Economista defende reforma da Previdência e critica produtividade no Brasil

Segundo Paulo Tafner, a única forma de custear a previdência, sem aumentar a carga tributária, é com o aumento da produtividade brasileira

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postado em 21/09/2017 21:10

O professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Tafner destacou nesta quinta-feira (21/9), a importância da reforma da previdência para a economia brasileira. O especialista discursou durante uma palestra sobre os novos desafios da previdência na 8ª Conferência do Setor de Seguros (Conseguro) e disse que os gastos com aposentadoria no país estão aumentando significativamente a cada ano. O ritmo acelerado desse crescimento, no entanto, não acompanha fatores importantes, como o aumento demográfico.
 

O economista adverte que o rendimento é baixo para um teto previdenciário elevado, mas o aumento da alíquota de contribuição não é uma opção. Segundo ele, a única forma de custear a previdência, sem aumentar a carga tributária, é com o aumento da produtividade brasileira. "Quando comparo com outros continentes, a produtividade do nosso país é muito baixa. Estamos abaixo da média e isso está nos deixando para trás", disse. 

De acordo com Tafner, a regulamentação também precisa ser atualizada para impedir o excesso de gastos para o cofre público. E o acúmulo de benefícios está rendendo um deficit que nem mesmo a soma do saldo dos inadimplentes do benefício pode pagar. "Nós gastamos demais com previdência, e por que fazemos isso? Porque as regras estão erradas. Temos muitas normas que prejudica o sistema econômico brasileiro, como, por exemplo, a aposentadoria precoce. Trinta por cento da população feminina do país se aposenta antes dos 30 anos”, afirmou o economista.

Grande parte da dívida do setor é provocada pelo aumento da população mais velha no Brasil, que faz o financiamento da previdência. Mas muitas das vezes o tempo de contribuição não paga o valor referente ao da utilização do benefício. "Se um homem contribui por 35 anos, ainda assim ele teria constituído um fundo equivalente a 135 salários da sua aposentadoria integral. Considerando o dado médio da aposentadoria e a expectativa de vida dele por mais uns 24 anos, ele teria direito ao benefício por apenas 11 anos. Então, quem é que paga excedente que ele não contribuiu?”, indagou o especialista.

Outra questão que o economista destacou durante sua apresentação foi a idade média de aposentadoria. Para Tafner, este quesito precisa se adequar ao resto dos países. “Três a cada quatro países têm a mesma idade média de aposentadoria para homens e mulheres”, acrescentou.
 
Segundo dados apresentados pelo especialista, o custo com previdência atualmente no Brasil equivale a cerca de três vezes o valor gasto com transporte no país, e aproximadamente sete vezes mais que os as despesas com o programa do governo Minha Casa, Minha Vida. Até mesmo com a aposentadoria rural tem uma representação considerável. O benefício para os trabalhadores do campo equivale a cerca de 50 vezes o gasto com saneamento básico no país.
 
As projeções para o futuro podem assustar. Segundo os dados apresentados pelo economista, em 2060 o Brasil terá cerca de 2,06 pessoas ativas para um inativo. Serão cerca de 3,6 milhões de pessoas com mais de 90 anos e 500 mil centenários. A população de idosos terá mais de 61 milhões de cidadãos, aproximadamente vezes a população de 2010. E os gastos com previdência podem somar cerca de ¼ do PIB brasileiro.

Exemplo


Durante a crise econômica mundial em 2008, uma das medidas adotadas pela Grécia, um dos países mais atingidos pela recessão, foi a reforma da previdência. Contundo o economista grego Platon Tinios criticou durante o evento a atualização das leis de aposentadoria do país apenas em momentos de crise.  “Antes, a Grécia tinha discussões sem mudanças. Depois, passou a ter mudanças sem discussões. E as pessoas diziam que a reforma fazia parte de uma agenda liberal, mas na verdade o sistema continua 100% responsabilidade do Estado”, afirmou.
 
* Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli 
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