Em 2015, apenas 37% das empresas criadas 5 anos antes continuavam ativas

Além das dificuldades de conjuntura, problemas estruturais como o custo Brasil inviabilizam companhias

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postado em 05/10/2017 06:00

Evaristo Sá/AFP

 

Empreender no Brasil não é uma tarefa fácil. Na crise, os desafios ficam ainda maiores. Em 2015, apenas 37,8% das 733,6 mil empresas criadas cinco anos antes ainda se mantinham ativas. É o que aponta o último levantamento Demografia das Empresas, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

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Os dados mostram ainda que, pelo segundo ano consecutivo, o saldo de criação de empresas ficou negativo. O IBGE estima que um total de 713,63 mil companhias encerraram as atividades, ante um contingente de 708,64 mil entrantes no mercado, o que representou um decréscimo de, aproximadamente, 5 mil pessoas jurídicas.

Analistas observam que não é surpreendente que 2015 tenha sido difícil para empreendedores. Além da recessão, que se manifestou com força naquele ano, a inflação subiu para 10,67%, levando muitas famílias a segurarem os gastos. A queda no consumo, intensificada pelo aumento do desemprego e pelas altas taxas de juros — naquele ano a taxa básica, a Selic, alcançou 14,25% ao ano —, tornou inviável a operação de muitas empresas e inibiu os investimentos na criação de novas.

O problema no Brasil, no entanto, não é apenas conjuntural, de acordo com o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes. “É, também, estrutural. A alta carga tributária e o custo Brasil tornam muito difícil abrir, manter e até fechar uma empresa”, destacou. Para o economista, o retrato de 2016 virá tão ruim quanto o divulgado ontem.

Embora o IBGE não tenha apresentado um recorte sobre o porte das empresas, naturalmente as micro e pequenas empresas (MPEs) foram as que mais sofreram no período de crise. Ciente da representatividade delas, que respondem por 98% do contingente de pessoas jurídicas no país, por 27% do Produto Interno Bruto (PIB), e por 60% dos empregos, o governo criou ontem a Semana Nacional do Crédito. Ao longo do mês, sete bancos destinarão R$ 9 bilhões em recursos a empreendimentos de menor porte.

A ação tem por objetivo carrear recursos para micro e pequenas empresas sem retirar qualquer centavo do Tesouro Nacional, com oferta de crédito subsidiado. Banco do Brasil, Caixa, Santander, Itaú, Bradesco, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia se comprometeram a disponibilizar R$ 8 bilhões em novos empréstimos e R$ 1 bilhão em renegociação de dívidas a juros mais baixos.


Empregos

O presidente exaltou as MPEs, deixando claro que o governo deve prestigiar as campeãs nacionais de geração de empregos. “Nós temos feito isso ao longo do tempo. Queremos crença no nosso país de representantes da sociedade civil. E a crença aumenta cada vez mais, na medida em que podemos prestigiar as micro e pequenas empresas”, disse.

Embora considere a iniciativa louvável, Fábio Bentes, da CNC, ressalta que é preciso mais. “O governo deve avançar na agenda reformista e sinalizar para os investidores a intenção de reduzir o custo de operar no país”, destacou.
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