Chineses levam usina hidrelétrica da Cemig por R$ 7,18 bilhões

O grupo chinês Spic quer se consolidar no Brasil e por isso adquiriu a brasileira Pacific Energy, alertou Rodrigo Leite, especialista em infraestrutura do LVA Advogados

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postado em 28/09/2017 06:00 / atualizado em 28/09/2017 11:36

Arquivo/CEMIG


Especialistas consideraram um sucesso o leilão das hidrelétricas que eram operadas pela estatal mineira Cemig, mesmo com ágio de apenas 9,73%. Isso porque os quatro ativos atraíram investidores estrangeiros de peso, apesar de as concessões serem objeto de disputas judiciais. O grupo chinês State Power Investment Corp (Spic), dono da Pacific Energy, arrematou a joia da coroa, a usina de São Simão, por R$ 7,18 bilhões. O consórcio Engie Brasil, controlado pelo maior produtor independente de energia do mundo, o grupo belga Engie, desembolsou mais de R$ 3,5 bilhões para assumir as concessões de Jaguara e Miranda. E a italiana Enel arrematou Volta Grande por R$ 1,4 bilhão.


“Mesmo sem haver disputa, o resultado foi bom porque são ativos judicializados”, explicou Rômulo Mariani, sócio do escritório Souto Correa Advogados. Para Victor Kodja, presidente da plataforma eletrônica de energia BBCE, a presença de dois grupos europeus fortes e a entrada de um novo grupo chinês foram os principais aspectos positivos do leilão. “O interesse de estrangeiros é uma demonstração de que o governo está na linha certa. Mais do que quantidade, aponta para a qualidade dos investidores e abre o caminho para a privatização da Eletrobras”, analisou. A sinalização de uma menor intervenção do governo no setor, completou Kodja, aumentou o apetite dos grupos internacionais.

Na opinião de Thais Prandini, diretora da Thymos Energia, as mudanças regulatórias foram decisivas para a atratividade dos ativos. “Houve modernização, com a possibilidade de comercialização de 30% da energia para o mercado livre. Se o governo tivesse ampliado essa fatia, teria atraído ainda mais investidores”, projetou.

O grupo chinês Spic quer se consolidar no Brasil e por isso adquiriu a brasileira Pacific Energy, alertou Rodrigo Leite, especialista em infraestrutura do LVA Advogados. “Eles estavam negociando entrar pela Usina Santo Antônio e optaram por São Simão, o que é mais interessante para um grupo entrante, porque a hidrelétrica está consolidada”, destacou.

O presidente da Engie, Maurício Bähr, disse que a companhia está antecipando a reposição do portfólio, uma vez que as concessões oriundas da Gerasul, responsáveis pela geração de 2,7 gigawatts (GW), terminam em 2028. “Esses empreendimentos têm localização estratégica para nosso crescimento no Sudeste”, afirmou. Responsável pela Enel Green Power, Antonio Cammisecra disse que a companhia pretende investir R$ 1,4 bilhão em Volta Grande. “Esta conquista fortalece a presença da Enel no Brasil, país rico em recursos naturais, onde somos líderes no mercado de energia solar”, completou.

Perdedora

A Cemig, que briga na Justiça para obter a renovação das concessões, chegou a pedir a suspensão do leilão. Na última hora, tentou uma capitalização de R$ 1 bilhão para arrematar, ao menos, o ativo mais barato do certame, a usina de Miranda. Chegou a se inscrever no leilão, por meio do consórcio Aliança Geração, com 55% de participação da Vale, mas não apresentou proposta financeira. “A Cemig está com um endividamento muito alto e saiu perdendo”, avaliou Thais Prandini, diretora da Thymos Energia.
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