Conectar todo o país à internet custaria R$ 200 bilhões em 10 anos

É o que diz estimativa divulgada pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), durante o Painel Telebrasil, evento realizado em Brasília pela Telebrasil

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postado em 21/09/2017 08:55 / atualizado em 21/09/2017 17:26

O Brasil precisa investir aproximadamente R$ 200 bilhões para atingir cobertura de 90% do país com banda larga em 10 anos. Além dos recursos da iniciativa privada, o governo precisa criar políticas de incentivo para levar a internet às áreas remotas, que não são economicamente viáveis para as operadoras. As afirmações foram feitas ontem pelo diretor do BCG, Marcos Aguiar, em palestra durante o Painel TeleBrasil 2017.
 
 
No evento, que contou com as principais autoridades e empresários do setor de telecomunicações do país, o discurso consensual foi a urgência na aprovação do Projeto de Lei da Câmara 79/2016, que moderniza o marco regulatório e converte obrigações da telefonia fixa em investimento em banda larga. Para o presidente da TIM, Stefano de Angelis, o PL é um caminhão que está travando todos os caminhos do setor para oferecer banda larga.
 
Marco Schroeder, presidente da Oi, ressaltou que o projeto é um primeiro passo e que depois da aprovação o setor ainda terá que se adequar. “O PL vai dar diretrizes, mas não é tão imediato. A necessidade de investimentos é de R$ 200 bilhões, mas há localidades que não despertam interesse econômico. E o modelo já retira uma parte da receita das operadoras para financiar isso”, lembrou.
 
Para Luiz Alexandre Garcia, presidente do Grupo Algar, há muito movimento no mercado e pouca ação. “A indústria tem investido R$ 30 bilhões por ano. O gap é enorme para chegar a R$ 200 bilhões. No modelo atual, não vai cumprir a meta. Temos que criar um novo modelo e não apenas fazer ajustes. O PL 79 é uma correção de rumo”, alertou.
 
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, ressaltou para a urgência da aprovação. Ele destacou que os fundos setoriais estão sendo usados para o governo fazer caixa. “Os fundos não voltam para o setor, são recursos que já foram. Só existem para lançamento contábil. Mesmo com a nova lei, isso já se calcificou na estrutura econômica do governo. Não acredito mais em Papai Noel, nem em fundos”, criticou.
 
José Félix, da Claro Brasil, questionou se o PL vai destravar investimentos. “O setor investe e muito. Em ano de vacas magras, foram R$ 30 bilhões. O problema está nas áreas que ninguém quer. A Telebras foi criada para, teoricamente, ajudar nesse processo. Ou o governo vai lá e resolve ou daqui a 50 anos ainda estaremos discutindo isso”, assinalou.
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