Alta no combustível e na luz pode fazer inflação chegar a 0,60% em novembro

Especialistas defendem realismo tarifário, mas consumidores reclamam dos aumentos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 26/10/2017 06:00 / atualizado em 26/10/2017 00:32

Luis Nova/Esp.CB/D.A. Press


A elevação da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em mais de 42%, de R$ 3,50 para R$ 5, com estimativa de acionamento no mês que vem nas contas de luz, e os 16 reajustes da gasolina realizados em outubro, com alta acumulada de 2,2%, terão impacto de 0,20 ponto percentual na inflação, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Assim, se a previsão anterior aos aumentos era um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,40% em novembro, há possibilidade de um salto para 0,60%, estimou o economista da FGV André Braz.

 

Leia mais notícias em Economia 


O especialista explicou que tanto a energia quanto os combustíveis pesam 4% no orçamento familiar. “Os combustíveis estão com uma política de sobe e desce, mas, mesmo que a tendência seja de queda daqui para a frente, não será capaz de neutralizar a alta do preço da energia”, disse. Segundo Braz, o que vai prevalecer é o encarecimento do custo de vida. “Não vai adiantar economizar na gasolina para gastar na luz”, comentou.

Não à toa, os economistas do mercado financeiro já elevaram as projeções para o IPCA neste ano, conforme o relatório Focus, do Banco Central, de 3% para 3,06%. Na opinião do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a inflação vai chegar a 3,11% em 2017. “Além da energia elétrica, o gás de cozinha também está pesando no custo de vida”, alertou.

Em outubro, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, foi de 0,34%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), influenciado, principalmente, pelos combustíveis: alta de 5,36% no gás de cozinha e de 1,29% no veicular. Para os especialistas, contudo, tanto a política tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto a de precificação da Petrobras são positivas por não mascararem a inflação com fins políticos e eleitorais.

 

Luis Nova/Esp.CB/D.A. Press
 

Planejamento 

No entender de Rodrigo Leite, especialista em energia do LVA Advogados, a mudança no valor da bandeira vermelha mostra o comprometimento do órgão regulador com o realismo tarifário. “Governos anteriores tomaram medidas populistas de redução de tarifa, o que ocasionou graves problemas estruturais”, assinalou.

Também faltou planejamento, conforme Leite. “Houve falhas na hora de pensar a expansão da geração, atraso nas obras de transmissão e poucos leilões de contratação de energia nova”, enumerou. “O resultado é que estamos num período de alto risco hidrológico e a tarifa alta aponta para a racionalização do consumo”, acrescentou.


O risco hidrológico é tão grave que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu ontem aprofundar a análise das condições de fornecimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumentou a frequência de reuniões. Antes mensais, passarão a semanais.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, a política de preços da Petrobras, que adotou paridade com o mercado internacional em 3 de julho e, desde então, já praticou 77 reajustes, também é positiva para o setor. “É uma prática comum no mundo inteiro. Petróleo é commodity e, como tal, sofre volatilidade. Só no Brasil o valor da gasolina era usado como instrumento de manipulação dos índices de inflação”, criticou.

Pires ressaltou que os reajustes, praticamente diários, são pequenos e não chegam à bomba se há concorrência entre os comerciantes. “Existem 40 mil postos no país, se um está com preço alto, o consumidor tem que procurar outro. Se todos estiverem com o mesmo valor na bomba, é preciso denunciar para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, recomendou.

 

 

Fatura pesada

Embora os especialistas prefiram o realismo tarifário, são os consumidores que sentem os reajustes no bolso. Comerciantes e indústrias, que gastam muita energia, serão os mais penalizados pelo novo valor da bandeira vermelha, de R$ 5,00 a cada 100kW/h.

A fatura de energia do dono de restaurante Felipe Torres, de 30 anos, já é salgada e a alta preocupa. “Eu pago, atualmente, entre R$ 1,4 mil e R$ 1,8 mil por mês”, disse. “Por conta da situação climática, tenho que usar mais equipamentos para conservar os alimentos, e isso não me deixa economizar”, explicou.

Os reajustes da gasolina levaram o professor universitário Geraldo Caliman, 62, a buscar alternativas para gastar menos. “ Eu separo uma parte do orçamento para combustíveis em geral e imponho limites ao uso do carro”, disse. Caliman questiona a eficiência da política de preços da Petrobras. “Esse sobe e desce dos combustíveis está atrelado a uma tentativa do país de copiar os preços do exterior, só que aqui não funciona”, afirmou.

Hackers invadem site da Aneel

Um dia depois de anunciar o aumento de mais de 42% no valor da bandeira tarifária vermelha máxima, que será cobrada já em novembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) teve seu site invadido pelo grupo hacker Anonymous. Desde a manhã até o fim da tarde de ontem, a página oficial www.aneel.gov.br ficou inacessível e só voltou ao ar no início da noite. O hacker conseguiu alterar um domínio da Aneel e incluiu uma imagem do Anonymous e a frase: “Olá, Aneel e Sr. Presidente Michel Temer, temos um recado para os senhores. Com Amor, O POVO”. A assessoria confirmou que o site passou por “um pente fino” e esteve o dia inteiro em “manutenção”.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.