Reajuste de preços contribui para que IPCA feche em alta de 0,16%

Resultado do IPCA em setembro é o dobro do registrado no mesmo mês de 2016. Em 12 meses, o índice atingiu 2,54%, abaixo do centro da meta, de 4,5%. Taxa menor, além de elevar rendimento da população, influencia na decisão do BC sobre juros

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postado em 07/10/2017 08:00

O reajuste de preços, como os de combustíveis, passagens aéreas e de alguns alimentos — antes com variação negativa — em setembro contribuiu para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechasse em alta de 0,16%, abaixo dos 0,19% de agosto, mas o dobro do percentual registrado no mesmo mês de 2016. Nos primeiros nove meses do ano, o índice acumula variação de 1,78%, bem menor do que os 5,51% registrados em igual período de 2016. É a menor taxa acumulada no período desde o 1,42% de 1998.


O aumento surpreendeu analistas do mercado financeiro, que esperavam alta de, no máximo 0,1%. O resultado levou o custo de vida, no acumulado de 12 meses, a uma elevação de 2,54%, que, no entanto, não é considerada, necessariamente, ruim pelos especialistas. Os preços apenas estão se acomodando em uma trajetória mais normal.

Mantida a aceleração de preços de alimentos nos próximos meses, o IPCA geral deve registrar uma média de 0,37% no último trimestre do ano. É o que prevê o analista de inflação da Rosemberg Associados Leonardo Costa. “Na ausência de qualquer outro tipo de choque inflacionário, os preços devem subir 0,36% em outubro, seguido de altas de 0,27% em novembro, e de 0,49% em dezembro”, avaliou. Os cálculos da consultoria não contemplam uma mudança na bandeira de tarifa de energia elétrica. Confirmada a projeção, o índice deve encerrar o ano em 2,9%, abaixo do piso da meta, estabelecido em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Além de uma inflação menor contribuir para o aumento da renda média mensal da população e, consequentemente, da massa de rendimentos, os preços baixos ainda serão determinantes para o corte da taxa básica de juros (Selic) nas duas próximas reuniões do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). A expectativa de Costa é de que haja uma queda de 0,75 ponto percentual na Selic, no encontro de 24 e 25 de outubro, e de 0,5 ponto na de 5 e 6 de dezembro.

Cautela
Na opinião do analista da Rosemberg Associados, o BC deve agir com cautela, pois, se o IPCA ficar abaixo de 3% neste ano, mostrará que a autoridade monetária exagerou na condução da política de juros. Costa reconhece, entretanto, que a supersafra de alimentos colocou no mercado de bens e serviços uma oferta que os agentes econômicos não previam.

A oferta maior derrubou os preços de alimentos e dificultou o trabalho de previsão de muitos analistas.“O BC adotou a política que viu como mais adequada. O choque de alimentação acabou se estendendo por um período grande”, analisou.

Mas isso pode nem chegar a acontecer. O Banco de Tokyo prevê uma pressão de custos com energia elétrica que pode provocar  elevação de 0,45% em outubro. Para o ano, a previsão é de uma alta de 3,4%.
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