Venda de distribuidoras da Eletrobras pode impactar em aumento nas tarifas

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, ministro de Minas e Energia admitiu que reajuste está em avaliação. Fernando Coelho Filho também teve que explicar ações para extinguir reserva na Amazônia

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postado em 12/09/2017 11:54

José Cruz/Agencia Brasil
O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, admitiu, nesta terça-feira (12/9), que as ações para tornar as seis distribuidoras da Eletrobras que vão a leilão no fim do ano atrativas ao mercado podem impactar em aumento tarifário. Em entrevista a jornalistas estrangeiros, o ministro também precisou explicar, várias vezes, a intenção do governo de extinguir a Reserva Nacional de Cobra e Associados (Renca), na Amazônia.
 
Coelho Filho afirmou que, em reunião com técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na segunda-feira, foram discutidas formas de valorizar os ativos da Eletrobras. "Temos que ver as tarifas das distribuidoras dela em relação às demais. Há muitas concessões que estão desequilibradas. Elas tiveram autorização de reajustes menores por conta da ineficiência", justificou. Estudos apontam que o reajuste nas tarifas de energia praticadas por essas distribuidoras, pode chegar a 10%.
 
 
O ministro confirmou o calendário dos leilões do governo. “Em setembro, teremos a 14ª rodada de concessão de campos de petróleo e, em outubro, duas rodadas do pré-sal. Temos 32 empresas inscritas na primeira e 15 ou 16 para o pré-sal, mas dentro disso alguns consórcios devem ser formatados”, afirmou.
 
A modelagem para privatização da Eletrobras deve ficar pronta ainda em setembro, garantiu o Coelho Filho. “Os papéis da companhia serão ofertados no mercado para que a empresa tenha o capital pulverizado e fique livre das amarras do setor público, se tornando  mais ágil”, explicou. O governo detém 63% das ações e deve ter sua participação diluída para abaixo de 50%. “Se isso não ocorrer, estudamos vender ações”, complementou. Com a capitalização, a Eletrobras poderá pagar a União uma outorga pelas usinas geradoras.  “Vamos ofertar uma série de ativos. Ela optando por exercer o direito, terá que pagar a União”, disse.
 
Indagado pelos jornalistas estrangeiros, o ministro explicou que uma das ideias de extinguir a Renca era eliminar o garimpo ilegal. “Dentro da área, há reservas ambientais federais e estaduais e reservas indígenas, essas permanecerão intocadas. Mas há mais de três mil garimpeiros ilegais naquela área e 28 pistas de avião clandestinas. Ninguém nunca manifestou indignação com relação a isso”, disse.
 
Coelho Filho disse que, “caso ocorra mineração na área da Renca, que seja dentro da legislação”. “No nosso entendimento, com atividade legal poderemos reprimir quem hoje trabalha de forma ilegal. A mineração se dará na área remanescente que não é reserva ambiental nem indígena”, insistiu. 
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