Meirelles comemora retomada da economia e defende ajuste fiscal no Senado

Meirelles declarou que a destruição do quadro de empregos no país decorreu da "pior crise econômica da história" e que o governo trabalha para "reverter o problema"

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Nelson Almeida/AFP
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dedicou a manhã desta terça (31/10) para defender as políticas econômicas do governo na audiência pública que ocorreu na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O chefe da pasta afirmou que a recessão econômica acabou e que o país tem demonstrados indicadores fortes da retomada da atividade econômica. 
 
Apesar do discurso, Meirelles foi fortemente criticado pelos parlamentares da oposição, principalmente pelo senador Lindberg Farias (PT-RJ) e senadora Gleisi Hoffman (PT-PR). Depois do discurso do ministro, o parlamentar petista disse que o chefe do Planejamento não tratou da pobreza durante a fala.
 
“O senhor não anda pelas ruas deste país”, afirmou, destacando que tem aumentado o número de famílias morando na rua. “Você esqueceu o principal tema deste debate. Vocês [presidente, Michel Temer, e Meirelles] deveria ser obrigados a andar pelas ruas do país para que o que está acontecendo”, apontou Lindberg. 
 
A senadora Gleisi Hoffmann questionou uma possível candidatura do ministro diante da ausência do “pensamento” social. “O senhor devia passar menos tempo nos carpetes e ar-condicionados do mercado financeiro”, criticou.
 
 
Em respostas aos parlamentares, Meirelles declarou que o governo está empenhado a criar mais empregos e melhorar o quadro econômico geral para permitir a redução do endividamento e o maior consumo das famílias. “Não há nenhuma política de fazer o ajuste em cima de programas sociais. Muito pelo contrário, o ajuste se dá, principalmente, para criar empregos. No último ano, foram criados mais de 1 milhão”, destacou.
 
Além disso, Meirelles declarou que a destruição do quadro de empregos no país decorreu da “pior crise econômica da história” e que o governo trabalha para “reverter o problema”. “Bolsa família é fundamental, apenas está se prevenindo fraudes. Não se pode confundir fraudes com políticas sociais. A partir disso, a política mais duradoura é a criação de empregos. Mas a política social perde a eficácia com a perda de empregos. Estamos trabalhando exatamente para melhorar e resolver esse problema”, apontou.

TCU 

Mais cedo, Meirelles esteve no seminário “Subsídios da União e Qualidade do Gasto Público”, que ocorreu no Tribunal de Contas da União. Durante a apresentação, o presidente do TCU, ministro Raimundo Carreiro, declarou que a Corte fez uma pesquisa com o histórico de subsídios no país, que apontaram “vários problemas” na gestão destes recursos. Dentre eles, estão o descumprimento de regras legais, recebimento indevido de benefícios tributários, falha no desenho de políticas públicas, baixa transparência e avaliação dos resultados. 
 
“Há uma necessidade de fazer um diagnóstico mais amplo sobre o tema, dada a fragilidade da estrutura. Falta clareza e ausência de regularização do processo de restituição dos benefícios tributários”, apontou Carreiro. Segundo ele, o TCU recomendou uma série de medidas para a correção dos problemas estipulados.

Discussão


Durante a assembléia pública, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) bateu boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Tasso Jereissati (PSDB/CE). Enquanto o parlamentar criticava a relação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com a empresa de produtos alimentícios JBS, o presidente interrompeu pelo tempo excedente da fala. “Vossa excelência já passou de 12 minutos”, afirmou, lembrando que o tempo combinado não superaria os de cinco minutos mais dois de tréplica.  
 
Lindberg rebateu dizendo que, diante da presença do chefe da Fazenda, o Senado tinha o dever de fazer as perguntas necessária sobre as políticas econômicas adotadas. “É que na verdade, tais perguntas também devem estar incomodando vossa excelência”, retrucou ao presidente, que é da base aliada do governo. 
 
Jereissati disse que as perguntas não estão incomodando “em nada” e lembrou que, durante o governo do ex-presidente Lula, Meirelles foi presidente do Banco Central, “durante o governo do partido de vossa excelência”, apontou. Lindberg questionou: “Vossa Excelência vai me interromper?”. “Vossa Excelência vai me cortar? Vossa excelência está me censurando!”, completou, diante da resposta afirmativa do presidente.
 
O tucano respondeu: “Vossa excelência pode ficar ‘calminho’. Já lhe dei seis minutos para réplica”, alegou. “Não pode mudar o que foi decidido”, completou Jereissati. Por fim, o presidente da Comissão permitiu que Lindberg completasse a pergunta por mais um minuto. 
 
Meirelles declarou que o Ministério da Fazenda passará a publicar mensalmente um relatório com gastos do governo com subsídios para ajudar na “reorientação das políticas adotadas”. 
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