CNI demonstra otimismo com a economia, mas contas públicas preocupa

Segundo a CNI, a recessão foi superada após dois trimestres seguidos de crescimento

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou relatório com otimismo na retomada da economia, mas com preocupação com as contas públicas do governo. A expectativa da entidade é de que o setor cresce 0,8%, ancorada na expansão de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2017. Será o primeiro resultado positivo para a indústria em quatro anos. 

Segundo a CNI, a recessão foi superada após dois trimestres seguidos de crescimento. A melhora na indústria e na atividade econômica foi impulsionada pela alta no consumo e pela forte queda na inflação, de acordo com a entidade. 

O índice de preços mais baixo ajuda a recuperar o consumo, melhorando os resultados do comércio. “Na indústria, a gradual recuperação do consumo das famílias criará condições para o aumento da produção de forma mais disseminada”, diz o relatório da CNI.

A visão otimista na indústria, porém, não retrata uma melhora generalizada. Confira as projeções da entidade para os segmentos: 

Crescimento da indústria: 0,8%
Crescimento da indústria extrativa: 7,2%
Crescimento na indústria de transformação: 1,4%
Retração na indústria de construção: 2,3% 

As estimativas mais otimistas estão relacionadas com dados “mais robustos” da economia e com o avanço na agenda de reformas, “como a atualização das leis do trabalho e o anúncio de nova rodada de privatizações e concessões”. 

Nos últimos leilões, de usinas hidrelétricas e bacias petrolíferas, o governo conseguiu arrecadar R$ 4 bilhões a mais do que estava esperando. Apesar disso, a Medida Provisória do Refis, que é o programa de regularização tributária das empresas, acabou minguando os ganhos esperados. 

Além disso, a CNI tem dúvidas quanto à intensidade e à duração da retomada do crescimento. “A principal fonte de incertezas permanece a questão fiscal e a agenda de reequilíbrio das contas públicas”, destacou a entidade em comunicado. 

Na visão da confederação, o processo de ajuste fiscal está caminhando em ritmo lento e a mudança recente da meta fiscal de R$ 139 bilhões, em 2017, e de R$ 129 bilhões, em 2018, para R$ 159 bilhões nos dois anos “é um sinal de alerta”. 
Confira outras previsões da CNI para o final de 2017:

Desemprego: 12,9% (frente aos 13,5% da previsão anterior)
Inflação (IPCA): 3,1% (1,4 ponto percentual abaixo da meta, de 4,5%);
Juros (Taxa Selic): 7% ao ano;
Balança comercial: US$ 64 bilhões (crescimento de 16,1% nas exportações e de 9,8% nas importações);
Dólar: R$ 3,20
Contas públicas: R$ 159 bilhões (2,4% do Produto Interno Bruto).
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