Aumento no preço dos combustíveis pode influenciar inflação

O efeito de contaminação dos combustíveis sobre o IPCA, no entanto, não é imediato, mas gradual

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postado em 08/09/2017 06:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

Os recentes reajustes de combustíveis promovidos pela Petrobras podem ser danosos à economia.  Somente nos primeiros dias de setembro, a estatal autorizou aumento de 10,2% da gasolina e de 5,3% do óleo diesel. Na quarta-feira, anunciou redução de 3,8% na gasolina, mas nova alta, de 0,7% para o diesel. Para os consumidores, o efeito dessas variações de preços, aplicadas nas refinarias, tem sido constantes elevações do valor cobrado nas bombas dos postos.

 

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Mas o pior ainda pode estar por vir. Cálculos do chefe interino da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços (CNC), Fábio Bentes, feitos com base nos reajustes anteriores ao de quarta-feira, apontam que o repasse integral da correção nas refinarias para as bombas jogaria um peso de 1,1 ponto percentual sobre a inflação nos próximos 12 meses.

A mediana das expectativas de analistas consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) aponta para um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,4% em setembro de 2018. Isso significa que, em caso da transferência integral dos reajustes, a inflação subiria para 5,5%. A explicação para isso, segundo Bentes, está no efeito de contaminação do aumento de gasolina e diesel sobre a cadeia de custos de bens e serviços, já que a distribuição de produtos no varejo é baseada predominantemente em caminhões e veículos abastecidos por diesel ou gasolina.

Ainda que os agentes econômicos repassem ao consumidor apenas metade do impacto previsto por Bentes, o IPCA atingiria 5% no acumulado em 12 meses até setembro do próximo ano, patamar acima do centro da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O efeito de contaminação dos combustíveis sobre o IPCA, no entanto, não é imediato, mas gradual. “Dura, em média, dois ou três meses”, afirmou Bentes. Em algumas classes de despesas, porém, o impacto leva mais tempo, como no grupo de alimentação e bebidas. Nessa categoria, a disseminação demora quatro meses. O que é um alento, uma vez que a queda de preços  dos alimentos tem ajudado a desacelerar o custo de vida e, consequentemente, a dar mais poder de compra às famílias.

Em contrapartida, o impacto sobre os transportes é imediato. O contágio, no entanto, tem um comportamento diferente. “A contaminação é forte no primeiro mês, depois vai perdendo força gradualmente”, explicou o economista.

Tributos

O impacto da alta dos combustíveis no grupo de transportes foi observado no último resultado do IPCA, após o governo federal aumentar a alíquota de PIS/Cofins, em julho. Em agosto, a inflação dessa categoria de despesas subiu 6,67% em relação ao mês anterior. Foi a maior alta desde fevereiro de 2015, quando os custos com o grupo avançaram 7,95%. Naquela época, sob a Presidência de Dilma Rousseff, o impacto foi causado pelo reajuste da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Em março de 2015, os custos com combustíveis avançaram 1,08%.

No atual cenário, o mesmo efeito não pode ser descartado, avalia Bentes. “Não vai ser o aumento de combustível que vai comprometer a inflação baixa de alimentos e bebidas nos próximos três meses. Mas, na virada de dezembro para janeiro, devemos ver algum efeito maior sobre esse grupo”, destacou. A estimativa é de que os reajustes acumulados em setembro se unam ao impacto do aumento de PIS/Cofins e pressionem os preços dos alimentos no início de 2018.

Furacão Harvey

Apesar das expectativas de contaminação de preços, o impacto inflacionário dos reajustes autorizados pela Petrobras podem ser amenizados. É o que avalia o analista de inflação da Rosenberg Associados, Leonardo Costa. Ele reconhece que há risco de que os preços dos combustíveis subam mais no mercado externo, devido a prejuízos na produção do petróleo nos Estados Unidos, em decorrência do Furação Harvey. Mas avalia que o efeito será diluído até o fim do mês.

“Pelo menos no mercado internacional, os preços estão se normalizando. Acho que deve ser um efeito que vai, mas volta rápido”, avaliou. A depender de uma amenização dos valores do barril de petróleo no exterior, é possível que a Petrobras autorize novas reduções no preço dos combustíveis nas refinarias.

Com o preço da gasolina nas alturas, superando os R$ 4, em Brasília, muitos consumidores esperam que essa redução ocorra logo. Para o vendedor Ademilson Melo, 43 anos, seria, ao menos, um alívio no orçamento. “Estou trabalhando para pagar gasolina. Se o litro continuar caro do jeito que está, vou começar a ir para o trabalho de ônibus, para economizar”, disse. O segurança Isaias Cruz, 29, reclama da oscilação que o país vive. “Está deixando todo mundo perdido, sem saber o que fazer. Se o preço da gasolina aumentar ainda mais, terei que trocar o carro pela moto”, lamentou.

10,2%
Aumento dos preços da gasolina autorizados pela estatal antes da correção de quarta-feira
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Jose
Jose - 08 de Setembro às 20:12
O hipócrita Sistema de Economia Tupiniquim e sua propalada estabilidade COM DATA DE VALIDADE PRESCRITA, A CABEÇA DO DRAGÃO DA INFLAÇÃO "SEMPRE FOI "A GASOLINA" com ou sem a FALSA autonomia Petrolífera nacional! Os aumentos quase diários,por si só explica a escalonada inflacionária FORA DE CONTROLE! - O Piso Salarial que o diga, mais achatado do que nunca! FORA TEMER! - LIMPA BRASIL!
 
henrique
henrique - 08 de Setembro às 09:17
Será que o PROCON/DF não viu que o posto está operando c/ 2 preços?