Arrecadação do governo cresceu 8,66% em setembro deste ano

Receita melhora pelo segundo mês consecutivo; total atingiu R$ 105,5 bilhões

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postado em 20/10/2017 06:00 / atualizado em 20/10/2017 00:25

Gustavo Moreno/CB/D.A Press


Apesar de não ter surpreendido, a arrecadação do governo em setembro animou os economistas. A receita cresceu 8,66% em relação ao mesmo período de 2016, atingindo R$ 105,5 bilhões. É o segundo mês consecutivo de alta, segundo o Fisco. O resultado foi influenciado por receitas extraordinárias do Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), conhecido como novo Refis, e pelo aumento do PIS-Cofins sobre combustíveis.

 

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As duas receitas juntas somam um adicional de R$ 5,62 bilhões — R$ 3,4 bilhões do Refis e R$ 2,2 bilhões do tributo.  O PIS-Cofins de combustíveis teve uma arrecadação 84% maior do que no mesmo mês de 2016. Sem a arrecadação extraordinária, teriam entrado nos cofres públicos em setembro R$ 99,88 bilhões. Mesmo assim, haveria alta real de 5,19% ante o mesmo mês do ano passado.

Os ganhos do Refis, porém, podem ser reduzidos a depender de como o programa for sancionado pelo presidente Michel Temer. Por enquanto, o Pert rendeu R$ 10,8 bilhões, mas talvez diminua caso os vetos beneficiem mais os devedores.

O economista da Tendências Consultoria Sílvio Campos considera difícil calcular o impacto do Refis nas contas, já que a sanção só ocorrerá depois da votação, no plenário da Câmara, da segunda denúncia contra o presidente, na semana que vem. “Por enquanto, ainda está confuso, depende de como será o desfecho. O quadro político é o grande problema que o país tem, então precisamos acompanhar o desenrolar dessa situação”, avaliou.

Claudemir Malaquias, auditor-fiscal chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, destacou, porém, que, excluindo os efeitos extraordinários, a atividade econômica melhora a arrecadação pelo segundo mês consecutivo. Segundo ele, o impacto é evidente. “Houve ganhos com a produção industrial, a venda de bens, a massa salarial e o valor em dólar”, afirmou.

O desempenho foi de alta de 0,46% para produção industrial, 4,33% para vendas de bens e serviços, 4,82% para massa salarial e 6,72% para valor em dólar das exportações. Ele ressaltou também  a arrecadação com a Previdência Social, que aumentou 5,87%, acima da inflação, “reflexo da recuperação do emprego”. (Leia mais na página 7)

“Até poucos meses atrás, a recuperação estava se dando no emprego informal, mas agora está chegando ao emprego com carteira assinada”, comentou Malaquias, relacionando com o aumento da arrecadação. O técnico também destacou que a alta na venda de automóveis representou 83% nos ganhos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

 

Meta à vista

No acumulado do ano, a arrecadação alcançou R$ 968,3 bilhões, representando um aumento de 2,44%, em relação a 2016, quando descontado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mês que vem, a Receita vai divulgar os dados de outubro, que serão negativos na comparação com o mesmo mês de 2016, que obteve R$ 45 bilhões em receitas extraordinárias vindas do programa de repatriação.

Apesar disso, economistas acreditam que houve uma reversão do processo recessivo. Na avaliação de Flavio Serrano, economista sênior do Haitong, há uma trajetória de melhora que deve ganhar força nos próximos meses “Há uma inflação mais baixa que consome menos o orçamento das famílias, os juros estão num patamar moderado e vemos que o emprego dá sinais de recuperação. Eles formam elementos que explicam essa melhora na arrecadação”, alegou.

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