Queda de juros: boa hora para diversificar aplicações e correr mais risco

Segundo especialista, o investidor deve analisar três fatores antes de decidir onde e como aplicar os recursos disponíveis

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postado em 29/10/2017 08:00 / atualizado em 28/10/2017 22:41

As taxas de juros no país caminham para os níveis mais baixos da história. A perspectiva é de que o custo básico do dinheiro, a Selic, atinja, no início de 2018, 6,75% ao ano. Caso o Banco Central consiga sustentar os juros nesse patamar por um longo período, os brasileiros terão de se desdobrar para manter a rentabilidade dos investimentos. Além de escolherem as aplicações que melhor se adequem ao seu perfil, os poupadores terão de assumir mais riscos, sobretudo no mercado de ações.

Para o consultor financeiro do Ceolab Danilo Cury, o investidor deve analisar três fatores antes de decidir onde e como aplicar os recursos disponíveis: a segurança da instituição onde vai investir, a rentabilidade e a liquidez. “Tem que estudar se vai precisar do dinheiro a curto ou a longo prazo e definir quais riscos está disposto a correr, tudo isso é importante”, diz.

Independentemente da necessidade de manter ou multiplicar o patrimônio, o investidor precisa, antes de qualquer coisa, definir o próprio perfil: é mais arrojado e disposto a assumir riscos maiores, como os oferecidos pela Bolsa de Valores, ou conservador e os riscos têm de estar fora do cardápio de aplicações?

O educador financeiro Reinaldo Domingos aconselha que, depois de determinar o quanto de risco cada um está disposto a assumir, uma boa forma de evitar imprevistos é pesquisar os produtos disponíveis e as instituições financeiras que os oferecem. “Hoje, por mais que se fale que o sistema é um só, sempre haverá diferença no começo ou no fim do investimento”, salienta.

Outra questão levantada por Domingos é que, para conseguir investir, o brasileiro, independentemente de classe social, precisa carimbar o dinheiro, separar uma quantia para esse fim. Para garantir esse recurso, ele explica que a pessoa deve estar atenta aos gastos cotidianos. “Hoje, cerca de 20% a 30% da população gasta dinheiro desnecessariamente por não saber aplicar”, revela. Feito isso, elas precisam saber onde estão aplicando e, se possível, já definir qual o destino dos recursos.

Para o educador financeiro, os iniciantes devem apostar em algo que não dê muita dor de cabeça, caso ocorra algum problema futuro. “A caderneta de poupança é uma boa opção por ser mais segura. Caso ocorra algum contratempo, como a quebra do banco, o Fundo Garantidor de Créditos devolve até R$ 250 mil ao poupador”, explica.

Com a queda da Selic, atualmente em 7,5% ao ano, no entanto, a rentabilidade da caderneta de poupança é impactada, passa a render 5,25% ao ano mais taxa referencial (TR). Assim como a poupança, perdem  um pouco a atratividade os investimentos em renda fixa, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Fundos de Renda Fixa e DI. Não pode esquecer ainda que a Bolsa de Valores tem registrado os maiores ganhos no ano.

O economista Alexandre Espírito Santo, apesar de considerar que o risco pode garantir rentabilidade maior, defende cautela na hora de escolher onde investir o patrimônio. “Estamos vivendo uma recuperação da economia, porém, essa retomada depende muito de medidas políticas, como as reformas, que o governo não tem conseguido levar para frente. É um momento arriscado no qual ninguém sabe o que realmente acontecerá”, analisa. Na opinião dele, o melhor é que investidores, que não tenham experiência procurem por um gestor para administrar o patrimônio.

Segundo Espírito Santo, apesar da segurança, a caderneta não é uma boa opção de investimento neste momento de Selic baixa, pois perde para outras aplicações em renda fixa. Para ele, os fundos multimercados, as LCIs e os CDBs costumam atender melhor às necessidades de quem realmente deseja investir.

Flexibilidade


Danilo Cury, da Ceolab, também defende o investimento em fundos multimercados, por serem flexíveis e práticos. “É importante, como em qualquer outra aplicação, checar o histórico do fundo e a taxa de administração”, observa. Segundo ele, com o fundo multimercado, o risco é diluído e, com um bom gestor, é possível monitorar adequadamente o investimento.

Jorge Marques Gonçalves, 50 anos, é contador e fala que como sempre trabalhou com mercado financeiro, criou essa preocupação de investir de forma correta o patrimônio. Ele diversifica os investimentos de modo a garantir rentabilidade. Atualmente, ele possui investimentos em Tesouro Direto, fundo DI Banco do Brasil, poupança e previdência privada. “Eu vou acompanhando a rentabilidade de cada um e, conforme algum fundo fique menos atrativo, eu troco ou o próprio banco oferece essa troca”, diz.

Ele explicou que a decisão de investir veio da preocupação com o futuro. “É importante reservar uma parte do que se ganha para garantir uma vida tranquila mais adiante. Quando a gente para de trabalhar, o padrão de vida cai muito em relação ao que estamos acostumados. E nunca se sabe o dia de amanhã. É sempre bom pensar em uma reserva para imprevistos futuros”, finaliza.

Espírito Santo defende que, em um momento tão instável no país, talvez seja prudente continuar com uma parte maior do dinheiro em renda fixa ao em vez do que arriscar na Bolsa de Valores, por exemplo. “Principalmente quem não tem um conhecimento do mercado. Tem que ter esse cuidado, pois o lado fiscal não anda bem”, comenta. Segundo ele, o investidor amador não deve correr riscos nesse momento. “Não vale a pena. A não ser que seja por meio de um profissional experiente e ainda assim, tem que levar em conta e ter na cabeça os riscos dos possíveis cenários com as mudanças econômicas”, afirma.

*Estagiárias sob supervisão de Rozane Oliveira 
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