De cervejas a itens eróticos: clubes de assinatura crescem no Brasil

Por um preço mensal é possível receber em casa toda a sorte de produtos

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postado em 17/09/2017 08:00

Receber uma caixa repleta de produtos selecionados, todos os meses, no conforto de casa não parece uma má ideia. O modelo de venda não é novo, faz tempo que as pessoas estão acostumadas a assinar revistas e jornais. Mas, pela variedade de segmentos, os clubes de assinatura conquistam espaço entre o público brasileiro. As opções são muitas. De cervejas especiais a produtos eróticos, de livros a comidas típicas de diversas regiões do mundo. Para quem ainda não conhece, o serviço funciona assim: por meio de uma assinatura on-line, o consumidor passa a receber, em casa, de tempos em tempos, uma caixa recheada com produtos, que podem ter sido pré-selecionados ou simplesmente ser uma surpresa. O valor varia de acordo com o plano escolhido, que pode ser mensal, semestral ou até anual.

Os clubes de assinatura são divididos em dois grupos, de acordo com Maurício Salvador, presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Algumas empresas oferecem produtos que são necessários no dia a dia do consumidor, como fraldas, rações para animais e lâminas de barbear. “Isso evita que a pessoa esqueça de comprar ou gaste tempo com supermercado ou farmácia. Só de ele não ter que se preocupar em ter que comprar, já proporciona uma comodidade muito grande”, observa.

O outro grupo é destinado àqueles que buscam novas experiências e novidades, como alimentos gourmet e bebidas especiais. “As empresas negociam as mercadorias em grande quantidade, entregam lançamentos e novidades em primeira mão para os consumidores”, afirma Salvador. A exclusividade de produtos é um grande diferencial, aponta Luan Gabellini, sócio diretor da Betalabs, plataforma de e-commerce. “As empresas conseguem enviar produtos importados, que não existem no mercado brasileiro ou de pequenos fornecedores que não conseguem suportar os custos da demanda para outros estados”, reforça.

Ter vinhos escolhidos a dedo por especialistas fez com que a bancária  Luciana Ramos, 41 anos, se tornasse assinante de um clube da bebida. “A maior vantagem é que gosto muito de vinho, mas não entendo tanto. A compra pelo clube me garante uma seleção. Eles são bons nisso. Eu gostei de mais de 90% dos vinhos que vieram”, comemora.

Ela começou a assinar depois de uma boa avaliação de seu pai sobre a assinatura. Mas, após avaliar o consumo da família, percebeu que o plano simples seria o suficiente. “Toda vez que íamos à casa dele, havia vinhos novos, diferentes e bons, achamos interessante. Não tomamos tanto vinho em casa, então, a assinatura simples, que vem com dois vinhos por mês, basta”, diz.
 
A comodidade veio associada à economia, no caso de Luciana. Como ela já comprava vinhos, a assinatura, que custa R$ 130 por mês, fez com que ela pagasse menos do que se adquirisse garrafas avulsas. “Eu guardo o rótulo dos vinhos que gosto e compro avulso depois. Então, às vezes, dá para comparar. Nenhum deles custa menos de R$ 65, que é o que pago por  garrafa no clube”, diz.

Cuidados

Mesmo que a proposta dos clubes de assinatura pareça muito interessante, é importante lembrar que, após clicar em “assinar”, a mensalidade do plano se tornará uma despesa fixa no orçamento. Por isso, é importante avaliar, antes de concluir a compra, qual opção é mais adequada para o consumo próprio ou da família e se o valor cabe no bolso.

O educador financeiro e idealizador do canal Eu Defino.com, Alexandre Fragoso Arci, destaca que a linha entre comprar algo que pode facilitar a rotina ou que seja um exagero e desnecessário é tênue. “Se a pessoa percebe que é algo que ela gostaria de ter, mesmo que não seja essencial, mas está dentro do orçamento, confortavelmente, ela pode ir em frente. Mas, se o gasto compromete outras despesas, é bom rever se é realmente uma boa escolha”, aconselha.

A psicóloga Talita Cavalcanti, 31 anos, foi assinante de um clube de produtos de gestante e bebês durante cinco meses. No começo, a cada mês, era uma surpresa diferente, mas, com o passar do tempo, os mimos caíram na rotina. Dos produtos que recebeu durante o período, poucos foram realmente úteis. Apesar de gostar da qualidade das mercadorias para o bebê, ela achou que a quantidade nos kits não era satisfatória. Por serem preparados para as caixas, muitos produtos entregues têm tamanho reduzido, em comparação às embalagens originais. “A primeira caixa compensou e veio com produtos inéditos. A partir da segunda, todas as outras começaram a repetir as coisas e percebi que não valia a pena. Era frustrante”, conta.

Essa avaliação, de acordo com o educador financeiro, deve ser refeita após alguns meses de assinatura, já que o “deslumbre” da compra pode ter acabado. “Muitas vezes, por comodismo, a pessoa não percebe que, com o passar do tempo, o que era para ser uma coisa nova e surpreendente começa a entulhar em casa. Cerca de 30% dos gastos que temos na rotina são desnecessários e poderiam ser destinados a outras coisas, até mesmo uma reserva financeira”, aconselha Arci.

O custo-benefício também não valeu a pena para a empresária Vanessa Rodrigues, 32. Após ver muitas influenciadoras digitais fazendo propaganda de um clube de assinaturas para gestantes, ela fez uma assinatura semestral que custou R$ 65, mais R$ 20 de frete, mensalmente. Os aborrecimentos começaram no primeiro mês, pois a caixa demorou mais de 60 dias para ser entregue. “Mandei vários e-mails e só me pediram para esperar e ficar tranquila. Quando chegou não achei nada demais. Veio um monte de cupons de descontos para sessões fotográficas”, lembra.

Apesar de um pouco decepcionada, ela resolveu esperar mais algumas edições para ver se melhoraria. “Em junho, na segunda caixa, vieram seis sucos de caixinha de 200ml. Achei absurdo pagar R$ 85 por algo que eu pagaria mais barato se tivesse ido até o supermercado”, reclama. 

Apesar de ter recebido alguns produtos que gostou e usou, como pomadas para amamentar e acessórios para o bebê, Vanessa cancelou a assinatura após receber três sachês de colágeno vencidos há mais de um ano. “Eles me reembolsaram após uma reclamação em um site. Nunca mais pretendo fazer uma compra assim”, lamenta.

Se a pessoa percebe que é algo que ela gostaria de ter, mesmo que não seja essencial, mas está dentro do orçamento, confortavelmente, ela pode ir em frente. Mas, se o gasto compromete outras despesas, é bom rever se é realmente uma boa escolha”

Alexandre Fragoso Arci, educador financeiro
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