Padarias, supermercados e restaurantes oferecem 227 vagas de trabalho no DF

Com o fundo do poço da recessão para trás, lojas, restaurantes e quiosques abrem unidades e garantem oportunidades para quem está há muito tempo atrás de um emprego

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postado em 12/09/2017 06:00 / atualizado em 11/09/2017 23:26

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press


A abertura de unidades de lojas e franquias no Distrito Federal aumenta o leque de serviços e produtos que os moradores das cidades podem usufruir. E também representa boas chances para os brasilienses que amargam o desemprego. Há 227 vagas disponíveis em padarias, supermercados e restaurantes que vão abrir as portas nos próximos meses.

De acordo com o chefe interino da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços (CNC), Fábio Bentes, os empresários voltaram a ter confiança para investir em novos projetos, após anos ruins para em vendas. “Observamos no primeiro semestre alguns sinais de recuperação da economia. A crise deixou uma cicatriz profunda de fechamento de lojas. Só de esse ciclo estar virando já significa que menos pessoas estão perdendo o emprego”, afirmou.

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Para a maioria das funções oferecidas nas lojas não é exigido nível de escolaridade alto nem experiência na área. “Quem quer trabalhar no ramo de alimentação tem que ser dedicado e gostar do que faz. Exige muito cuidado, higiene e responsabilidade”, pontuou Lidiana da Silva Vieira, psicóloga e analista de Relações Humanas da Padaria Pão Dourado. Para ela, o mais importante é que o candidato demonstre interesse pelo emprego a que está concorrendo. “Antes de ver a escolaridade, e até mesmo as experiências anteriores, analiso a disposição dessa pessoa para o emprego”, relatou.

Ricardo Cândido Cornelas, 26 anos, foi beneficiado por esse critério. Há uma semana, ele está trabalhando no primeiro quiosque da marca americana de sorvetes Ben & Jerry’s em Brasília. Durante os dois meses sem emprego, Ricardo conheceu de perto a realidade de muitos brasileiros: acumular as contas por não ter como pagar. “Eu trabalhei em uma academia por três anos. Fui desligado sem explicação. Tive que contar com a ajuda financeira dos meus pais”, relatou.

A chance veio quando soube que a empresa de sorvetes inauguraria unidades em Brasília. Para ocupar a vaga de vendedor, Ricardo enviou o currículo. Depois de uma entrevista, fez um treinamento em Belo Horizonte, onde já existem unidades da marca. Até conseguir o emprego, foram mais de seis processos seletivos nos últimos dois meses “Eu tinha uma meta de enviar 50 currículos por dia. Toparia o que aparecesse. Nunca imaginei trabalhar aqui. Estou me surpreendendo!”, comemorou.

Para quem quer ter a mesma chance que Ricardo, há muitas oportunidades a caminho. A marca americana abrirá outra unidade, em breve, no Park Shopping. Segundo Douglas Monteiro, gerente da unidade do Conjunto Nacional, serão contratadas cerca de 15 pessoas, por meio de um processo seletivo que começará em duas semanas.

Lorena Tavares, proprietária do Restaurante Mangai, acredita que a escolha dos colaboradores influencia diretamente o sucesso dos negócios. “Temos que valorizar o cliente com bom tratamento e boa comida”, ressaltou. Para suportar a demanda da nova unidade do estabelecimento — a ser inaugurada em novembro com capacidade para 350 clientes —, 110 pessoas serão contratadas. Elas vão cuidar do atendimento, da cozinha, da recepção e da organização do espaço. “Ter trabalhado em um restaurante não é necessário. É uma porta para quem quer ter uma primeira oportunidade, abrir caminho nessa área. Para a maioria das funções, gostar de lidar com o público é fundamental”, afirmou

Novas unidades também representam a possibilidade de um funcionário crescer na empresa. A vendedora Tatyany Nunes, 20, ficou um ano sem ocupação após deixar o emprego, para cuidar do filho recém-nascido. Depois de um ano, ela soube que a rede na qual havia trabalhado ampliaria os negócios na capital e entrou contato com sua ex-gerente. Ela retornou para a mesma vaga de antes na nova franquia, inaugurada no início do mês. Está em fase de teste, que dura três meses para todos os funcionários contratados pela loja. “Eu gosto muito do meu trabalho, uma ótima oportunidade na área. Acho que a experiência aqui pode até abrir portas no mercado”, completou.

Cartão de visita


Em muitos casos, o currículo é a primeira chance que o recrutador tem para conhecer o candidato. Professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Débora Barem, especialista em mercado de trabalho, disse que, apesar da importância do documento, muitos brasileiros ainda deixam passar a oportunidade de causar uma boa impressão. “As seleções estão concorridas. É preciso ter um diferencial que se destaque”, explicou.

Ela ensina que um bom currículo deve ser organizado, com informações claras das funções que a pessoa já desempenhou e destaque para os resultados que o trabalhador teve na empresa. “Ter cuidado com o português e colocar apenas dados verdadeiros são coisas básicas. Não se pode mentir sobre habilidades”, avisou. A especialista disse que, caso o candidato vá em busca de uma vaga específica, deve direcionar o currículo para os critérios estabelecidos para a função, com destaque para cursos de capacitação e experiências que aumentem as chances para o cargo.
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