Diplomata aposentado expande produção de cachaça premium em Goiás

Em uma fazenda na região de Alexânia, diplomata aposentado produz oito tipos de cachaça, da tradicional à envelhecida em barris de madeira. Bebida é vendida no DF, em Goiás, Pernambuco e no Piauí, e objetivo é expandir

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postado em 04/09/2017 06:00 / atualizado em 03/09/2017 22:57

Ed Alves/CB/D.A Press


A cachaça é a bebida destilada mais consumida no Brasil. A caipirinha, por sua vez, o drinque brasileiro mais conhecido no mundo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac), as exportações de destilado cresceram 4,62% em valor e 7,87% em volume, em 2016, com relação a 2015. No ano passado, o Brasil exportou 8,4 milhões de litros para cerca de 54 países, gerando receita de US$ 14 milhões. Na região geoeconômica do Distrito Federal, a Cachaça DoMinistro, do produtor Carlos Átila Alvares da Silva, é exemplo de sucesso. Enquanto realiza ações para aumentar as vendas do produto no Brasil, o diplomata e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) planeja expandir para atingir o mercado externo.



A Cachaça DoMinistro é produzida em uma fazenda, com o mesmo nome, localizada nas imediações de Alexânia, município que fica às margens da BR-060, rodovia que liga Brasília a Goiânia. O alambique tem capacidade para produzir mil litros de cachaça por dia. Atualmente, a produção diária é de 230 litros, com teor alcoólico de 40%. No local, são feitos oito tipos de cachaça: Extra Premium 5 Anos Amburana, Extra Premium 5 Anos, Extra Premium 3 Anos, Premium, Ouro, Prata e Amburana, além da tradicional branca, a única que não é armazenada ou envelhecida em tonéis de madeira.

De acordo com a legislação federal, os destilados são envelhecidos pelo período declarado, sem que seja adicionada qualquer quantidade de cachaça nova. A aparência, aroma e o sabor da cachaça diferem de um tipo para outro de acordo com a madeira das dornas ou barril onde é armazenada. “A utilização de madeiras para o repouso ou envelhecimento, como a amburana ou carvalho, ajuda a realçar o aroma, a cor e o sabor da cachaça. Os preços variam de acordo com o tempo de envelhecimento”, explica Átila. No DF, o produto é encontrado em diversos empórios e restaurantes, com preços que variam de R$ 40, a mais barata, até R$ 90.

O produto é vendido também em Goiás, Pernambuco e Piauí. Representantes do Paraná e de São Paulo garantem a revenda em outros estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Em Alexânia, a Cachaça DoMinistro tem uma lojinha no centro da cidade, para a venda exclusiva da bebida.

A profissionalização do negócio exigiu a admissão de um profissional de marketing para ajudar na promoção e divulgação do produto. Afinal, a cachaça já pode ser vendida até mesmo pela internet. A contratação foi providencial. Dados do Ibrac indicam que já são 40 mil produtores e 4 mil marcas de cachaça no mercado nacional, ou seja, a comunicação passou a ser item importante do empreendimento. “Queremos expandir as vendas no Brasil e, futuramente, exportar”, resume a advogada Patrícia Boureau Álvares da Silva, que ajuda o pai a gerenciar os negócios.

Ed Alves/CB/D.A Press


Desafios


Os principais desafios do setor são o aumento das exportações, a consolidação do produto no mercado internacional e o reconhecimento da cachaça como um destilado genuinamente brasileiro, de acordo com o Ibrac. “O anúncio da entrada da cachaça no Simples Nacional em 2018 reduzirá a carga tributária, o que deverá impactar os custos das empresa. Isso, possibilitará a realização de investimentos, principalmente, em qualidade, por parte dos produtores”, analisa o diretor executivo do Ibrac, Carlos Lima.

As exportações de Cachaça estão bem abaixo do potencial de mercado. Cerca de 1% do volume produzido é exportado, segundo o Ibrac. É um dado importante, sobretudo quando se compara as exportações da tequila, o destilado nacional do México, com as exportações do produto brasileiro. No ano passado, o México exportou cerca de 200 milhões de litros da bebida para mais de 120 países, aproximadamente 70% de volume produzido. Já o Brasil vendeu pouco mais de 8 milhões de litros de cachaça para 54 países.

Ed Alves/CB/D.A Press


De acordo com o Ibrac, enquanto a cachaça é protegida apenas nos Estados Unidos, Colômbia e México, a tequila já é protegida em 46 países, além da União Europeia. Em julho do ano passado, no México, foi oficializado o reconhecimento da cachaça como um destilado exclusivo do Brasil, por meio da assinatura do Acordo para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México, respectivamente.

O reconhecimento pelos Estados Unidos de que a cachaça é um produto genuíno do Brasil só aconteceu em 2013, acabando, assim, naquele país, com um tratamento generalizado em relação ao destilado nacional. Até então, a cachaça era rotulada como Brazilian Rum. “Essas importantes vitórias fortalecem as discussões para o reconhecimento da cachaça em outros países, principalmente na União Europeia, onde estão alguns dos principais mercados de destino da cachaça e também importantes mercados de consumo de bebidas destiladas”, diz Lima.

A cachaça foi regulamentada pela Indicação Geográfica como produto genuinamente brasileiro, no ano passado. Pelas normas aprovadas, a bebida precisa ter a graduação de álcool entre 38% e 48%, e somente a aguardente de cana produzida no Brasil pode ser chamada de cachaça.


1,3 bilhão
de litros de cachaça são produzidos por ano no país de forma artesanal e industrial

40 mil
é o número de produtores no país, sendo que 99% são de pequeno porte

mil
são as marcas registradas no Brasil

11,5  litros
é o consumo per capita no país

1 % 
da produção nacional é exportada


"O anúncio da entrada da cachaça no Simples Nacional em 2018 reduzirá  carga tributária, o que deverá impactar os custos das empresas e, com isso, possibilitará a realização de investimentos, principalmente, em qualidade, por parte dos produtores”
Carlos Lima, Diretor executivo do Ibrac


Para saber mais


Data para festejar
Cana, caninha, pinga, birita, aguardente, água benta, branquinha, bagaceira, purinha, abrideira, goró, água que passarinho não bebe, malvada, purinha, engasga gato. São diversas as denominações pelas quais a cachaça é conhecida no Brasil. Os apelidos carinhosos reforçam a ligação do brasileiro com a bebida. O destilado ganhou até uma data especial, 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça.

A data escolhida pelo Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac) lembra o dia em que a coroa portuguesa liberou a produção e a comercialização da cachaça no Brasil, em 1861, após a Revolta da Cachaça, rebelião dos produtores locais. O projeto de lei para que a data seja oficializada ainda tramita na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, produtores e representantes da cadeia produtiva da cachaça já comemoram a data, inclusive com estratégias de promoção para expandir suas marcas.

O produto também já tem até museus pelo país: em Tracunhaém, Pernambuco, que abriga cerca de 12,4 mil rótulos; em Salinas, Minas Gerais, com 2,2 mil garrafas de 60 marcas produzidas; e em Betim, na região Metropolitana de Belo Horizonte, também em Minas Gerais, que tem um acervo com mais de 1,5 mil garrafas de diversos produtores, muitas históricas. (MG)
 
 
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