Investimentos de estatais encolhem 18,6% no primeiro semestre

O valor, de R$ 23,6 bilhões representa 25,8% do total previsto no orçamento das empresas públicas para o ano. Queda dos investimentos ajudou a melhorar o resultado das empresas

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postado em 04/10/2017 13:24 / atualizado em 04/10/2017 13:37

Alexandre Marchetti/ItaipuBinacional - 15/9/17
 
 
Os investimentos das empresas públicas federais encolheram 18,6% no primeiro semestre deste ano, somando R$ 23,6 bilhões, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (4/10) pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, no boletim trimestral das estatais. Esse valor representa 25,8% do total previsto no orçamento das empresas públicas para o ano. O percentual é menor do que os 38,1% realizados no mesmo período de 2016.

Essa queda dos investimentos ajudou a melhorar o resultado das empresas neste ano, disse o secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Planejamento, Fernando Antônio Ribeiro Soares. Ele adiantou que, no primeiro semestre, os cinco grandes grupos de estatais — Eletrobrás, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — acumulam resultado positivo de R$ 17 bilhões.
 
Em 2015, essas empresas públicas acumularam perdas de R$ 32 bilhões e, no ano passado, tiveram lucro conjunto de R$ 4,5 bilhões. "Não diria que essa queda dos investimentos seria suficiente para exemplificar esse aumento da lucratividade. As empresas estão focadas, neste primeiro momento, a reestruturar os quadros para depois retomar as atividades", destacou.

A melhora no resultado das companhias neste primeiro semestre também contribuiu para elevar em pouco mais de 50% a receita da União com dividendos em 2017. Até junho, foram repassados ao governo R$ 5,1 bilhões, dado superior aos R$ 3,7 bilhões pagos pelas estatais em 2016. O secretário fez questão de destacar que o orçamento total das estatais deste ano é de R$ 1,277 trilhão, valor próximo ao total da despesa primária da União, de R$ 1,327 trilhão. "As estatais importam muito", disse.

Os dados do boletim da Sest do segundo trimestre informam que o total de empresas estatais ficou em 150, uma a menos do que no primeiro trimestre e quatro a menos do que em 2016. Segundo Soares, até o fim do ano, é possível que esse número seja reduzido em pelo menos mais seis distribuidoras de energia que devem ser privatizadas. Em 2016, havia 154 companhias sob o controle direto e indireto da União.

No entanto, ele admitiu ser possível a criação de uma nova estatal para absorver as operações de navegação aérea da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Ele contou também que a Sest está desenvolvendo uma modelagem para buscar parcerias nas operações de aeroportos estratégicos da companhia, como Manaus, Curitiba e Santos Dumont (RJ), para gerar valor para sustentar a estatal. “Estamos estudando, mas ainda temos algo embrionário”, destacou.

Demissões

O secretário destacou que o quadro de funcionários está em constante redução. Passou de 533.076, no fim de 2016, para 516.375, em junho deste ano, uma redução de 16.701 trabalhadores. “Chegamos ao segundo semestre com número de empregados parecidos ao registrado em 2011, de 515 mil, ou seja, retroagimos ao quadro de seis anos atrás”, disse.  
De acordo com o chefe da Sest, mais de uma dezena de Programas de Demissão Voluntária (PDVs) estão em curso, e, em algumas empresas, como a Infraero, são permanentes. “Os programas estão sendo bem sucedidos e, em sete meses, já estão se pagando e depois se transforma em economia para a empresa. Esse tipo de reajuste está sendo feito em várias empresas como a Petrobras em uma estratégia clara de desinvestimento”, afirmou. 

Correios

Soares evitou falar sobre a intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) no Postalis, fundo de pensão dos Correios. No entanto, ele admitiu que a situação da estatal é “bastante difícil”. “O setor de correspondência associado ao monopólio postal está em franca redução e os Correios tem a obrigação da universalização, com mão de obra intensiva e receita descendente. Estamos em discussão prévia sobre essa questão, mas não se ventila acabar com a universalização. Mas temos que racionalizar essa universalização e adequar não é acabar com os Correios”, afirmou ele, acrescentando que existe uma estratégia de buscar atividades mais rentáveis para que compense a queda da receita com os serviços postais, como encomendas, logística e e-commerce.

O secretário reconheceu que a pasta não tem autonomia para atuar sobre a gestão dos fundos de pensão das estatais, mas o governo pode melhorar a questão de governança dos conselhos fiscal e de administração. “Nessa questão é preciso melhorar a gestão das empresas em relação aos fundos e esse trabalho será feito pela Sest com o grupo executivo interministerial que coordena a gestão das estatais”, destacou. “Estamos orientando as empresas a ter um maior monitoramento dos fundos de pensão”, adicionou.

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