Cultivo de mandioca garante rendimento extra ao produtor do DF

Cultivado em cerca de 100 países, o aipim tem baixo custo de produção e alto valor nutricional. No DF, a grande variedade de subprodutos garante rendimento extra ao produtor

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Ed Alves/CB/D.A Press

Uma raiz bastante conhecida entre os brasileiros pode ser a solução para enfrentar a seca e a fome em diversas nações do mundo. A mandioca foi eleita como o alimento do século 21 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A raiz é cultivada em cerca de 100 países, sendo um dos principais alimentos para 800 milhões de pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar. O Brasil, onde é plantada praticamente em todos os estados, é o quarto maior produtor do mundo. Hoje, Dia Mundial da Alimentação, é oportuno celebrar um dos produtos mais versáteis da agricultura, tal a variedade de opções para consumo, in natura, ou como matéria-prima para a fabricação de dezenas de subprodutos.


O documento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) Produzir mais com menos: Mandioca – um guia para a intensificação sustentável da produção é enfático: “Outrora considerada o alimento dos pobres, a mandioca emergiu como uma cultura polivalente para o século 21, que responde às prioridades dos países em desenvolvimento, às tendências da economia global e aos desafios da mudança climática”. Além do baixo custo de produção e do alto valor nutricional, é isenta de glúten e excelente fonte de fibras, de vitaminas e de sais minerais (cálcio, ferro e fósforo).

No ano passado, a produção mundial de mandioca totalizou 276,7 milhões de toneladas, de acordo com a FAO. O Brasil liderava a produção até 1991, quando foi ultrapassado pela Nigéria. Atualmente, o país africano contabiliza 54,83 milhões de toneladas anuais ante 23,71 milhões de toneladas produzidas no Brasil, em uma área de 1,55 milhão de hectares. O Pará é o estado com a maior produção. A safra estimada para o estado, este ano, é de 5,17 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Renda

Em 2004, a mandioca entrou oficialmente na agenda do governo, com a instalação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O fórum, com representantes de 31 órgãos e entidades ligados ao setor, tem papel primordial na identificação de oportunidades ao desenvolvimento das cadeias produtivas da raiz. 

“Cada vez mais o Brasil se profissionaliza com relação à cultura da mandioca. Nosso diferencial são os investimentos em pesquisa, no campo e indústria, além de tecnologia. O nosso maquinário é um dos mais modernos do mundo”, explica o presidente da Câmara Setorial, Osvaldo Zanqueta.

No assentamento Contagem, localizado na zona rural de Sobradinho, o produtor Wellington Rodrigues Brito colhe, por mês, 120 caixas de 20 quilos de mandioca “japonesinha”, um tipo muito aceito no Distrito Federal. A produção é vendida em duas feiras da região, mercados e churrascarias. A comercialização é in natura, com casca ou descascada, ou em forma de subprodutos, feitos pela mulher do produtor, Maria Aparecida, e pela irmã, Noêmia. A variedade de produtos derivados da mandioca passa por polvilho, farinha, massa, puba, bolos, pudins, beijús, pães e roscas.

Para a plantação e colheita, 
Wellington chega a contratar até três pessoas temporárias, de acordo com a necessidade do trabalho. A fabricação dos produtos é artesanal e envolve apenas a família. Somente a fabricação da farinha de mandioca exige oito etapas, que transcorrem durante boa parte do dia. Depois de colhida e descascada, a mandioca é lavada, triturada, imprensada, peneirada, torrada e embalada, processos que requerem mão de obra qualificada. Quando chega às feiras, ao preço de R$ 10 o quilo, não sobra para os fregueses tardios. “É um produto que vende muito bem, mas a fabricação é demorada”, argumenta Wellington.


Agroindústria

O produtor quer melhorar a infraestrutura, simplificar os processos de produção e comercializar os produtos nos grandes estabelecimentos do DF. Para isso, Wellington pretende transformar uma área da chácara em agroindústria. Após cumprir todas as exigências legais, a benfeitoria, revela Welington, vai permitir que a propriedade receba a certificação de produtos orgânicos — o selo da Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal e Animal (Dipova) e o selo de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), ambos da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF). “Assim que eu conseguir um empréstimo, vou melhorar a estrutura e vender mais em todo o DF”, estima.

A mandioca produzida no Brasil tende a melhorar ainda mais. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realiza pesquisas de melhoramento genético, que permitem a produção de variedades com mais teor nutritivo, destinadas a diferentes regiões do país ou específicas para a indústria. No ano passado, o Programa de Melhoramento Genético de Mandioca da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, lançou cultivares com tons de polpas amarelos ricos em carotenoides, pigmentos conhecidos pela ação antioxidante e protetora contra doenças do envelhecimento.

Na região Nordeste, onde o clima é bastante seco e os agricultores têm mais dificuldades de combater doenças e pragas na lavoura, a Embrapa Mandioca e Fruticultura, na Bahia, criou a Rede de Multiplicação e Transferência de Materiais Propagativos de Mandioca com Qualidade Genética e Fitossanitária (Reniva). O projeto tem como objetivo contribuir para a estruturação da cadeia da mandiocultura para minimizar, futuramente, os efeitos das secas prolongadas, por meio da multiplicação e distribuição de manivas-sementes de mandioca com qualidade genética e fitossanitária.

Atualmente, o agricultor brasileiro colhe 13 toneladas da mandioca por hectare, em média. Por meio do projeto, os agricultores recebem mudas de cultivares desenvolvidos pela Embrapa, além de variedades tradicionais na região, todas livres de pragas e doenças. O projeto abrange 40 variedades de mandioca. Desse total, 13 variedades são originárias do banco de melhoramento genético da Embrapa. “O Reniva pretende aumentar a produtividade de 20% a 30% pela isenção de doenças e pragas, principalmente de viroses, que são assintomáticas”, explica Herminio Rocha, analista da Embrapa e coordenador da Reniva.


Em números


Brasil é o quarto maior produtor mundial do alimento, produzido em todos os estados do país

Maiores produtores

Brasil


1º    Pará
2º    Paraná
3º    Bahia
4º    Maranhão
5º    São Paulo

Mundo

1º    Nigéria
2º    Indonésia
3º    Thailândia
4º    Brasil

Destinos das exportações de fécula:

1º — Estados Unidos    43,5%
2º — Colômbia    14,4%
3º — Bolívia    12,8%
4º — África do Sul    9,5%
5º — Reino Unido    3,4%
6º — Outros*     16,4%

*O Brasil exportou fécula de mandioca para 36 países de todos os continentes em 2016.

Destino das exportações de raízes:

1º — Uruguai      53,1%
2º — Portugal      33,7%
3º — Reino Unido      11,1%
4º — Angola      2,1%

Nutrientes da mandioca (em 100g):

Calorias (Kcal)    160
Carboidratos (g)    38,06
Vitamina C (mg)    20,6
Cálcio (mg)    16
Proteínas (g)    1,36
Fibras (g)    1,8
Lipídeos (g)    0,28

Fontes: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Ministério da Agricultura e IBGE
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