Restaurantes próximos ao BC extrapolam inflação e cobram mais caro

Estabelecimentos próximos ao Banco Central, órgão responsável por garantir o poder de compra da moeda no país, elevam o preço de refeições em até 28,5%, enquanto o IPCA de alimentação fora de casa tem variação de 5,22% em Brasília

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postado em 16/09/2017 08:00

Na quadra do Banco Central (BC), no Plano Pilto em Brasília, os restaurantes têm ignorado a queda da inflação e reajustado os preços das refeições muito acima do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Em um dos restaurantes, o prato executivo foi reajustado de R$ 31,90 para R$ 41, uma alta de 28,52%. Responsável por garantir a estabilidade do poder de compra da moeda, a autoridade monetária não tem convencido os comerciantes da redondeza de que o momento é de cautela nas revisões dos cardápios.


Os funcionários do BC estão entre os principais clientes e não se cansam de reclamar da carestia. A impressão é de que os comerciantes acreditam que o tão propalado controle da inflação, que tem permitido a queda dos juros, é mais discurso do time comandado por Ilan Goldfajn do que realidade. Em outro restaurante, de comida brasileira, o reajuste foi em menor intensidade, de 18,1%. O prato executivo passou de R$ 19,90 para R$ 23,50.

Nos dois casos, os preços subiram bem acima da inflação de alimentação fora de casa, que registrou elevação de 2,5% entre janeiro e agosto. Em Brasília, a variação foi mais alta do que a média nacional, a 5,22%.

O empresário Rafael da Rosa, 28 anos, almoça com frequência na quadra do BC, já que seu escritório é na região. Economista de formação, ele tem se espantado com a variação de preços na região. Para ele, o alto poder aquisitivo dos brasilienses leva os comerciantes a não se constranger em praticar reajustes bem acima da inflação.

Na região, além da autoridade monetária, também estão a sede da Caixa Econômica Federal, da Receita , tribunais de Justiça e diversos outros órgãos ligados ao setor público. “Os preços dispararam por aqui. Estou até pensando em trazer meu almoço de casa para fazer economia. Não tenho vale-refeição, como a maioria dos servidores”, explicou.

Em meio às disparidades de preços nas principais capitais do país, o Comitê de Política Monetária indicou que deve promover mais dois cortes da taxa básica de juros (Selic). Um de 0,75 ponto percentual, na reunião de outubro, e outro de 0,5 no encontro de dezembro. Com isso, a Selic terminará 2017 em 7% ao ano.

Muitos destacam que com a inflação ancorada e bem abaixo da meta, de 4,5%, a autoridade monetária teria espaço para derrubar mais os juros. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, não descarta a possibilidade, mas ressalta que há riscos de pressões inflacionárias caso haja piora do ambiente político, combinado com uma possível mudança do cenário internacional.
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