PIB registra alta em mais um trimestre e Brasil sai da recessão

Crescimento de 0,2% na produção de riquezas faz mercado revisar projeções para 2017 e reduz risco de papéis brasileiros de cinco anos para 193 pontos

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postado em 02/09/2017 08:00

A alta de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no 2º trimestre de 2017 em relação ao período imediatamente anterior, a segunda consecutiva desde 2014, animou o mercado e levou analistas a revisarem as projeções para o desempenho da economia até o fim do ano. Os mais otimistas já avaliam que o pior ficou para trás e a geração de riquezas deve registrar expansão de até 1%. Entretanto, os especialistas alertam que um ciclo sustentável de crescimento de longo prazo ainda depende da aprovação de reformas para reequilibrar as finanças públicas. O resultado positivo também foi comemorado pelo governo, que aposta todas as fichas na retomada da atividade para reduzir o desgaste provocado pela crise política.

 

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Em viagem oficial à China para tentar atrair investidores para o pacote de concessões, o presidente da República, Michel Temer, foi categórico. “O Brasil está crescendo, está se recuperando”, afirmou. As boas notícias para o chefe do Executivo não pararam por aí. Com a alta do PIB, o risco país, apurado pelos Credit Default Swaps (CDS) — papéis brasileiros de cinco anos — chegaram aos 193 pontos, menor patamar desde que o peemedebista passou a despachar no Palácio do Planalto. Os CDS são uma espécie de seguro contra calotes e ultrapassaram os 500 pontos durante a gestão de Dilma Rousseff.

A coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, explicou que a expansão do PIB entre abril e junho foi impulsionada pelo consumo das famílias — que registrou alta de 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior — e pelo setor de serviços, que teve alta de 0,6% no mesmo período.“O aumento do salário real mais que compensou a queda na ocupação”, afirmou. Ela ainda destacou que a liberação de recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a queda da inflação e do juros favoreceram esse processo.

A agropecuária teve variação nula no mesmo período analisado, mas, em relação ao 2º trimestre de 2016, registrou ganhos de produtividade e expansão de 56,1% na safra de milho, de 19,7% nas lavouras de soja e de 16,3% nas plantações de arroz. A pujança do campo e da extração de recursos naturais levaram a exportação de bens e serviços a registrar alta de 0,5%. Os destaques negativos, entretanto, foram a indústria, que encolheu 0,5%, além da retração de 0,7% da formação bruta de capital fixo. Diante das restrições orçamentárias da União, de estados e municípios, o consumo do governo despencou 0,9%.


Ranking

Apesar do resultado positivo, o nível de crescimento brasileiro está aquém de diversas economias do mundo. A alta de 0,3% do PIB no 2º trimestre na comparação com o mesmo período de 2016 foi a segunda menor em uma lista com 42 países que divulgaram os resultados das contas nacionais neste ano, conforme levantamento da Austin Ratings. O ranking é liderado pela China, que cresceu 6,9% e tem a Noruega na lanterna, com expansão de 0,2%. “Nessa lista não está incluída a Grécia, que deverá divulgar o resultado na segunda-feira e tudo indica que virá bem melhor do que o do Brasil. O país europeu, após sete anos de crise econômica, está se recuperando porque fez os ajustes que precisam ser feitos aqui, como a reforma da Previdência”, alertou o economista-chefe da Austin, Alex Agostini.

Alheio às comparações, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou que a retomada da atividade se fortalecerá nos próximos meses. “Entraremos em 2018 num ritmo forte e constante. Continuaremos a trabalhar para garantir que essa expansão seja longa e duradoura, gerando emprego e renda para os brasileiros”, disse. O Ministério do Planejamento informou que, nos próximos meses, outras medidas favoráveis ao crescimento econômico deverão implicar resultados similares e garantir a manutenção da retomada da atividade, do emprego e da renda, de maneira sólida e sustentável.

O chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker, destacou que o crescimento de 0,2% do PIB entre abril e junho surpreendeu o mercado. Segundo ele, o resultado está em linha com sua projeção de alta de 0,6% da geração de riquezas no país, revisada recentemente. Beker ainda ressaltou que o desempenho da atividade econômica deve implicar revisão adicional da estimativa para 2018, atualmente em 1,5%. “O progresso na agenda de reformas é crucial para sustentar aumentos nos índices de confiança e nos indicadores de atividade ao longo dos próximos meses”, ponderou.

Nas contas do economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, a “herança estatística” do PIB do 2º trimestre para o restante do ano é positiva em 0,47%. “Ou seja, mesmo que nos próximos dois trimestres o crescimento seja nulo, a economia em 2017 terá essa taxa de expansão”, resumiu. Para ele, o país tem potencial para crescer até 1% no ano, com a tendência de melhora esperada no segundo semestre. “Para 2018 mantemos a estimativa de crescimento de 3,7%. Acreditamos que parcela significativa do mercado terá que revisar para cima suas estimativas de crescimento para ambos os anos”, disse.


Bolsa tem maior nível desde 2010

O crescimento da atividade econômica no segundo trimestre, anunciado pelo IBGE, animou o mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou alta de 1,54%, ontem, alcançando 71.923 pontos, o maior patamar desde novembro de 2010. Na semana, a valorização foi de 1,20%. O dólar comercial caiu 0,01%, cotado a R$ 3,147 para venda. “A bolsa vinha ensaiando chegar a esse patamar há um bom tempo. O PIB deu um empurrãozinho”, disse Pedro Coelho Afonso, da Gradual Investimentos. Também contribuiu para a alta a notícia de que a criação de empregos nos Estados Unidos, em julho, ficou aquém do esperado. Foram geradas 156 mil vagas, ante expectativa de 180 mil. O ritmo mais lento da economia norte-americana indica que os juros por lá não vão subir tão cedo, o que deve manter o fluxo de recursos para países emergentes.
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