar o pagamento de R$ 21,7 bilhões.

Considerando as vendas concluídas até o momento, o J&F já levantou R$ 10,4 bilhões em alienação de ativos. As operações de carne do frigorífico JBS no Mercosul foram vendidas para a Minerva por R$ 1 bilhão. A Alpargatas foi comprada por R$ 3,5 bilhões pelo fundo Cambuhy e pela Itaúsa, holding do grupo Itaú. O último negócio foi fechado ontem com a mexicana Lala, que levou a empresa de laticínios Vigor por R$ 5,8 bilhões.

O grupo J&F deve receber ainda R$ 1 bilhão com a venda de quatro lotes de linhas de transmissão de energia da Âmbar para a companhia canadense Brookfield. Ontem, o grupo sofreu um revés. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou multa de R$ 40milhões à JBS por descumprir decisões do órgão antitruste relativas ao arrendamento de frigoríficos do Rodopa.

Com mais de 200 mil hectares de florestas plantadas e capacidade de fabricar 1,7 milhão de toneladas anuais de celulose, a Eldorado aumentaria significativamente a relevância mundial do grupo chileno no segmento. Já para a Fibria, o negócio seria interessante para complementar a produção na cidade de Três Lagoas, onde ambas possuem unidades.

Segundo o gestor da Canepa Asset Management, Eduardo Rocha, a estratégia do J&F visa preservar o frigorífico JBS, que constitui a maior parte da organização, e, ao mesmo tempo, gerar liquidez a curto prazo com a venda de ativos para sustentar o empreendimento sem cair nas mãos de bancos. “Isso não é algo que impeça a venda de até parte da JBS, mas aí eles fariam uma edição no tamanho. Mas, com certeza, eles estão abrindo mão do resto para preservar a origem, que sempre foram os frigoríficos.”

Bloqueio

Ontem, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo deferiu em parte pedido da Viscaya Holding Participações, de Lucio Funaro, contra a Eldorado e a J&F, de bloqueio dos bens para saldar uma dívida de R$ 44 milhões referente a um contrato de prestação de serviço. A juíza Luciana Bassi de Melo, da 5.ª Vara Cível, concedeu o bloqueio dos bens da Eldorado, mas não da J&F. Em nota, a Eldorado informou que ainda não foi citada no processo e que, quando isso ocorrer, “apresentará as medidas judiciais necessárias à proteção de seus direitos.”

*Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo
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