Meirelles descarta fatiamento da reforma da Previdência

Para o ministro da Fazenda, a economia brasileira está avançando "em um ritmo sólido"

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postado em 12/09/2017 14:28 / atualizado em 12/09/2017 19:23

Apesar de líderes da base governista já considerarem o fatiamento da reforma da Previdência inevitável, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, descartou essa possibilidade. “A princípio, a nossa ideia é trabalhar para a aprovação do projeto como aprovado pela comissão especial no relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA)”, disse o chefe da equipe econômica, após participar do encontro do presidente Michel Temer com empresários e representantes de centrais sindicais no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (12/09).
 
 
Para Meirelles, a economia brasileira está avançando “em um ritmo sólido”, e a aprovação de propostas do Executivo no Congresso Nacional, como a reforma trabalhista, o teto dos gastos públicos e “uma série de outros projetos como duplicada eletrônica na mesma direção”, mostram que o governo continua trabalhando para a recuperação econômica do país. “Agora temos uma votação da maior importância que é a questão da reforma da Previdência. Não há duvida que esse é um ponto fundamental e que todos devemos estar com  atenção concentrada nisso porque isso de fato será importantíssimo para a economia brasileira neste e nos próximos anos”, acrescentou.
 

“Viés de alta”

Meirelles minimizou a crise política e destacou que a economia está se recuperando após a forte recessão que abalou o país nos últimos anos. Segundo ele, a previsão do governo de crescimento para este ano, de 0,5%, está com “viés de alta” e, em breve, será revisada para cima. “Não temos o novo número ainda, estamos revisando”, disse ele, acrescentando que a nova previsão deverá ser divulgada “em breve”.
 
No próximo dia 22, o governo divulgará o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas de 2017, e, certamente, os novos parâmetros macroeconômicos para o ano. E, graças à aprovação do projeto de lei que altera as metas fiscais deste ano e do próximo para um deficit de R$ 159 bilhões nas contas do governo federal, será possível que a equipe econômica anuncie o descontingenciamento de cerca de R$ 10 bilhões dos R$ 45 bilhões que estão bloqueados no Orçamento deste ano.
 
Meirelles destacou ainda que a recuperação da economia está se mostrando nos números. “O que é importante na economia cada vez mais é olharmos os dados e os números. É ver o que os números estão dizendo e não ficarmos presos a demais questões ou opiniões. E eles estão dizendo, seja a queda de juros, seja a queda do dólar, seja o número recorde da bolsa de valores, tudo isso mostra que os mercados estão acreditando no desempenho da economia brasileira. De outro lado, vemos também os índices de crescimento de produção também aumentando de forma consistente. O emprego esta aumentando e isso fala por si”, resumiu. “Uma das coisas que eu acho que é muito importante como mensagem é que não adianta lutar contra os números. Eles mostram que país está trabalhando, está crescendo e as instituições estão funcionando e isso é que é importante”, emendou.

 
Propostas

Durante o evento com cerca de 200 pessoas, vários ministros, representantes dos trabalhadores e da indústria se alternaram no microfone. Temer, ao final, afirmou que essa é a marca de seu governo, o do diálogo, onde todos ouvem o governo, mas também podem falar. O chefe do Executivo recebeu das entidades de classe um documento com sete propostas para acelerar a criação de emprego: elevar as concessões de crédito de bancos públicos, retomar as obras públicas paralisadas, rever as normas do seguro desemprego, desburocratizar e destravar os investimentos na área de petróleo e gás.
 
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também reforçou que o país saiu da recessão e destacou o fato de a injeção dos mais de R$ 45 bilhões de saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que foram injetados na economia. Ele lembrou que mais R$ 15 bilhões devem ser injetados com a liberação do PIS-Pasep nos próximos dias. Temer afirmou que esse valor pode chegar a R$ 17 bilhões com a ampliação dos beneficiados com menos de 70 anos, sendo 65 para homens e 62 para mulheres.  Oliveira sugeriu a criação de uma comissão ministerial para fomentar o crescimento e a geração do emprego e Temer elogiou a sugestão sugeriu a integração dos representantes da sociedade, algo que já existe que é o Conselhão.
 
O presidente também minimizou as denúncias e fez questão de destacar o nível recorde alcançado ontem pela Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, rompendo a barreira de 74 mil pontos.  “Nunca alcançamos o índice de ontem, portanto, isso indica a pujança da economia e o otimismo, a segurança que o país esta crescendo”, afirmou Temer, que partiu rumo ao Palácio do Alvorada para um almoço com os participantes do evento.
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