Ilan: perspectiva é de que inflação este ano fique dentro da meta

Ele disse que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 3,2% e caminhar para 4,3% no próximo

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postado em 31/10/2017 17:26

Em resposta às indagações dos parlamentares na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, repetiu nesta terça-feira (31/10), que a perspectiva da autoridade monetária é de que a inflação em 2017 ficará dentro das margens estipuladas para este ano e voltará para próximo do centro da meta em 2018. Ele disse que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 3,2% e caminhar para 4,3% no próximo. 

"Uma parte da queda na inflação neste ano foi causada pela queda na inflação de alimentos. E essa queda muito forte na inflação de alimentos é boa", afirmou Ilan, citando a deflação de 5% no preço dos alimentos em 2017. "Sem o efeito dos alimentos, a inflação neste ano seria de 4,3%, bem próxima da meta", completou. 

Ilan Goldfajn também respondeu que a expectativa dos analistas de mercado é de que a taxa Selic possa continuar caindo. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom), cortou pela nona vez seguida a taxa básica de juros, em 0,75 p.p., para 7,5% ao ano. "Nós mesmo sinalizamos uma queda moderada na Selic à frente, se tudo correr como imaginamos. No médio prazo, temos todas as condições de ter uma taxa estrutural menor", afirmou o presidente do BC.

Segundo ele, a política monetária tem controlado a inflação e permitido o crescimento econômico. "De fato, o presente processo de flexibilização monetária tem levado à queda das taxas de juros reais (juros nominais menos inflação) e tende a estimular a economia. Essas taxas, estimadas usando várias medidas, se encontram entre 2,5% e 3,1%, valores próximos aos mínimos históricos", afirmou.

Previdência


Ele repetiu que a aprovação da reforma da Previdência e outros ajustes na economia permitirão que a essa taxa estrutural seja menor ao longo do tempo. "Na década de 1990 tínhamos uma taxa real de 20%, há dez anos a taxa real era de 10% e hoje os juros reais estão entre 2,5% e 3%. Então hoje temos a condição de termos uma taxa estrutural menor", acrescentou.

Empréstimos às famílias


Questionado também sobre a ainda altas taxas de juros cobradas pelos bancos nos empréstimos a empresas e famílias, Goldfajn respondeu que a redução das taxas de juros bancárias vêm à reboque dos cortes na Selic, mas disse que a estabilização das contas públicas também pode ajudar esse processo. "Além disso, toda vez que há mais garantias no sistema financeiro, as taxas também caem", apontou. 

O presidente do BC voltou a destacar a retomada do consumo, mas ressaltou que, por enquanto, a taxa de investimento ainda não subiu como o governo gostaria. "Para um crescimento sustentável é preciso consumo, mas também investimentos. Temos um cenário internacional favorável, e fluxos seguem vindo para Brasil", afirmou. 

Câmbio


Ao ser perguntado sobre a estabilidade da taxa de câmbio nos últimos meses, ele respondeu que a solidez do balanço de pagamentos brasileiro, o menor estoque de swaps cambiais e o volume das reservas internacionais têm ajudado a manter a calma no mercado cambial. 

Cenário internacional


O presidente do Banco Central afirmou que o cenário internacional tem se mostrado favorável para as economias emergentes de maneira geral e para o Brasil em particular. "A atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar em demasia as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes, proporcionando um ambiente mais sereno nos mercados de ativos brasileiros", disse, repetindo uma ideia contida em comunicações mais recentes da instituição. 

De acordo com ele, a atividade econômica mundial está melhorando e os juros no mundo estão subindo devagar. "No ambiente doméstico, nossa situação econômica apresentou avanços", afirmou "Nesse sentido, há três fenômenos que tenho ressaltado e reitero em minha fala hoje: a redução da inflação; a queda das taxas de juros; e a recuperação da economia brasileira."

Ilan destacou ainda que a "condução firme" da política monetária e a mudança na direção da política econômica foram decisivas para "mitigar comportamentos defensivos (que são comuns em ambiente de inflação elevada), reduzir as expectativas de inflação e colocar a inflação em trajetória de queda".

"A dosagem da política monetária se mostrou, até o momento, adequada, com atuais expectativas de crescimento para 2017 e 2018 maiores que as esperadas no final do ano passado", disse Ilan. 

Segundo ele, para 2018, a expectativa é de que a inflação fique em 4,3%, voltando "devagarzinho" para a meta. O centro da meta de inflação no próximo ano é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%). "Inflação não teria essa queda se BC não tivesse atuado de maneira firme", afirmou. "Dosagem da política monetária se mostrou até o momento adequada " 

Balança comercial


O presidente do Banco Central disse também que parte do aumento do superávit comercial decorre da queda das importações, mas ressaltou que as exportações subiram, sobretudo as vendas do setor de agronegócio. Segundo ele, a indústria também já "começou a voltar", após uma recessão de dois anos. 

"O setor agrícola tem nos ajudado no balanço de pagamentos. Agora, as exportações também estão crescendo na indústria. Nossos embarques se beneficiaram pelas mudanças em preços relativos, mas não podemos esquecer que o mundo voltou a crescer, o que estimula as nossas exportações", afirmou Ilan.

Em resposta às perguntas dos parlamentares, Goldfajn repetiu que ainda há um espaço para a queda das taxas de juros bancárias. "Normalmente, a Selic cai primeiro e depois as taxas dos bancos. E no sentido contrário também", repetiu. 

Emprego e poder de compra

Sobre a retomada do emprego, ele admitiu que parte da queda na quantidade de desempregados ocorre com a contratação em vagas sem carteira assinada. "Nas recuperações econômicas, geralmente acontece assim, mas já temos também um saldo positivo na abertura de vagas formais", completou. 

O presidente do BC disse ainda que o poder de compra da população aqueceu principalmente pela queda da inflação. "A rotatividade está reduzindo o salário médio nominal, mas com a queda da inflação aumentou o salário real médio. E é por isso que o consumo está subindo", afirmou. 

Reservas


Mais uma vez, ele explicou aos parlamentares que não é possível usar o saldo das reservas internacionais para abater o déficit primário do governo. "Em momentos de maior calmaria, poderemos abater a dívida pública com as reservas, mas não usar para gastos. Precisamos colocar ordem nas contas públicas", reiterou.

Agendas de medidas


Em audiência pública da CMO, Ilan Goldfajn, citou a agenda de medidas propostas pela autoridade monetária, sobretudo no sentido de reduzir o custo do crédito no País.

Mencionou, entre elas, a aprovação pelo Congresso da Taxa de Longo Prazo (TLP) que irá substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos empréstimos concedidos pelo BNDES a partir de janeiro. Também elencou a aprovação do projeto que permite que as instituições financeiras registrem, em ambientes eletrônicos, os ativos financeiros (por exemplo, duplicatas) recebidos em garantia de operações de crédito.

Dentro deste rol de medidas, o presidente do BC lembrou ainda que o projeto do Cadastro Positivo já foi aprovado pelo Senado e segue para a Câmara dos Deputados. "Também houve queda na taxa dos cartões de crédito após medidas tomadas pelo BC, como a migração do rotativo para o parcelado e o compartilhamento das maquininhas. Ainda há muito a fazer, mas já há queda nessas taxas", afirmou. Ele mencionou ainda a permissão para que os comerciantes cobrem preços diferenciados no pagamento à vista. 

Segundo o presidente do BC, a aprovação de ajustes e reformas, sobretudo a da Previdência, também são importantes para o equilíbrio da economia e a redução das taxas de juros no mercado de crédito. 

Destacou também que o estoque de swaps chegou a US$ 115 bilhões e hoje está em US$ 24 bilhões. "O estoque atual de swaps no deixa confortáveis para a aumentá-lo ou diminuí-lo, a depender da política cambial", afirmou. 

Além das avaliações sobre a economia, a audiência busca avaliar o cumprimento dos objetivos e das metas das políticas do BC, considerando os impactos no balanço da instituição. O Banco Central registrou no primeiro semestre de 2017 um resultado positivo de R$ 11,3 bilhões. Já o resultado financeiro das operações com reservas internacionais e derivativos cambiais (swaps) foi negativo em R$ 15,7 bilhões no período. O balanço do BC foi aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 28 de agosto.
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