Hora de negociar renovação de mensalidade é agora

Pais devem procurar escolas já, antes da confirmação da maior parte das matrículas

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postado em 22/10/2017 06:05

Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 16/6/10


É chegada a hora de discutir a renovação das matrículas escolares. Na medida em que o ano está perto do fim, mães e pais já começam a fazer os cálculos de quanto gastarão com a mensalidade escolar dos filhos em 2018. Em um país que sai da maior recessão da história, em que muitos dos chefes de família nem sequer tiveram reajustes salariais, é preciso muito jogo de cintura e diálogo para manter as crianças em um colégio privado. Para isso, é importante se preparar para as negociações com as escolas.

Antes de qualquer acordo, no entanto, é indispensável sentar e conversar com os filhos. Afinal, são eles os principais interessados em continuar ou não na escola atual, tendo em vista que uma mudança indesejada pode comprometer o rendimento escolar. O diálogo é essencial para evitar uma possível frustração da criança ou do adolescente. Com o sinal verde, é hora de negociar.

Quanto antes os pais conversarem com os filhos e procurarem a escola para um acordo em relação à mensalidade, melhor, avalia o consultor financeiro Rogério Olegário, da Libratta Finanças Pessoais. “Nesta época, muitas escolas ainda não se organizaram para o próximo ano. Logo, não têm ideia ainda de quantas crianças serão matriculadas. Quem deixar para negociar mais à frente, quando a escola já estiver cheia de alunos, tem mais chances de se deparar com uma negativa de desconto”, ressalta.

Além de agilidade no diálogo com as instituições de ensino, é importante que as negociações ocorram pessoalmente. O olho no olho com algum representante que tenha poder para celebrar o acordo será sempre melhor do que telefone, e-mail, ou outras ferramentas de comunicação. Ao barganhar, é importante questionar o aumento e exigir transparência do colégio acerca das razões para o percentual de reajuste.

Ao exigir que a escola seja transparente, é importante também ser sincero. Caso a correção na mensalidade exceda o montante disponível no orçamento para custeio com a educação dos filhos, não tenha vergonha de expor os problemas financeiros. “Não é errado dizer quais compromissos tem para pagar. Isso dá poder argumentativo para pedir uma redução”, sustenta Olegário.

Concorrência

Por mais que a escolha do filho seja permanecer no colégio atual, apresentar uma proposta da concorrência na negociação ajuda. “Falar tanto das propostas educacionais de outras escolas quanto dos preços garante uma boa argumentação”, diz Olegário.

Estar munido de informações macroeconômicas, como inflação, também é boa ideia, avalia o consultor. “Leve já os dados sobre a variação de preços relacionados à educação. Na mesa de negociações, use os números como um arsenal de argumentos”, acrescenta Olegário.

Usar a inflação da educação como argumento é uma boa estratégia. No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, os preços de bens e serviços ligados ao ensino registraram alta de 7%. É o que se vê na abertura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Por mais que tenha sido quase o triplo do custo de vida médio geral para o período, é o menor crescimento nessa base comparativa desde fevereiro de 2011.

O problema é que o índice não é um parâmetro único para as escolas embasarem os aumentos. Custos podem variar bastante dependendo do estado, da cidade, ou mesmo do bairro em que está a escola. E, ainda que se tenha acesso às despesas específicas de cada estabelecimento, é importante ressaltar que os preços são livres. Nada impede que a instituição decida aumentar investimentos, recompor a margem de lucro que foi reduzida em meio à recessão dos últimos anos ou, simplesmente, ampliá-la diante da avaliação de que o mercado permite que assim se faça.

Em grande parte dos casos, o que se vê é a aplicação de reajustes próximos ao custo de vida médio com educação, mas isso está longe de ser um alívio. A servidora pública Mônica Zampieri, 39 anos, por exemplo, critica o fato de o colégio do filho mais velho, de 7 anos, ter anunciado um ajuste de 8% na mensalidade. “Levando em consideração que eu não tive reajuste, e que o salário do meu marido foi corrigido em apenas 5%, é um aumento que vai pesar no nosso orçamento”, diz.

O aumento estimulou Mônica a procurar o diretor financeiro da escola para pedir o desconto. Afinal, esse não é o único custo educacional com que a família precisa enfrentar. Para 2018, o casal também terá gastos com creche para o filho mais novo, de 11 meses. Fora as despesas com a mensalidade da enteada, que cursa faculdade de Direito, ela prevê que, somados, todos os gastos com educação responderão por cerca de 40% do orçamento. “Tivemos que vender nosso carro e comprar um mais barato para acomodar todas essas mensalidades dentro do que recebemos”, afirma.

Mãe de três crianças, a advogada Vânia Pereira de Oliveira, 44 anos, está preocupada com a renovação das mensalidades. Embora o colégio ainda não tenha informado oficialmente sobre os reajustes, pais e mães foram chamados para uma reunião. “Eu ainda não renovei a matrícula e estou pesquisando os valores em outras instituições particulares”, diz.

Por meio de negociação, Vânia espera conseguir manter os filhos na escola e, assim, evitar matriculá-los no sistema público. “Já tentei transferi-los há alguns anos. Desisti porque onde moro, na Asa Norte, não é tão fácil ter vaga na rede pública”, lamenta. Todo ano, destaca, tem feito um sacrifício em prol da educação das crianças, e, em 2018, não será diferente. “Teremos que cortar alguns gastos com viagens e festas de aniversários. Por isso, buscamos atividades de lazer em família. Não queremos ter gastos durante o período de férias de fim de ano”, comenta.

Contrato

A mudança de instituição deve ser a última opção a ser escolhida. Por isso, a negociação é tão importante, aponta o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luis Cláudio Megiorin. “Escola não é como um plano de telefonia, que tem portabilidade. Não devemos mudar de escola, mas mudar a escola. Cada mudança gera sofrimento e um processo de adaptação para a criança”, destaca.

O ideal, avalia Megiorin, é que transferências aconteçam apenas em dois casos: falta de confiança na proposta pedagógica; ou na perda da confiança na capacidade da escola em cuidar da integridade física e moral. “Por lei, os pais têm total direito de procurar um acordo com a escola”, ressalta. Ele adverte que, fechada a negociação, é importante que tudo esteja previsto em contrato. “Tudo deverá estar documentado. Desde o valor da nova mensalidade a custos com formatura e passeios”, alerta.

* Estagiária sob supervisão de Paulo Silva Pinto


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